Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Curta Sexta Curta

A partir de hoje, o Pulaomuro passa a exibir curtas metragens todas as sextas, a partir do site portacurtas.

Na estréia, aproveitamos a véspera da decisão do campeonato brasileiro de futebol, e postamos dois curtas: Unido Vencerás e Unido Vencerás 2.

Na eminência do título pelo Flamengo, os curtas falam de um outro - e mais tradicional - clube carioca. Venha gritar, chorar e rir com os incríveis e apaixonados torcedores do América Futebol Clube - o time que tem o hino mais bonito e a menor e mais animada torcida do Brasil!

E parabéns ao América, que recentemente foi campeão estadual da série B e está de volta à elite do futebol carioca!

Gênero Documentário
Diretor Pedro Asbeg
Ano 2003
Duração 12 min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil
Local de Produção: RJ
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Unido Vencerás


Unido Vencerás 2

Terça-feira, Dezembro 01, 2009

A invenção da infância

Gênero: Documentário

Diretor: Liliana Sulzbach

Ano: 2000

Duração: 26 min.

Ser criança não significa ter infância. Uma reflexão sobre o que é ser criança no mundo contemporâneo.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

A ilha da fantasia

por Júlio Canuto.

Ao andar por Brasília, de cara o visitante percebe duas coisas: 1. que Oscar Niemeyer encarnou o espírito do desenvolvimentismo industrial, do concreto, e excluiu por completo as árvores de seus projetos. Arquitetura infelizmente sem sombras do lado externo e, mais infeliz ainda, sem transparência do lado interno; 2. que esta cidade é só pra quem tem dinheiro, e muito.

Com isso, a boa impressão do planejamento se perde.

No meu caso, pior ainda, por ter ido praticamente direto do Rio - local onde vi tanta desigualdade e necessidades - pra lá. Mas nem vou me estender nos comentários. A travessia dessa ponte do Rio a Brasília fica apenas nas poucas fotos acompanhadas de trechos da letra e música "a ponte", de Lenine e a providencial participação de Gog, rapper brasiliense, nesta música.
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nuvens carregadas sobre o poder

Como é que faz pra lavar a roupa?

Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte...


...mas a ponte da capital é demais

Projetada para aproximar
Do centro o São Sebastião, o lago e o Paranoá
Desafogaram o tráfego na região
Visitantes de chegada, nova opção

Fique ligado, acompanhe passo a passo
Condomínios luxuosos de todos os lados
O Congresso e o Planalto colados
"aqueles barracos ali ó, vão ser retirados"

A ponte é luxo, nada é mono, só estéreo
Mil e duzentos metros, louco visual aéreo
Quem sobe só pra regular a antena
Reforça as pontes de safena

A ponte começou depois, mas terminou
Bem antes que as obras do metrô
Quem mora fora do avião
Bate palma, aplaude, apóia, pede diversão

A ponte é muito, muito iluminada
O pôr-do-sol numa visão privilegiada
O povo quer passar, vê nela algo místico
A ponte virou ponto turístico

A ponte é um vai e vem de doutor
Tem ambulante, tem camelô
Olha pra baixo, vê jet-ski e altos barcos
Olhe pra cima, lá estão os três arcos

A ponte saiu do papel, virou realidade
Novo cartão postal da cidade
Um quer transformar ela em patrimônio mundial
Um outro num inquérito policial

Então, na sua opinião leitor, avalie:
Tá normal ou existe crime?
Se souber o caminho da rocha, me aponte
É... a ponte simboliza união
No nosso caso, Brasília e o sertão
É do vermelho, do azul é de cada elemento
Leva o nome de JK
Que transferiu a capital do litoral pra cá

Lenine, te peço mais um favor (diz aí)
Cante a origem deste preto que se apresentou
(nagô, nagô, na Golden Gate...)
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(quem foi?)
O projeto é do arquiteto Alexandre Shan
(Comprasse, pagasse?)
Todas as contas foram aprovadas pelo TCU
(me diz quanto foi)
164 milhões de reais
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Fazendo uma ponte com as comundades do Rio (e a postagem anterior), uma simples conta: cerca de 10 mil famílias a serem visitadas em pouco mais que 30 comunidades. Renda máxima de 5 salários mínimos: R$465, x 5 = R$2.325,00. Comparando valores: o da ponte R$164.000.000, / pelo rendimento máximo das famílias R$2.325, = 70.538 rendas de até 5 salários mínimos. Sendo 10.000 famílias, temos SETE MESES de renda destas família, alocados na ponte.
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Impressionou? Pois é muito pior.
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Este limite máximo de 5 salários mínimos está bem acima do rendimento real. Sendo assim...
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COM CERTEZA, O DINHEIRO GASTO NA PONTE DA CAPITAL COBRE TRANQUILAMENTE O RENDIMENTO DESTAS 10 MIL FAMÍLIAS POR, NO MÍNIMO, UM ANO E MEIO.
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Sem entrar no mérito de conferir os dados oficiais, e chutando que a média de moradores por residência é de 4 pessoas, temos então que esse valor é o mesmo que sustenta 40.000 pessoas em 18 meses.
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A ponte não é de ferro, não é de concreto
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente para atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento
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Desculpe-me, Brasília, obras como esta são feitas por todo o país - aqui em São Paulo mesmo temos inúmeros exemplos, como o Tribunal de Justiça do Trabalho e até uma ponte também, a estaiada, que custou quase o dobro -, mas foi esta a cidade que visitei logo após a experiência carioca.

Sábado, Novembro 21, 2009

Um cotidiano carioca

por Júlio Canuto
clique nas fotos para ampliá-las
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Conheci o rio ha pouco tempo, cerca de um mês. No entanto, vivi seu dia a dia. Paulistano que sou, não fiz questão de ir à praia. Aliás, à praia fui uma única vez - só pra dizer que fui - e me senti como o poeta mineiro Drummond, que de calça e sapato, de costas pro mar de Copacabana, parece deslocado.

Rio de praia, mar e céu azul, já é do conhecimento de todos pelas novelas e fotos de revistas. No meu caso, queria conhecer o Rio da massa, até mesmo pelo trabalho que fui fazer. O Rio que aqui apresento era meu trajeto.
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Rio conflituoso. Para além das milícias, tráfico e polícias, as diferentes políticas e pontos de vista (de visitante, morador ou turista). Ritmo diferente de São Paulo, e não só no samba, mas no modo de ser. Pessoas que falam de forma direta, não escondem sentimentos. População pacífica, por tanto descaso que o poder público lhe faz, porém não iludida, gente que corre e vai atrás, infelizmente sempre atrás. Oposto do esteriótipo do carioca que ronda o Brasil afora. No subúrbio feito de trabalhadores, em um, dois e até três empregos. Embora muitos (acredito que a maioria) sem o registro em carteira. A Copa do Mundo e as Olimpíadas não trazem esperanças a ninguém.
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Bairros esquecidos nos morros aonde não chegam saneamento, não chegam iluminação, não chegam médicos nem assitência social, não chegam caminhão de gás, não tem comércio e as escolas estão distantes. Uma cena me marcou: uma moça, nova e provavelmente já mãe e dona de casa, sobe o morro carregando um botijão de gás. Outra senhora me fala que tem vontade de deixar as compras "lá embaixo", tamanha a dificuldade de subir aquelas ruas: "ah, seu moço, cansa demais".

Os que descem e encontram trabalho, sofrem na desorganização da Central do Brasil, tendo que esperar frente a uma tela a informação de onde partirá o trem, enquanto as plataformas vazias aguardam a correria das pessoas que ainda têm que passar por isso, todos os dias, depois de tanto trabalhar. E o trem demora, e por isso se empurram, superlotam. Mas ainda há espaço para as vendas legais e ilegais. Desde jornal, doces e água, até cintos, ferramentas e facão!

Distraio-me das conversas no vagão e uma música vem à cabeça: "lá não tem moças douradas expostas. Andam nus pelas quebradas, teus exus. Não têm turistas. Não sai foto nas revistas. Lá tem Jesus, e está de costas". Chico Buarque acertou em cheio com essa imagem. Vou vendo Cristo de costas e sigo pelas estações Engenho de Dentro, Madureira, Deodoro, Ricardo de Albuquerque...
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Mas volto pra minha casa provisória, na Lapa, que de certo modo é um local democrático. Diversão para todos os gostos e bolsos. As ruas repletas de táxis, que chamam a atenção por sua cor amarela. Durante o dia restaurantes, farmácias, lojas de móveis, mercados. À noite bares, sambas, velhos e moços de várias regiões da cidade, prostitutas, turistas, amizade: tudo dividindo espaço na Mem de Sá. Às vezes compro cerveja do ambulante, e na calçada aproveito o samba de algum bar aberto, só pra não pagar couvert. Mas na sexta é de lei: Grupo Semente & Teresa Cristina no Carioca da Gema. O valor da entrada é barato pela qualidade do espetáculo e a casa tem clima acolhedor, o público canta junto, todos juntos.


Domingo, meu único dia de folga, há várias opções. Os parques para quem quer tranquilidade. Santa Teresa pra quem quer um passeio completo, recomendo o que todos já sabem: pegar o bonde no centro e fazer todo o trajeto pelo bairro e na volta descer no Largo dos Guimarães, almoçar uma bela feijoada no Bar do Mineiro, papear, e pra arrematar, uma passada no Largo das Letras para ouvir um ótimo samba.


Em outro domingo, um lugar que não é opção, é obrigação: ir ao Maraca, arrepiar-se com a torcida e suas bandeiras.

Enfim, o Rio que conheci no meu trajeto reproduz a dinâmica político-social brasileira. Instituições que prezam pela hierarquia - às vezes demasiada - e uma massa que vive à margem, sem ser respeitada nos seus direitos básicos. A violência que estampa nas manchetes de jornais e causa alarde em programas sensacionalistas, é compreendida em um único dia pra quem procura viver a realidade carioca, transitando pelas várias regiões da cidade, se servindo dos serviços públicos, convivendo com as desigualdades. Os extremos estão postos no Rio, de forma mais evidente que em São Paulo, convivendo numa espécie de pacto, com espaços demarcados.

O Rio apaixona e choca, realidade que alegra e incomoda.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Rio 2016

por Júlio Canuto.
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Nos próximos anos, o Brasil e, em especial, a cidade do Rio de Janeiro, será o foco das atenções de empresas, governos e pessoas ligadas ao esporte. A Copa do Mundo de 2014 em território nacional e as Olimpíadas de 2016 na bela terra carioca receberão profissionais, investimentos, especulações, boas e más intenções. E quais os desafios que a cidade irá enfrentar depende dos objetivos a que ela se propõe alcançar.
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As Olimpíadas - não tenham dúvida - ocorrerão na maior tranquilidade e com tudo muito bem feito, muito bem organizado (não estou falando dos bastidores). EStima-se que a capital carioca irá receber cerca de US$50 bilhões, algo em torno de R$ 80 bilhões (eu disse BILHÕES, com "B"*).
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Após a festa emocionante de toda a comitiva brasileira em Copenhagem, prefeito, governador e presidente trataram de arregaçar as mangas e planejar. O que é louvável, mesmo tendo a consciência de que o evento não ocorrerá sob sua gestão (e no caso das esferas estadual e federal, nem nas dos próximos governantes).
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A prefeitura do Rio criou o site Transparência Olímpica, que pretende divulgar todos os passos dos preparativos, desde o projeto vitorioso, até as chamadas para licitações, objetivos e valores de cada contrato, assim como o acompanhamento das obras e serviços contratados.

O link "monitoramento" traz os contratos já feitos e os que estão em andamento: http://www.transparenciaolimpica.com.br/monitoramento/. Mas apesar da empolgação, os projetos colocados no ar parecem ainda bastante tímidos para o tamanho da empreitada.
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A página citada tem em seu menu a opção "legado", que significa deixar, transmitir. Faltam AINDA 6 (seis anos) para o início do evento. Parece pouco para tantos problemas que a cidade enfrenta, mas se pararmos um pouco para pensar, veremos que este tempo pode possibilitar mudanças concretas na sociedade. Neste sentido, os dois focos principais são educação e trabalho (renda). Não acrescento segurança** (tido como o mais importante para muita gente) porque penso que isso é consequencia de políticas de longo prazo, que terão melhores resultados se os dois pontos colocados forem bem trabalhados.

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A educação nacional tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. O trecho em itálico faz parte da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) no. 9394/96, documento principal que rege a educação no país.
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Neste mesmo texto da LDB, em sua terceira seção, temos:
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"Do Ensino Fundamental

Art. 32º. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:

I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social."
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Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
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Oito anos é o tempo previsto para formar um cidadão (ou deformar uma vida, como acontece em vários casos). Isto siginifica dizer que até os jogos olímpicos, teremos já uma nova geração de cidadãos. Que tal se as crianças até 14 anos e suas famílias fossem o principal alvo destas ações que se iniciam em 2010? Estamos cansados de saber que os jovens estão entrando para o crime cada vez mais novos, antes mesmo de formarem-se cidadãos, absorvendo conceitos distorcidos pela falta de investimento e trato do poder público e pelas condições de vida em família - e isto, de forma alguma, se restringe as família carentes.
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Postos de trabalho, nas mais diversas áreas, serão abertos. Precisamos tomar consciência de que investir na cidade, deve ser lido como investir nas pessoas que moram nesta cidade e que fazem dela o que ela é. E isso implica em qualificar mão-de-obra para que tantos os pais, como seus filhos que em 2016 estarão iniciando no mundo do trabalho, tenham boas oportunidades. Além disso, deve-se ampliar vagas em creches, sempre escassas, problema este encontrado em todo o país. Enfim, desenvolver ações integradas, que abracem as famílias e as ajudem nestes principais fatores. Há inúmeros trabalhos e exemplos de políticas públicas com este perfil, basta a vontade política de querer realmente fazer, uma vez que dinheiro não será problema. Dessa forma, os moradores do Rio poderão ao mesmo tempo trabalhar na melhoria da infraestrutura e desfrutar desta melhoria.
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Por enquanto, o único projeto voltado para as crianças refere-se a intensificação do ensino da lingua inglesa nas escolas públicas. É muito pouco para quem fala em "legado dos jogos olímpicos". E assim as olimpíadas acontecerão com o mundo aplaudindo, mas depois voltando tudo à mais cruel realidade, de forma medíocre nos orgulhando das histórias de superação de atuais atletas que passaram infância de privações, sem questionarmos a lógica social que faz com que milhões de pessoas vivam com privações graves.
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O Rio não pode repetir erros históricos que marcaram a formação da sociedade, como tão bem descreveu José Murilo de Carvalho no clássico "Os bestializados"***, e que até hoje assistimos e sofremos os desdobramentos: políticas de exclusão e repressão, criando rancor e ódio ao poder público pelos que sofrem com estas políticas.
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*referência ao jornalista Aloísio Biondi, que sempre utilizava a expressão colocada aqui entre parentesis quando se referia a gastos, recebimentos ou investimentos do poder público, como forma de dar enfase aos valores que, muitas vezes, escoavam para o ralo.
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**na opção segurança do site citado, as ações em destaque do chamado Programa Nacional para Segurança Pública e Cidadania (Pronasci) são: Aumento das tropas das polícias civil e militar; Treinamento intensivo das polícias civil e militar; Melhoria nos sistemas de treinamento da polícia.
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***Resenha de Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi, em http://pulaomuro.blogspot.com/2006/06/os-bestializados.html .

Sábado, Outubro 10, 2009

O medo pós-moderno

por Leonardo André


Os costumes introjetaram-lhe limites, ensinaram-lhe como ser um fulano respeitável e, para tanto, você foi educado com muito esmero. Só não contavam que você corria sérios riscos de tornar-se alguém cheio de problemas, ansiedades, temores e desesperos.


– Quantos muros!


Por muito tempo esses malditos bons modos obrigaram-no a ficar quieto e sua espontaneidade foi assim asfixiada – e, para ser sincero, amigo, todos esses limites não condizem com seu espírito criativo. Te meteram um ego, depois um superego e desde então ambos modelam seu id. Te civilizaram. Atribuíram-lhe um emprego: gerar lucro. E te apresentaram o Conhecimento. Mas quantas coisas você desconhece! E por tamanha ignorância te induziram a respeitar aqueles, menos inteligentes do que espertos, que se dizem grandes sabedores das coisas. E que, por isso (ou para isso?) te sub-julgaram. Te disseram, sem usar palavras, para engolir essa tua ousadia inata. Ora, por quanto tempo a palmatória foi instrumento da sua educação? Por quanto tempo a carteira, na sala de aula, foi sua prisão?


– Calado!


Espera sua vez de falar (se tiver vez, esteja dito!). Pra você, o confessionário. Lá sim, era lugar para pedir perdão por seus desejos libidinosos, suas sem-vergonhices. O mais perfeito panóptico de todos os tempos, os olhos de Deus, enigmáticos e onipresentes, a fitarem-no na alcova e em todos os lugares; eis uma idéia assustadora. Por quanto tempo tem sido assim a sua vida? (Aliás, seria isso vida?) Quantas neuroses infligiram-no. Pensamentos formatados, sujeito normatizado, obediente às regras. Ah, mas hoje em dia as coisas já não são mais exatamente assim, nada mais é tão absoluto. Estão desconstruindo os discursos, como dizem. Os parâmetros que balizavam as ações cada dia mais esvaecem e com eles toda a segurança que oferecem. E justamente agora, que a farsa da perfeição começa a ruir; agora que os muros da certeza começam a cair; justamente nesse momento de libertação você vai ser tomado por um mal-estar súbito?


– Isso é hora de fraquejar?


De repente a obediência virou medo; medo do diferente; medo do desconhecido. Por que tanto medo, agora? O fato é que ainda somos divididos em clãs, tribos, aldeias; nosso planeta é povoado por índios high-tech, cuja barbárie é camuflada pela ilusão do esclarecimento científico. Nesse cenário o tradicional divide espaço com o moderno, com o pós-moderno, com o ultra-moderno... Tal é a dinâmica cultural em que vivemos, nossa condição, nosso destino como espécie, culturalmente múltipla e biologicamente única. Quanta cor de pele, quantas orientações sexuais, quantas manifestações culturais, quanta gente diferente... respeitar tudo isso é mesmo bastante estranho. É, meu amigo, você está com medo da liberdade (a sua e a dos outros), acostumado que é com as amarras. Tiraram seu chão. Muita coisa mudou nos últimos anos, o mundo se fragmentou. E toda essa fragmentação carrega em si o enfraquecimento das tradições e a relativização da Verdade e tudo isso desencanta seu mundinho colorido e feliz, botando no lugar um mundo feio, terrível e... REAL – dá-lhe síndrome do pânico, depressão, prozacs e mais prozacs. Não há para onde correr. Nem a família é mais como antes. Papai não mora mais com a mamãe; mamãe não abaixa mais a cabeça pro papai. O que fizeram com a sagrada família patriarcal?


– Quem está se sentindo inseguro levante a mão!


Mas que segurança é essa que você tanto procura se seu fim será tão trágico quanto o de qualquer outro? Viver é um risco, já deveria ter aceitado essa ideia. E sabe qual a saída? A especialização! Caberá a você, indivíduo, definir a sua própria especialidade e seu próprio lugar no mundo.


– Que friozinho na barriga, hein!?


Imagina só: de repente, perceber-se sozinho e obrigado a definir a si mesmo e, além disso, definir um caminho próprio em meio à multidão de desconhecidos.


– Anda, te vira, vá ganhar dinheiro!


‘Tá difícil? É, realmente arrumamos um processo bastante desgastante do ponto de vista psíquico, não?


Era liberdade que você queria? Então toma!



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imagem: Pula o Muro
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Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Oportunidades em época de crises V: situação e ações no Japão

Por Júlio Canuto.
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Kuraudo Suto, japonês que viveu alguns aqui no Brasil e voltou para o Japão. Bancário, fala sobre a estratégia um pouco diferente à adotada por alguns países da Europa. A tecnologia tem papel fundamental nas ações desenvolvidas neste país.
Antes, alguns dados sobre o Japão:
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*3a. economia do mundo (o Brasil é a 9a.), segundo o FMI: Indicadores de Desenvolvimento Mundial, de 15/09/2009 (PIB - Produto Interno Bruto em milhões de dólares);
*10o. país no ranking de IDH - Índice de Desenvolvimento Humano (o Brasil é o 75o. ), da ONU - Organização das Nações Unidas de 05/10/2009 - dados relativos a 2007 ;
*População estimada de 127 milhões de habitantes;
*Superfície de 377 873 km². O país é formado por quatro grandes ilhas e mais 6.848 pequenas ilhas. Cerca de 75% do país é montanhoso.


O New Deal Verde da Alemanha me chamou atenção, pois aqui no Japão, não se fala da estagnação econômica optando pela energia mais ecológica, é muito pelo contrário. Pelo que sinto lendo um famoso jornal econômico do Japão, utilizar os meios que não dependem dos outros países é a única saída para o Japão crescer no mercado mundial. As grandes empresas do Japão investem pesado nesse ramo. Por exemplo, os carros elétricos e híbridos, que poluem o ar bem menos que os carros convencionais, energia elétrica com a gasolina, aspirador de pó que limpa o chão e também o ar como se fosse purificador de ar, a maquina de lavar que usa pouca água e tem função de purificar a água e reutiliza-la para lavar a roupa etc.
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No Japão, o governo está ajudando no "IPVA" quando se adiquiri carros híbridos e também nos produtos eletrodomésticos que gastam menos energia elétrica. São mais caros, porém além de ter a ajuda do governo, tem aquele negócio de que quanto mais compra, mais barato fica, né?
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O link abaixo é do jornal mais famoso daqui que fala da economia do Japão e mundial, vale a pena dar uma olhada:
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Outros links interessantes, sobre os três principais carros que recebem bastante holofortes da mídia japonesa e, provavelmente, da mídia mundial. Um dia vão fazer um grande sucesso no mercado internacional com os carros mais desenvolvidos e enxutos que os atuais, KEEP WATCHING!
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Em relação à energia, o Japão tem energia nuclear e na Alemanha, não. Cada país tem sua maneira de sobriviver, né?
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A estatistica é antiga, mas no final da década de 90, 1/4 da energia elétrica da região de Tokyo é produzida pela usina nuclear.
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Por telefone, Kuraudo Suto me informou que a terceirização dos serviços no Japão fez os rendimentos caírem. O país sofreu (e ainda sofre) muito com a crise econômica. Sobre a questão do desemprego, o Estado japonês adotou uma medida para os estrangeiros que ficaram desempregados: paga-se a passagem de volta e um valor adicional, porém este outro valor só pode ser retirado já no país de destino (origem) do imigrante. Esta medida foi tomada porque em muitos casos, o imigrante acabava por gastar todo o dinheiro no Japão, permanecendo no país sem trabalho.
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Estas foram as três respostas recebidas. Além destas, foi encaminhado e-mail também para amigos na Holanda e Moçambique, porém sem retorno.

Oportunidades em época de crises IV: situação e ações na Suíça.

Por Júlio Canuto.
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Augusto Cabral, brasileiro, vive em Zurique, na Suíça. Sua resposta, de 16 de maio, é um breve comentário sobre o principal esforço neste país: incentivar o consumo. Por lá, parece que o new deal verde é uma possibilidade, porém ainda não implantado.
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Alguns dados sobre a Suíça:
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*34a. economia do mundo (o Brasil é a 9a.), segundo o FMI: Indicadores de Desenvolvimento Mundial, de 15/09/2009 (PIB - Produto Interno Bruto em milhões de dólares);
*9o. país no ranking de
IDH - Índice de Desenvolvimento Humano (o Brasil é o 75o.), da ONU - Organização das Nações Unidas de 05/10/2009 - dados relativos a 2007 ;
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População estimada de 7,6 milhões de habitantes;
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Superfície de 41 285 km², dos quais 1 740 são cobertos por lagos e rios e 8 787 por áreas improdutivas como montanhas.

O principal tema explorado pela midia aqui na Suíça é a crise.
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Por aqui é concensso que o consumo deve ser aumentado, pois dinheiro na poupança so irá parar as fábricas, pois se ninguem compra não existe razão para produzir. Fábricas fechadas significa pessoas desempregadas. Pessoas desempregadas leva a menos consumo e portanto o importante a fazer é sair desde loop degenerativo.
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O "deal verde" faz parte desta estratégia e os paises europeus estão tentando aplica-lo.
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Na minha opinião estas medidas sao válidas, pois o consumo tem que ser incentivado ou a crise nao terminará. O "deal verde", além de estimular o consumo, também protege o meio ambiente e gera empregos.
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Segue uma dica com outras informações sobre o "deal verde" (em italiano):
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na próxima postagem, veremos a situação no Japão.

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Oportunidades em época de crises III: situação e ações na França

Por Julio Canuto.
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A amiga Stella Maia, brasileira, que mora há 30 anos na França, enviou a resposta mais completa dentre as três que serão publicadas. A resposta veio no mesmo dia do meu questionamento, em 15 de maio. Peço desculpas pela demora em publicá-la. Ainda assim é um texto bastante esclarecedor.
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Antes, alguns dados sobre a França:
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* 8a. economia do mundo (o Brasil é a 9a.), segundo o FMI: Indicadores de Desenvolvimento Mundial, de 15/09/2009 (PIB - Produto Interno Bruto em milhões de dólares);
*8o. país no ranking de IDH - Índice de Desenvolvimento Humano (o Brasil é o 75o.), da ONU - Organização das Nações Unidas de 05/10/2009 - dados relativos a 2007 ;
*População estimada de 64,5 milhões de habitantes;
*Superfície de 675 417 km² ;

A Alemanha é (junto com toda a Escandinávia) o pais mais ECOLÓGICO da Europa, então acredito que o esquema la esteja mais ativo ainda. A retomada de consciência já começou ha uns 4 ou 5 anos atrás!
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Aqui na Europa usa-se muita energia NUCLEAR (da qual a França é a maior produtora). A preocupação com a biodiversidade é uma realidade Européia. Aqui na França, por exemplo, o governo está dando incentivos e reduzindo fortemente impostos de TODA PESSOA que investe em energia renovável, desde o aquecimento das casas, às menores kilometragens: TODAS AS HIPÓTESES POSSIVEIS são aplicadas com o objetivo de diminuir o consumo de energia poluente em pelo menos 25% até final de 2010.

Algo muito interessante sobre a questão energética são os painéis solares que a própria EDF (companhia elétrica da França), compra dos particulares. Por exemplo, você coloca na sua casa, no telhado, os painéis solares (custam caro, mas há desconto de imposto para quem investe neles). Você então produz eletricidade para a EDF e consome sua energia normalmente, além do que a EDF ainda te paga pela energia que você fabricou.

Descobriu-se que a obesidade mata: campanhas e mais campanhas para ensinar o povo a "comer corretamente".

Pelos carros fabricados e empacados o governo oferece € 1000, para que as pessoas que tenham carros poluentes comprem os novos. Também existe uma taxa que as pessoas pagam em função de ter carros mais ou menos cilindrados, que poluem mais ou menos.

Existem campanhas de educação e condicionamento CONSTANTES (tudo aqui se faz na base de educar em prioridade) e vai a tal requinte que, agora, as crianças desde o jardim de infância estão aprendendo sobre o gosto, os nutrimentos e os modos BIO de se nutrir. Um exemplo mais recente é que um grande número de pessoas (cada dia mais) estão comprando a alimentação direto do produtor (o que é de alimento vegetal ). Aqui tudo é regulamentado, os pescadores têm limite para pescar etc, etc e tudo controlado pelo Parlamento Europeu.

As embalagens são repudiadas, já não existem mais sacos plásticos nos mercados e na Alemanha (especialmente) os fins de semana são vazios de carros.

Tudo isso passa por uma espécie de “martelação” na cabeça das pessoas (via TV ou via radio = uma música + um debate). Nas TVs daqui existe muita "formação". Ex.: existem programas de medicina todos os dias para que as pessoas aprendam um mínimo para evitar doenças que custam caro ao Estado.

Existe ha algum tempo (antes da crise) uma forte campanha que esta crescendo dia a dia: Campanha ANTI-CRESCIMENTO.

Mas o mais interessante é o aspecto cultural: eles não abandonam nunca as próprias tradições. As modernidades "USA" ou Chinesas chegam aqui, mas o organismo de proteção ao consumidor tem uma força enorme! Quando a denúncia parte, os tribunais se abrem.... Tem-se que dizer que Francês, especificamente, têm uma alma revolucionária. Toda semana estão nas ruas fazendo algum protesto.

Hoje de manhã tivemos a notícia que entramos em RECESÃO! O consumo está baixíssimo, as dívidas públicas vão ficar ENORMES porque o sistema social daqui é o mais protetor que existe. Atualmente existe muito debate sobre a "falência" do capitalismo, porque, acredita-se, essa crise AINDA NAO MOSTROU o PIOR que esta por vir.

Enfim, o mundo inteiro criticou, sobretudo a França, por ter um sistema SOCIAL tão protecionista (Viva o liberal...Viva o capitalismo....!!), mas justamente HOJE que a recessão foi constatada, na Europa inteira, é justamente a França que esta numa melhor posição porque as pessoas que recebem as "pensões" e ajudas sociais continuam a consumir (pouco mas positivamente).

Não há retomada de consumo por aqui, mas o verão está chegando, o consumo desenfreado vai voltar! O crédito aqui não é como no Brasil, aqui tudo é controlado! As poucas pessoas que estão endividadas porque perderam os empregos são imediatamente assistidas por organismos públicos, com juristas, assistentes sociais, etc. (dica de leitura: Jacques Attali)

O grande temor aqui atualmente é uma "ameaça" de revolução popular (já aconteceu várias vezes na história francesa). As usinas "francesas" pertencendo agora a acionários americanos, estão fechando uma atrás da outra (mudando para outros locais), a lista dos desempregados aumentando a cada dia e o ódio com os benefícios que os patrões estão levando com eles.

O ruim nisso tudo é que na Europa há muito racismo, com a crise e o desemprego a XENOFOBIA vai se espalhando.
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Na próxima postagem continuaremos na Europa, só que na Suíça.

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Oportunidades em época de crises II: new deal verde

Por Júlio Canuto

imagem:http://onossodestino.blog.pt/

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Têm-se falado muito ultimamente sobre o novo keynesianismo que alguns países estão adotando para sair da crise econômica. Como keynesianismo, entende-se a afirmação do Estado como agente de controle total ou majoritário da economia, tendo o objetivo de conceder benefícios sociais, através de subsídios, que garantam à população um padrão mínimo de qualidade de vida. Sua fórmula consite em um ciclo: mais produção = mais emprego = mais renda = mais consumo = mais arrecadação para a garantia dos benefícios sociais e mais investimento na produção. Num momento de crise, como se viveu em 1929 ou nos pós-guerras, o investimento em infra-estrutura impulsionava a construção, que impulsionava a geração de postos de trabalho e a renda, daí o consumo, o lucro, a arrecadação e os novos investimentos na produção.
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Convergindo com a afirmação de que as crises se interligam nas causas e nas soluções, conforme postagem anterior, em alguns países, sobretudo na Alemanha, se desenvolveu o que se está chamando de “new deal verde”. Grosso modo, trata-se do incentivo a reformas de infra-estrutura (construção ou reforma de instituições públicas, p.ex.) como ocorreu nos EUA após a crise de 1929, só que com um diferencial que a caracteriza: o subsídio governamental a projetos sustentáveis, que não agridam o meio ambiente e, principalmente, a substituição da utilização dos combustíveis fósseis por renováveis. Parece perfeito, mas um problema se coloca neste ponto: como conciliar numa mesma sociedade o atual modelo de consumo e produção com práticas de equilíbrio ambiental?
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A resposta é: não há como conciliar!
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Nas palavras de Peter Custers, em matéria no Le Monde Diplomatique Brasil de maio de 2009:
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“De um ponto de vista ecológico, apenas uma economia ‘estacionária’ e de ‘fluxo circular’ permitiria resolver o problema do esgotamento dos recursos naturais no planeta”.
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Temos então que a saída pelo new deal verde ataca de uma só vez a questão econômica – geração de empregos e renda – e também a ambiental, com espaços ecologicamente corretos e a diminuição da emissão de gases. Por outro lado, tem-se que ao se optar por esta via, o crescimento do país vai estacionando, e daí sua rejeição por um grande número de governos.
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Do ponto de vista ambiental, a diminuição da produção é ótima, pois diminui a exploração de recursos naturais, além do impacto na questão do consumo. Aqui está seu caráter surpreendente. Chega-se às consciências através de medidas concretas que melhoram a qualidade de vida dos cidadãos.
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Neste sentido, a Alemanha é o melhor exemplo, e o mecanismo de aceitação da estratégia verde neste país é revelado por Peter Custers, na mesma matéria para o Le Monde:
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“...o consumo de energia renováveis registrou na Alemanha uma alta contínua de ao menos 1% ao ano. Em 2007, representava 14,2% do consumo de eletricidade do país. Como a utilização de energias fósseis diminuiu nas mesmas proporções, a Alemanha pode se vangloriar de ter diminuído, de maneira substancial, suas emissões de gases que causam o efeito estufa. Segundo o alemão Herman Scheer, especialista em energia, Berlim obteve, nesse campo, resultados que vão além do Protocolo de Kyoto.
Devemos olhar um pouco mais de perto o sistema alemão e ver em que medida ele pode servir de exemplo. Esse sistema apresenta três características fundamentais.
Os fornecedores de energia são obrigados por lei a comprar também de produtores de eletricidade ‘limpa’, o que atenua sua situação de dependência das multinacionais nucleares ou de petróleo.
É o governo que fixa o preço para produtores de energias renováveis, garantindo, naturalmente, que esse valor cubra os custos de produção. Os preços são flexíveis, pois são fixados em função da fonte de energia explorada. Porém, seu nível geral permanece garantido, e por um período bastante longo – cerca de 20 anos.
Enfim, os custos adicionais gerados pela produção de energias não fósseis são transferidos, isto é, repassados para todos os consumidores – inclusive para as empresas – através de uma taxa especial sobre o consumo do kilowatt/hora. Trata-se então de um sistema distributivo, no qual cabe à população assumir a escolha do desenvolvimento das energias renováveis”.

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Eu já tinha desistido da idéia de mudança, recentemente, ao escrever uma série de artigos que falavam, entre outras coisas, do consumo de produtos para obtenção de status e as cruéis conseqüências disso, fechei da seguinte forma:

será que o atual momento que estamos vivendo – que já chamei de crise de valores – é apenas o destino da humanidade em sua plena evolução? Será que seu destino (estamos cumprindo bem, neste sentido) será a sua autodestruição?
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Diante da questão, em maio encaminhei e-mail para vários amigos que moram em diferentes países, em diferentes continentes (Europa, Asia e Africa), afim de saber sobre as medidas tomadas e se o chamado new deal verde existe por lá, e de que forma. Recebi poucas respostas, mas todas muito boas, que conseguiram mostrar as maiores preocupações em cada um destes países. As próximas postagens serão estas respostas recebidas.