segunda-feira, 16 de maio de 2016

A Psicologia moderna fazendo a sua parte para produzir uma massa de Ovelhas Obedientes



Dylan Charles, Editor/Waking Times*
Leonardo André, tradução


A PSICOLOGIA MODERNA TORNOU-SE A CIÊNCIA DO DESEMPODERAMENTO?


Você já não tem que ser um psiquiatra de boa-fé para prescrever medicamentos que alteram a mente e o humor para pacientes jovens e velhos, visto que qualquer clínico geral está autorizado a experimenta-los em seus pacientes. Isso ajuda a explicar por que cerca de 78 milhões de americanos estão atualmente tomando medicamentos psiquiátricos, cerca de 25% da população dos EUA. O que veio primeiro o diagnóstico ou a pílula?

A psicologia é o estudo do comportamento e da mente, mas o papel que desempenha na produção em massa de ovelhas obedientes é cada vez mais evidente.

Em 1961, bem depois do advento do lítio e thorazine, o psicólogo Stanley Milgram realizou o que se tornou um dos mais famosos experimentos psicológicos do mundo. Supõe-se tão crítico quanto à nossa compreensão da natureza humana que é ensinado em quase todas as classes de psicologia.

A Experiência de Miligram, como é conhecido, é saudada como um marco na nossa compreensão de como a ética das pessoas pode mudar drasticamente quando a responsabilidade por suas ações é cedida para uma figura de autoridade, como um 'expert' ou um líder. Intrigado com o papel dos militares nazistas nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, Milgram queria saber o quanto de coerção é necessário para uma pessoa infligir voluntariamente danos a outra pessoa.

“Ele pediu que voluntários aplicassem um choque elétrico em um estranho. Sem o conhecimento dos voluntários, não havia choque e as pessoas castigadas eram atores fingindo estarem terrivelmente feridos, fingindo ataques cardíacos. Milgram descobriu que a maioria das pessoas continuaria a aplicar os choques desde que orientados por uma pessoa vestida com um jaleco de laboratório, mesmo acreditando que a vítima estivesse gravemente ferida. Apenas uma pequena percentagem dos voluntários se recusou”.

A conclusão sugerida é que as pessoas são inerentemente incapazes de pensar por si mesmas quando desempenham um papel secundário em alguma hierarquia autoritária, tais como o papel das pessoas em um mundo controlado pelo Estado.

Os resultados passaram a ser conhecimentos aceitos em nossa compreensão de como as pessoas comuns podem infligir danos extraordinários sobre outras pessoas, mas a discussão desta experiência raramente trata do fato de que muitas pessoas resistiram à experiência, concentrando-se em reforçar o lado mais obscuro, mais indefeso da natureza humana. O exame subsequente do estudo de Milgram, no entanto, revela uma série de falhas práticas e éticas que praticamente desacreditam todo o experimento, mas este exemplo particular é citado repetidamente como um fato sobre a natureza humana, quando é tudo menos isso.

Em minha opinião, os dissidentes são mais dignos de publicidade do que os conformistas.

Com base nas ideias expostas por Milgram, um estudo recentemente realizado na University College of London pelo neurocientista Patrick Haggard e seus colegas foi lançado e promovido com a manchete "É realmente fácil forçar as pessoas a serem más".

Esta nova abordagem para confirmar a tendência de seguir as ordens foca este aspecto do comportamento sob a perspectiva da neurociência, com o objetivo de definir os diferentes processos fisiológicos que ocorrem, nos distanciando ainda mais da individualidade, do livre arbítrio e da consciência humana.

"Os estudos de Milgram e outros relacionados ignoram e explicitam medidas da agência, que são conhecidas por serem tendenciosas pelas normas sociais.
"Em dois experimentos, foi pedido a um voluntário para iniciar uma ação que causava algum tipo de sanção financeira ou choque elétrico comprovadamente doloroso a seu coparticipante, aumentando assim o seu próprio ganho financeiro. A coerção aumentou o intervalo percebido entre ação e resultado, em relação a uma situação onde os participantes escolhiam livremente provocar os mesmos danos. Curiosamente, a coerção também reduziu o processamento neural dos resultados da própria ação. Assim, as pessoas que obedeceram a ordens puderam subjetivamente experimentar suas ações como mais perto de movimentos passivos do que ações totalmente voluntárias. Nossos resultados destacam a complexa relação entre os mecanismos cerebrais que geram a experiência subjetiva de ações voluntárias e construções sociais, como a responsabilidade.
"Quando agimos seguindo ordens, nos sentimos menos no controle dos resultados de nossas ações. Nos sentimos menos responsáveis. A experiência é tão profundamente diferente que nosso cérebro realmente a processa de forma diferente".

Pensando além do blablabla acadêmico, eles estão levando o experimento Milgram a outro nível, dizendo que a obediência é resultado natural de processos neuroquímicos do cérebro, excluindo cientificamente a soberania pessoal a partir da equação.

A conhecida psicóloga britânica e autora, Susan Blackmore, confirma isto com suas observações sobre o papel da consciência humana em memética, o estudo de como as pessoas replicam o comportamento testemunhado em outros:

"A consciência é uma ilusão construída pelos memes. Memética parece sugerir que nós, seres humanos somos máquinas, o que não costuma agradar muito as pessoas. Claro que somos máquinas, somos máquinas biológicas. Mas as pessoas não gostam disso. O livre-arbítrio e a consciência são ilusões, e o eu é um complexo de memes. As pessoas não gostam disso. A minha opinião é que, se esses fatos são verdadeiros, não importa se gostamos ou não”.

Tudo isso é uma redução extrema do comportamento humano, descaradamente omitindo a totalidade dos fatores sociais contemporâneas que levam as pessoas a terem muito medo de agir de acordo com suas próprias consciências. Controle da mente, engenharia social, programação de entretenimento/violência, medo vendido noite e dia, fluoretação em massa, guerra eletromagnética, e assim por diante. Nenhum desses fatores reais são apontados como influenciadores.

Eles estão tentando normalizar socialmente a mensagem de que somos seres humanos não-livres, que estamos psicologicamente e biologicamente obrigados a fazer o que estamos programados a fazer, induzindo-nos a concordar consciente e inconscientemente que nos tornamos obsoletos e à disposição de forças além do nosso controle individual.

Eles estão dizendo que somos realmente robôs.

Eu não gosto disso, mas de acordo com Blackmore não importa já que eu não tenho livre arbítrio e minha consciência é apenas uma ilusão.

Agora, de volta a medicamentalização como o caminho prescrito para a felicidade. A Associação Psiquiátrica Americana tem escrito para si uma Bíblia dos tipos, o DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - 5ª Edição. Expõe cada doença mental reconhecida oficialmente a que eles foram capazes de chegar, e para cada nova edição lançada, são adicionados e codificados novos “distúrbios”, restringindo ainda mais a gama aceitável dos comportamentos humanos.

Esta é a razão pela qual é socialmente aceitável para 25% da população ser dependente de medicações psicotrópicas. Esta é a ciência da produção em massa de ovelhas obedientes que fugirão do pensamento livre, rebanho que abraça, pensa e concorda com todo o mal do estado. Este é o fundamento do Admirável Mundo Novo.

"Alguns acreditam em coisas porque foram condicionados a acreditar nelas." - Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo

*Clique aqui para ler o artigo original: Wakig Times. 

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Sobre o autor

Dylan Charles é aluno e professor de Shaolin Kung Fu, Tai Chi e Qi Gong, praticante de ioga e artes taoístas, e ativista e idealista apaixonadamente engajado na luta por um mundo mais justo e sustentável para as gerações futuras. Ele é o editor de WakingTimes.com, o titular de OffgridOutpost.com, um pai grato e um homem que procura iluminar os outros com o poder de inspirar informação e ação. Ele pode ser contatado pelo wakingtimes@gmail.com.

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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Bertrand Russell: Amor, Sexo, a Boa Vida e Como Superstições Morais Limitam a Nossa Felicidade




"A boa vida é inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento. Nem o amor sem conhecimento, nem conhecimento sem amor pode produzir uma boa vida".

Por: Maria Popova/Brain Pickings*
Tradução: Leonardo André

Bertrand Russell (18/05/1872 – 02/02/1970) perdura como um dos mais lúcidos e iluminados pensadores da humanidade, suas ideias estão entre o eterno e o profético. Um século antes de nossa era de distrações e produtividade intensa, Russell advertia contra seus efeitos perigosos e defendeu o papel do tédio e da quietude na nossa conquista da felicidade. Seus dez mandamentos do ensino permanecem como alguns dos princípios mais sucintos sobre a educação já traduzidos em palavras. Sua visão sobre a natureza humana demonstra desde nosso impulso para a destruição até nosso anseio pela graça. Mas em nenhum lugar o brilho de Russell nos conforta a mente e o espírito mais profundamente do que em What I Believe  (biblioteca pública) - seu catálogo de credos escrito em 1925, uma espécie de ecologia moral com que ele nos presenteou sobre a imortalidade e a existência das religiões.


Depois de estabelecer a sua definição do que seja uma boa vida – “uma boa vida é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento", escreve Russell, "nem amor sem conhecimento, nem conhecimento sem amor pode produzir uma boa vida" – ele aponta o mais essencial destes dois ingredientes, a uma humanidade que passa séculos tentando se definir e dedicando filosofias inteiras para tentar entender a si. Russell escreve:

Embora amor e conhecimento sejam necessários, o amor é mais fundamental, uma vez que pode levar as pessoas inteligentes a buscar o conhecimento, a fim de descobrir como beneficiar aqueles a quem amam. Mas se as pessoas não são inteligentes, elas vão se contentar em acreditar no que lhes foi dito, o que pode fazer mal, apesar da benevolência mais genuína.

Mais uma vez, a clarividência de Russell revela-se – muitas décadas mais tarde, o grande mestre zen Thich Nhat Hanhs viria a escrever "amar sem saber amar pode ferir a pessoa que amamos". Mas Russell tem o cuidado de observar que antes de amar precisamos conhecer as muitas dimensões do amor:

O amor é uma palavra que abrange uma grande variedade de sentimentos; digo isto intencionalmente, pois desejo abranger todos eles. O amor como uma emoção – o amor "a princípio" não me parece genuíno – move-se entre dois pólos: por um lado, o puro deleite da contemplação; por outro lado, a benevolência pura. Onde objetos inanimados estão em causa, temos o puro deleite da contemplação; não podemos sentir benevolência por uma paisagem ou uma sonata. Este tipo de satisfação está presumivelmente na origem da arte. Ele é mais forte, como regra, em crianças do que em adultos, pois as crianças são mais suscetíveis a visualizar objetos de forma utilitarista. Ele desempenha um grande papel em nossos sentimentos para com os seres humanos, alguns dos quais têm charme e outros não, quando considerados apenas como objetos de contemplação estética.
Ilustração de Oliver Jeffers de ‘The Heart and the Bottle’. Clique na imagem para saber mais (em inglês).
A alquimia de um amor completo, Russell argumenta, funde estes dois elementos de prazer e benevolência ao contemplar o amado:

Amor em sua plenitude é uma combinação indissolúvel dos dois elementos, prazer e bem-querer. O prazer do pai de uma criança bonita e bem-sucedida combina ambos os elementos; o mesmo acontece com o amor sexual no seu melhor. Mas no amor sexual a benevolência só vai existir se houver a posse segura, caso contrário o ciúme vai destruí-lo, embora talvez, na verdade, aumentando o prazer da contemplação. Prazer sem bem-querer pode ser cruel; bem-querer sem prazer facilmente tende a tornar-se algo frio e despertar um sentimento de superioridade. A pessoa que deseja ser amado deseja ser o objeto de um amor que contém ambos os elementos.

O desequilíbrio entre os dois é, talvez, o que irritava Susan Sontag, quando considerava "o mundo entre o amor e o sexo” meio século mais tarde. Para Russell, este amor de duas dimensões é inseparável do segundo elemento para uma boa vida: o conhecimento. Mas ele tem o cuidado de observar que esse conhecimento é científico – um conhecimento pleno do mundo, como reflexo da realidade – ao invés de ético. A moralidade, argumenta, é uma questão totalmente diferente – e ainda assim, estranhamente, ela também volta como uma força psicológica que pode associar-se com o amor: o desejo. Em um sentimento que aponta 
a Encruzilhada entre Obrigação e Propósito, ele escreve:
 
Todas as regras morais devem ser testadas para examinar se elas tendem a alcançar os fins que desejamos. Eu digo os fins que desejamos, não os fins que devemos desejar. O que nós somos “obrigados” a desejar é apenas o que alguém espera que nós desejemos. Normalmente é o que as autoridades esperam que nós desejemos – pais, professores, policiais e juízes. Se você me diz "você deve fazer isso ou aquilo", a sua razão se impõe sobre meu desejo para sua aprovação – junto, possivelmente, com recompensas ou punições ligados a sua aprovação ou desaprovação. Uma vez que o comportamento nasce do desejo, é claro que as noções de ética podem não ter importância alguma, exceto no momento em que influenciam o desejo. Eles fazem isso através do desejo de aprovação e o medo de desaprovação. Estas são forças sociais poderosas, e vamos naturalmente se esforçar para conquistá-los se quisermos alcançar qualquer propósito social.

O desejo, insiste Russell, é um guia tão potente que ele não pode ser regulado ou controlado através de qualquer outro sistema de varas-e-cenouras – só pode ser aproveitado e cultivado:

Não há maneira concebível de determinar que as pessoas façam coisas que elas não queiram fazer. O que é possível é alterar os seus desejos através de um sistema de recompensas e sanções, entre as quais a aprovação e desaprovação social estão entre as mais potentes. A questão para o moralista legislativo é, portanto: Como se arranjar esse sistema de recompensas e punições de modo a alcançar o máximo do que é desejado pela autoridade legislativa? ... Fora os desejos humanos não existe um padrão moral.
Assim, o que distingue a ética da ciência não é qualquer tipo especial de conhecimento, mas apenas o desejo.

E ainda assim a nossa concepção de moralidade, Russell argumenta, parece completamente divorciada das realidades da experiência humana:

A moralidade atual é uma curiosa mistura de utilitarismo e superstição, mas a parte supersticiosa é parte mais forte, naturalmente, uma vez que a superstição é a origem das regras morais. Originalmente, certos atos foram pensados ​​desagradando aos deuses, e eram proibidos por lei, porque a ira divina estava apta a descer sobre a comunidade, e não apenas sobre os indivíduos culpados. Daí surgiu a concepção do pecado, como aquilo que desagrada a Deus. Nenhuma razão pode ser atribuída como a razão pela qual certos atos devem estar assim desagradando.

Ilustração de Ralph Steadman de ‘I, Leonardo’. Clique na imagem para saber mais (em inglês).

Isso, é claro, chama a atenção não apenas para o lamento geral de Mark Twain sobre a forma como nós usamos a religião para justificar a injustiça, mas também a superstição particular com a qual a homossexualidade tem sido historicamente considerada. Mas, ainda em 1925, Russell – um crítico consciencioso da religião – reconhece o absurdo de tal pensamento e aponta para o pensamento crítico necessário para a fabricação de nossa própria mente na avaliação dos supostos perigos que tal superstição condena como "imoral":

É evidente que um homem com uma visão científica sobre a vida não pode deixar-se intimidar por textos das Escrituras ou pelo ensinamento da Igreja. Ele não vai se contentar em dizer "tal e tal ato é pecaminoso, e fim de papo". Ele vai perguntar se isto provoca algum dano ou se, pelo contrário, a crença de que é pecaminoso é o que faz mal. E ele vai achar que, especialmente no que diz respeito a sexo, nossa moralidade atual concorda em grande parte que a origem é puramente supersticiosa. Ele vai notar também que esta superstição, como a dos astecas, envolve crueldade desnecessária, e seria varrida se as pessoas agissem por sentimentos de bondade para com os seus vizinhos. Mas os defensores da moralidade tradicional raramente são pessoas com corações quentes... Somos tentados a pensar que eles valorizam a moral para proporcionar uma saída legítima ao seu desejo de infligir dor; o pecador é um bom alvo, e, portanto, nada de tolerância!

Notável considerar que essa advertência de Russell vem duas décadas antes desses mesmos defensores sem coração da chamada moralidade enviarem o pioneiro da computação Alan Turing, um dos espíritos mais magníficos e significativos da humanidade, para a sepultura e quase um século antes da igualdade do amor triunfar sobre o DOMA (Defense of Marriage Act – lei federal dos EUA que definia o casamento como a união entre um homem e uma mulher). Muitas décadas depois, Oliver Sacks comentava em sua autobiografia que o "sexo é uma dessas áreas – como religião e política – onde as pessoas de outra forma decentes e racionais podem ter sentimentos irracionais, intensos”. De fato, Russell aborda este assunto diretamente:

Deve-se reconhecer que, quando não envolvem crianças, as relações sexuais são uma questão puramente privada, que não diz respeito ao Estado nem aos vizinhos. Certas formas de sexo entre adultos são atualmente punidos pelo direito penal: isto é puramente supersticioso, uma vez que o assunto não afeta ninguém, exceto as partes diretamente interessadas.

Grande parte disto, ele argumenta, é tarefa da educação, algo tão urgente hoje, quando o criacionismo – o modo mais padronizado de superstição – ainda está sendo ensinado em sala de aula:

Em todas as etapas da educação a influência da superstição é desastrosa. Uma certa porcentagem das crianças tem o hábito de pensar; um dos objetivos da educação é curá-los deste hábito. Perguntas inconvenientes são respondidas com 'shiii', ou com punição.

Meio século antes de O Pequeno Livro Vermelho e antes de Italo Calvino ter concluído seu caso apaixonado pelos direitos reprodutivos, Russell aponta sempre elegante a "moralidade" misógina defendida pela igreja:

Na puberdade, deveriam ser ensinados os elementos de uma moral sexual livre de superstições. Meninos e meninas devem ser ensinados que as relações sexuais se justificam apenas quando houver inclinação mútua. Isto é contrário aos ensinamentos da Igreja, que afirma que, desde que as partes sejam casadas e que o homem deseje outro filho, a relação sexual é justificada por maior que seja a relutância da esposa. Meninos e meninas devem ser ensinados a respeitar a liberdade de cada um; eles devem entender que nada dá direitos a um ser humano sobre outro, e que o ciúme e a possessividade podem matar o amor. Eles devem ser ensinados que trazer outro ser humano ao mundo é um assunto muito sério, apenas quando a criança tiver uma perspectiva razoável de saúde, bom ambiente, e atenção dos pais. Mas eles também devem ser ensinados métodos de controle de natalidade, de modo a garantir que as crianças só venham quando elas forem esperadas.
Ilustração de Maurice Sendak para ‘Open House for Butterflies’ de Ruth Krauss. Clique na imagem para saber mais (em inglês).
Voltando à relação entre moralidade e os dois pilares da boa vida, Russell – antecipando por várias décadas a famosa proclamação de Martin Luther King que "a injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar" –, escreve :

Regras morais não devem tornar impossível a felicidade instintiva.
[...]
 A boa vida, como dissemos, é uma vida inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento ... [Mas], em tudo o que diferencia uma vida boa e uma ruim, o mundo é uma unidade, e o homem que pretende viver de forma independente é um parasita consciente ou inconsciente.
[...]
Para viver uma boa vida no sentido mais completo um homem deve ter uma boa educação, amigos, amor, filhos (se ele os desejar), uma renda suficiente para que não falte o básico e para evitar a ansiedade, boa saúde e um trabalho que não seja desinteressante. Todas essas coisas, em diferentes graus, dependem da comunidade, e são ajudados ou prejudicado por acontecimentos políticos. A boa vida deve ser vivida em uma boa sociedade, e não, isso não é possível de outra maneira.



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*Clique aqui para ler o artigo original: Brain Pickings.

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Encruzilhada entre Obrigação e Propósito


"Obrigação é como as outras pessoas querem que nós vivamos nossas vidas... Escolher o Propósito é a melhor coisa que podemos fazer com nossas vidas."

por Maria Popova/Brain Pickings* 
tradução: Leonardo André

"Será que o que se passa pelo lado interno pode ser visto pelo lado externo?", o jovem Vincent van Gogh desabafava em uma carta comovente a seu irmão enquanto lutava para encontrar o seu propósito na vida. "Alguém possui uma chama em sua alma e ninguém nunca se aproxima para se aquecer, as pessoas passam e não veem nada além de fumaça no topo da chaminé". Um século mais tarde, Joseph Campbell jogou lenha na fogueira da alma com seu tratado fundacional em busca pela felicidade. E ainda hoje, inúmeras almas crescem pálidas e enclausuradas ao redor do mundo sucumbindo à tendência humana de escolher o que devem fazer para ganhar a vida ao invés de buscarem aquilo que simplesmente desejam fazer para se sentirem vivos.

Como transformar essa chama interior e invisível em combustível para aquecer a alma é o que a artista e designer Elle Luna explora em ensaio-que-virou-livro. The Crossroads of Should and Must: Find and Follow Your Passion (algo como A Encruzilhada entre Obrigação e Propósito: Encontrar e Seguir a sua Paixão, sem versão em português) – um inteligente e empolgante manifesto ilustrado que começa onde Campbell parou, no espírito do empolgante guia de Parker Palmer para deixar sua vida falar e o ensaio-visual-que-virou-discurso-de-formatura de Debbie Millman sobre coragem e vida criativa.

Distinguindo entre um emprego ("algo feito tipicamente das 8h às 18h em troca de salário”), uma carreira ("um sistema de avanços e promoções ao longo do tempo, onde as recompensas são utilizadas para otimizar o comportamento"), e uma vocação ("algo que nos sentimos compelidos a fazer, independentemente da fama ou fortuna "), Luna relata o momento crucial em sua própria vida quando se viu incapaz de discernir qual era o caso dela. Como novata em uma Startup promissora, ela estava trabalhando incansavelmente em um produto em que ela acreditava profundamente e, ainda assim, se sentia desorientadamente insatisfeita. Ela encontrou-se diante de uma encruzilhada reveladora: a encruzilhada entre Obrigação e Propósito.

Luna escreve:

Obrigação é ​​como as outras pessoas querem que nós vivamos nossas vidas. É todas as expectativas que os outros jogam em cima de nós.
Às vezes, Obrigações são bobagens, aparentemente inócuas, e facilmente acomodadas. "Você deveria ouvir essa canção", por exemplo. Em outras ocasiões, Obrigações são sistemas altamente influentes de pensamento que pressionam e, de forma mais destrutiva, coagem-nos a viver uma vida estranha a nós mesmos.



Ecoando a famosa advertência de Eleanor Roosevelt – "Quando você adota as normas e os valores de outra pessoa... você entrega sua própria integridade", escreveu a mais antiga Primeira Dama ao considerar a conformidade e o segredo da felicidade, "[e] se torna, na medida de sua rendição, menos que um ser humano" – Luna acrescenta:

Quando se escolhe Obrigação, estamos escolhendo viver a nossa vida para alguém ou algo diferente de nós mesmos. A viagem da Obrigação pode ser mais fácil, as recompensas podem parecem claras, e as opções são muitas vezes abundantes.

Ela oferece um contraponto:

Propósito é ​​diferente. Propósito é ​​o que somos, o que acreditamos e o que fazemos quando estamos sozinhos com o nosso mais verdadeiro, mais autêntico eu. É o que nos toca mais profundamente. São nossas convicções, nossas paixões, nossos mais profundos anseios e desejos retidos – inevitável, incontestável e inexplicável. Ao contrário da Obrigação, o Propósito não aceita compromissos.

Propósito é ​​quando paramos de nos conformarmos aos ideais de outras pessoas e nos conectamos com nós mesmos – e isso nos permite cultivar nosso pleno potencial como indivíduos. Escolher o Propósito é ​​dizer sim ao trabalho duro e esforço constante, é dizer sim a uma viagem sem mapas ou garantias, e ao fazê-lo, dizemos sim ao que Joseph Campbell chamou de "a experiência de estar vivo, de modo que nossas experiências de vida no plano puramente físico terá ressonância dentro do nosso ser mais íntimo e da realidade, de modo que realmente sentimos o êxtase de estarmos vivos”.

Escolher o Propósito é a melhor coisa que podemos fazer com nossas vidas.

E apesar de tão simples quanto a elegante prosa de Luna faz parecer, qualquer pessoa que tenha vivido esta encruzilhada irá atestar que não é nada fácil; a estrada está cheia de escolhas difíceis. Luna considera a relação osmótica entre Obrigação e Propósito, mesmo quando separamos um do outro:

Se você quiser conhecer o Propósito, tem que conhecer a Obrigação. Este é um trabalho árduo. Um trabalho realmente difícil. Inconscientemente nos aprisionamos para evitar os nossos medos mais primários. Nós escolhemos a Obrigação porque escolher o Propósito é aterrorizante, incompreensível. Nossa prisão é construída a partir de uma vida inteira de Obrigações, o mundo das escolhas que nós involuntariamente aceitamos, as barreiras que nos alienam de nosso mais verdadeiro, mais autênticos eu. A Obrigação é como a porta de entrada do Propósito. E assim como você cria a sua prisão, você pode conquistar sua liberdade.

Uma das formas mais comuns de nos aprisionarmos a nós mesmos é comparando-nos aos outros e, ao nos vermos em situação inferior, arrumamos desculpas – circunstâncias que achamos injustas, pessoas que acreditamos serem responsáveis ​​por tais circunstâncias, ou algum elemento abstrato do destino que pensamos ser alguma sacanagem. O problema da autossabotagem é que muitas vezes acabamos por julgar as nossas circunstâncias em comparação aos resultados alcançados por outras pessoas, esquecendo que o trabalho duro e as escolhas difíceis são os agentes de transformação entre circunstâncias e resultados.

Joseph Brodsky captou isso com precisão no maior discurso de formatura de todos os tempos, advertindo: "Um dedo apontado é a marca de uma vítima... Não importa o quão abominável sua condição possa ser, tente não culpar nada e nem ninguém: a História, o Estado, os superiores, a raça, os pais, a fase da lua, a infância, o controle esfincteriano, etc. O menu é vasto e tedioso, e essa vastidão, assim como o tédio, por si só deveriam ser ofensivos o suficiente para ajustar a inteligência contra essa escolha. No momento em que você coloca a culpa em algum lugar, você fragiliza a sua vontade de mudar qualquer coisa".

Luna aponta esta tendência perigosa que ela considera a origem da Obrigação:

Quantas vezes colocamos a culpa em outra pessoa, no trabalho, ou em alguma situação quando o problema real, a dor real, está dentro de nós? E vamos embora, irritados, frustrados, tristes e, inconscientemente, carregando a mesma Obrigação para um novo contexto – para o próximo relacionamento, para o próximo trabalho, para a próxima amizade – esperando resultados diferentes.

Como reconhecer a Obrigação da maneira mais íntima possível, para que possamos começar a seguir em direção a resultados diferentes, mirando o Propósito, é o que Luna examina no restante de A Encruzilhada entre Obrigação e Propósito. Nesta maravilhosa entrevista para o programa Design Matters com uma de suas heroínas e maiores influências criativas, Debbie Millman, Luna discute como o livro surgiu, a viagem incomum que o originou, e por que gerou tanta repercussão – muito além de suas expectativas – com tantas pessoas em tantas esferas da vida:


Propósito é ​​fantástico, e o Propósito é ​​apenas o outro lado da Obrigação. Obrigação é este mundo de expectativas – é como uma força camuflada. Isso é uma das coisas mais difíceis da Obrigação – é o tipo de influência que age quando você não está olhando. É o caminho mais fácil – é essa força invisível movendo-se contra nós [e] muitas vezes desde muito cedo na vida. Pode partir do momento em que nascemos, da sociedade ou a comunidade em que nascemos, do corpo em que nascemos... pode partir de um monte de situações diferentes que ocorrem no início da vida [que] realmente determinam essa trajetória... e, muitas vezes, nos faz correr uma corrida diferente da que tínhamos a intenção de correr.
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*Clique aqui para ler o artigo original: Brain Pickings.

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domingo, 29 de novembro de 2015

Entrevista com Noam Chomsky (maio de 2015)

A seguir, entrevista com Noam Chomsky para a RTP, Portugal, Maio de 2015. 

Para quem não o conhece, a Wikipédia sugere uma boa apresentação: Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como "o pai da linguística moderna",também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica (https://pt.wikipedia.org/wiki/Noam_Chomsky).

Nesta entrevista ele fala sobre a política de Obama, a crise nos países da Europa e sobre o Estados Islamico, dentre outras coisas. 

Continuamos celebrando olhares alternativos. Agora já são 10 anos!




Ainda sobre o tema: O horror, a humanidade

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

16 Sinais de que você é um escravo da Matrix

Sigmund Fraud: Waking Times
Tradução: Leonardo André





O mundo de hoje é um lugar estranho. Somos inundados com sinais desde muito cedo na vida, encorajando cada um de nós a trilhar um caminho particular, que obscurecem nossa visão ao longo do caminho, nos desencorajando a procurar alternativas para aquilo que o rebanho está fazendo ou pensando. A vida é tão complexa que ao longo do tempo, se prestarmos atenção, percebemos que há infinitas possibilidades para a experiência humana, e que o mundo está em chamas porque os indivíduos raramente questionam a razão das coisas serem do jeito que são, sem notar que a sua mentalidade ou comportamento precisa de ajustes em favor de mais inteligência, bom senso ou padrões sustentáveis ​​de existência.

Sem pretender ser abertamente crítico às escolhas de estilo de vida de qualquer pessoa ou situação pessoal, os 16 sinais listados abaixo de que você é um escravo da matrix são destinados exclusivamente como uma abordagem observacional para ajudá-lo a identificar as áreas de sua vida onde você pode estar perdendo uma oportunidade para libertar-se do projeto autodestrutivo de outra pessoa para sua vida.

Fique à vontade de acrescentar qualquer coisa que você gostaria de adicionar à lista nos comentários.

1. Você paga impostos para pessoas que você gostaria de ver trancadas na cadeia. Este é talvez o maior indicador de que somos escravos da matrix. A noção tradicional de escravidão evoca imagens de pessoas nos grilhões forçados a trabalhar nas plantações para sustentar fazendeiros ricos. A versão moderna disto é a taxação obrigatória, onde os nossos rendimentos são automaticamente descontados na fonte, independentemente de aprovarmos a forma como o dinheiro é gasto.

2. Você vai ao médico, mas continua doente. A assistência médica moderna, com todo o progresso científico, tem infelizmente se tornado assistência aos doentes, em que raramente somos aconselhados a comer bem e atentar para a nossa saúde física e mental e, ao invés disso, somos rotineiramente aconselhados a consumir medicamentos e procedimentos caros que nos são empurrados visando o lucro da assistência médica da matrix.

3. Você escolheu os democratas ou os republicanos e se pôs a discutir com os seus amigos, familiares e colegas de trabalho sobre política. Esta é a estratégia de dividir para conquistar e controlar em nossa sociedade. Ambos os principais partidos são corruptos por completo, e os candidatos independentes não estão sequer autorizados a participar de debates públicos. Crendo em uma dessas duas partes e queimando a sua energia pessoal discutindo com outras pessoas comuns você está entregando sua alma a matrix, e fazendo sua parte para garantir que "nós, o povo” nunca se una contra a corrupção.

4. Você trabalha duro em algo que você odeia para ganhar dinheiro. O trabalho é importante e o dinheiro serve para pagar as contas, no entanto, muitas pessoas perdem os melhores anos de suas vidas fazendo coisas que odeiam, apenas por dinheiro. A verdade sobre o dinheiro hoje é que não temos dinheiro, mas ao invés disso, temos uma moeda fiduciária que é de propriedade privada e de valor manipulado. Como ainda é necessário para sobreviver neste mundo, é melhor que você valorize seu tempo fazendo algo que você gosta ou trabalhando com pessoas que você não despreze. Viver com pouco dinheiro é mais fácil do que você pode acreditar, você apenas tem que estar disposto a ir contra a corrente e perceber isso.

5. Você está propenso a acumular uma dívida pessoal para financiar um estilo de vida orientada para o consumo. Cada vez que um cartão de crédito é passado cria-se dígitos sobre os balanços dos bancos que estão envolvidos com a pilhagem financeira do mundo de hoje. Esses dígitos são então multiplicados eletronicamente pelo sistema de reservas fracionárias, que aumenta exponencialmente o poder destas instituições. Ao participar disto e concordar em devolver esse dinheiro falso com juros, a fim de manter um certo estilo de vida, é um forte indício de que você é compelido por um dos principais dogmas da matrix - o consumismo.

6. Você conversa com pessoas reais sobre os acontecimentos em curso em programas de TV. A TV é a ferramenta mais potente para o controle da mente e a "programação" que está disponível, embora certamente legal ou divertida é voltada para reforçar determinados comportamentos entre as massas. Dramatizar a importância do ego, sexualizar tudo, glorificar a violência e ensinar a submissão às autoridades de araque são as principais características da TV moderna. Ao tomar o que está acontecendo na tela como parte de sua vida real, você está fazendo a sua parte em apoiar o desejo da matrix de nos confundir sobre a natureza da realidade, provando que algo não precisa acontecer de fato para as pessoas senti-lo como se fosse real.

7. Você não tem nada a esconder da vigilância total. Se você não se incomoda que alguém, em algum lugar, trabalha para alguém que está assistindo você, ouvindo suas conversas e monitorando seus movimentos, então, você é um bom escravo da matrix. Vigilância invisível é uma forma insidiosa de controle do pensamento, e usando a lógica do “eu não tenho nada a esconder, portanto, ele não vai me fazer dano algum ao me vigiar”, então você está admitindo sem pensar que você tem um mestre terrestre e não é soberano quanto a sua mente e seu corpo.

8. Você acha que o mundo seria mais seguro se apenas os governos tivessem armas. Este é um mundo violento e os criminosos se envolvem na criminalidade contra pessoas honestas em todos os níveis da sociedade, inclusive de dentro do governo. Claro, em um mundo perfeito, as armas não seriam necessárias para ninguém, mas, infelizmente, o nosso mundo está longe de ser perfeito, e as armas de fogo são de fato uma forma muito eficaz de proteção contra criminosos comuns e contra os governos abusivos igualmente. A vontade de renunciar a seu direito de autodefesa é um sinal de que você relegou responsabilidade pessoal para outra pessoa. Tendo as massas abdicado da responsabilidade pessoal é um dos meios mais importantes de controlá-los. Bem-vindo à matrix.

9. Você bebe água fluoretada com conhecimento de causa. De todos os debates de saúde que ocorrem hoje, o tema da água fluoretada é o mais fácil de entender, pois é um subproduto tóxico de um processo industrial... veneno. A água é fluoretada supostamente para ajudar na saúde dental, o que já é discutível em si, mas mesmo se assim fosse, a fluoretação involuntária da água da rede pública seria uma medicação sem o seu consentimento... uma forma de escravidão. Sabendo disso e continuar a beber água fluoretada é um sinal de que você está contente com a sua submissão total à matrix.

10. Você conscientemente consume venenos tóxicos como o aspartame e GMS (Glutamato Monossódico). Estes dois produtos químicos são amplamente conhecidos como sendo tóxico para o corpo humano. Sabendo disso e continuar a envenenar-se com esses saborosos, mas altamente tóxicos, alimentos processados ​​é um sinal de que a matrix tem programado você a colocar menos valor em sua saúde e futuro do que em sua satisfação imediata.

11. Você depende do complexo industrial farmacêutico para a gestão da sua própria saúde mental. O uso de medicamentos psicotrópicos está aumentando rapidamente em nossa sociedade, porque as pessoas foram convencidas de que os estados mentais e emocionais podem ser classificados como doenças, enquanto a verdade sobre a saúde mental natural tem sido ofuscada pela mídia corporativa e por uma classe médica que visam apenas o lucro. Se você está tomando medicamentos psicotrópicos, então você está sob uma das formas mais potentes de controle da mente disponível. Parte deste controle é convencê-lo de que você não tem nenhuma autoridade sobre sua própria mente. Esta é talvez a mais terrível mentira da matrix, e ao tomar voluntariamente estes medicamentos psicotrópicos você está em conformidade com o pior tipo de escravidão, e inibindo as suas respostas mentais e emocionais naturais decorrentes das pressões da vida que sinalizam para você que você precisa mudar comportamentos e hábitos.

12. Você ainda não parou de assistir a programação de notícias local e nacional. A grande mídia de notícias é uma ferramenta de controle e manipulação, e por continuar apoiando tais ideias e visões de mundo, dando-lhes a sua atenção você está entregando-se a esta forma não tão sutil de programação mental. Mesmo a notícia local é roteirizada em nível nacional por agentes de um punhado de corporações com a tarefa de moldar nossas opiniões sobre os eventos.

13. Você está mais preocupado com os esportes televisionados ou outras distrações sem sentido do que com a qualidade do seu meio ambiente natural. A Deepwater Horizon, Alberta Tar Sands, a ascensão de Fracking, o sacrifício da Amazônia, e Fukushima são todos os eventos impactantes para a vida que irão afetar gravemente nosso futuro no planeta Terra. Estar despreocupado com tudo isso sintonizando um fluxo interminável de notícias banais e levando a vida à base de distrações baratas é um sinal de que seu senso de autopreservação foi roubado e substituído por uma tendência impulsiva para trivialidade e escapismo.

14. Você é cético em relação a qualquer área da vida que não tenha sido "comprovada" ou validada pela ciência moderna. A própria essência da ciência é investigar o desconhecido, o que implica que, até a ciência entender alguma coisa, essa coisa é inexplicável. Desacreditar ou ridicularizar experiências que outras pessoas têm, que ainda escapam à compreensão científica, como experiências de quase-morte, acupuntura ou os efeitos da Ayahuasca sobre a percepção da vida, então você está servilmente reduzindo sua compreensão do mundo a uma estreita faixa de possibilidades. A matrix é possível graças aos esforços de zeladores voluntários relutantes a pensar fora da caixa.

15. Você nunca questionou a versão popularizada da história antiga e as origens da nossa civilização. Há muitas perguntas não respondidas sobre as origens da raça humana que apontam para uma versão diferente da história humana que é ensinada na escola. Por não questionar o que nos foi dito sobre a nossa origem, estamos concordando com muitos dos sistemas de crenças impostas e a estreita visão sobre o potencial humano que a matrix promove.

16. Você ainda não percebeu que você é um ser espiritual vivendo uma experiência humana.



Se você pode se relacionar com qualquer um dos itens na lista, então a matrix está em você, e agora é seu dever envolver-se mais profundamente quanto à sua libertação. 


Sobre o autor

Sigmund Fraude é um sobrevivente da psiquiatria moderna e um ativista mental dedicado. Ele é parte da equipe que escreve para WakingTimes.com onde ele se dedica à possibilidade de uma grande mudança em direção a um futuro mais psicologicamente consciente para a humanidade.


Original: http://www.wakingtimes.com/2014/04/28/16-signs-youre-slave-matrix/



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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Arte e argumento nos protege, a censura não

Os críticos do Charlie Hebdo que dizem que é irresponsável ofender a religião estão errados, argumenta Terri Murray.


- Por Terri Murray*/Charlie Hebdo - Set/15
- Traduzido por Leonardo André



Em maio, a equipe editorial do Charlie Hebdo – oito dos quais foram assassinados no início do ano – foi rejeitada por mais de 200 autores norte-americanos proeminentes. Depois de emitir observações superficiais sobre a validade de se proteger a liberdade de expressão, os escritores passaram a explicar por que eles estavam boicotando um evento de gala oferecido pela PEN, organização pela liberdade de expressão, destinada a homenagear a revista. Os escritores caracterizaram a crítica rude de Charlie Hebdo sobre a religião e de suas principais figuras como "gratuita", o que implica que tais tolices infantis não servem para fins sociais vitais.

A alegação deles, no entanto, é baseada em premissas equivocadas sobre a natureza da infração, particularmente quando se trata de grupos minoritários na sociedade. Em primeiro lugar, os grupos religiosos não são homogêneos em suas crenças, práticas ou sentimentos. A mesma visão ou imagem que pode ser experimentada por um membro de uma comunidade religiosa como profundamente ofensiva, para outro pode ser catártica, libertadora ou profundamente salvadora. Pensar o contrário é generalizar sobre todos os membros de uma cultura religiosa.

Para assumir que todos os muçulmanos serão tão ou quase tão "ofendidos" por certa charge, piada ou categoria de discurso é basear-se na teoria ingênua de que só há uma maneira de ser muçulmano. Poucos muçulmanos têm suas identidades definidas apenas pela sua religião, assim como as identidades de apenas alguns ateus são definidas unicamente pela falta de crença em Deus.

Censurar insultos religiosos não irá proteger uma cultura minoritária de culturas externas assim como impedirá a livre escolha dentro dessas culturas menores suprimindo a diversidade de opiniões internas. Se adotarmos uma proibição irrestrita a toda "ofensa religiosa" é difícil ver como os muçulmanos liberais ou pluralistas, então, viriam a exercer o seu direito de criticar islâmicos autoritários que, de outra forma, obrigariam todos os muçulmanos a estarem em conformidade com as leis fundamentalistas e "respeitar" (ou seja, obedecer) seus tabus. A liberdade de expressão beneficia todos os tipos de muçulmanos, enquanto que a censura só beneficiaria os extremistas.

Muçulmanos como grupo são, por vezes, vistos como "terroristas", difamando aqueles que não são, mas uma lei que encubra ofensas - ou tabus - não protegeria esta maioria moderada. Eles já são robustamente protegidos dentro de estados seculares, onde a liberdade de expressão é rigorosa. Por definição, apenas o intolerante poderia desejar o uso da violência ou da coerção legal para suprimir a crítica pública de suas crenças. O resto de nós – incluindo muitos muçulmanos – utilizam argumento, arte, comédia e sátira para demonstrar nosso ponto de vista e desafiar nossos oponentes. A proibição permanente da liberdade de expressão não é um preço que vale a pena ser pago em troca de proteção contra o desconforto temporário de palavras insultuosas.

Chegamos ao cerne da questão: a religião pouco tem se relacionado com crenças particulares e convicções pessoais. Com demasiada frequência, tem se ocupado com os outros e como eles devem viver. Religiosos moderados por definição não se ofendem com discordância e crítica, porque não exigem que os outros concordem com eles ou vivam de acordo com modo de vida escolhido por eles.

A religião raramente tem se limitado a crenças particulares de cada indivíduo e as escolhas da vida, e é por isso que deve permanecer aberta ao escrutínio público e ao ridículo. Onde é permitido, ideologias religiosas intolerantes ditam tabus sociais e definem comportamentos inofensivos como "imorais". Este é o caso em muitas sociedades e culturas ao redor do globo.

É por isso que não posso concordar com os críticos do Charlie Hebdo que pensam que ofender a religião é um jogo infantil "irresponsável". As mesmas liberdades que hoje são concedidas a estes adultos encerrados em seu meio social ocidental (tanto que eles estão preparados para jogá-los fora sem pensar duas vezes) foram conquistados para eles por mártires "infantis" que pagaram por eles com suas vidas.

Liberalismo político baseia-se na crença de que nenhum ser humano é infalível, portanto, nenhum está em posição para censurar a livre expressão de qualquer ideia, não importa o quão ofensivo ou impopular seja. Isso configura um padrão único para todos, de modo que as ideias possam ser "testadas" contra os méritos de outros pontos de vista. 

Esta não é uma "ideologia ocidental", mas um quadro justo em que qualquer ideologia pode ser livremente discutida e perseguida, bem como criticada e rejeitada. Em contrapartida, censurar a dissidência impede o debate e limita as oportunidades de aprender com novas evidências, admitindo apenas a retidão pessoal e a estagnação cultural. O "respeito" que acumula para o status quo é mais semelhante a temer do que a estimar. As crenças dominantes não são realizadas porque eles ganharam a competição com alternativas, mas porque as alternativas foram silenciadas.


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Dr. Terri Murray é um ensaísta, autor, católico "reabilitado" e defensor dedicado à liberdade de expressão.


Este artigo foi trazido a você por New Humanist, uma revista trimestral de idéias, ciência e cultura.


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