sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Alienação

Por Leonardo André
.
Ficar-aqui-pensando nas coisas da vida às vezes é complicado. Hoje, por exemplo, eu estava-aqui-pensando sobre o trabalho alienado.
.
Vejam a que conclusão eu cheguei sobre tal assunto (mais uma conclusão entre tantas outras...):
.
Ora, se eu me dedico a um trabalho que eu gosto, logo, estarei envolvido em uma atmosfera que me agrada. Conhecerei pessoas que também se dedicam ao que gostam e, por conseguinte, por se tratar de gostos iguais aos meus, serão pessoas as quais eu gostarei. Então, serei feliz por trabalhar naquilo que gosto, pois eu sou EU na atividade que eu exerço, nesse harmonioso ambiente.
.
Por outro lado, se eu me dedico a um trabalho que eu não gosto (por causa de grana, por exemplo), logo, farei parte de um mundo alheio ao meu. Conhecerei pessoas que não gostam das mesmas coisas que eu gosto e, como não poderia ser diferente, serão pessoas que eu (como poderia dizer isso sem ofender ninguém!?...) digamos, que eu gosto menos, ou pouco. Ou melhor, que eu não teria como compartilhar minhas experiências pessoais, “enquanto experiências de fato realizadoras do meu próprio EU”.
.
Nesse caso, então, não poderia dizer que sou feliz, pois realizo uma atividade que não faz parte de mim. Quer dizer, eu não seria EU nessa hipotética atividade forçada.

Só pra citar, Marx diria que o trabalho pode: 1) alienar a natureza do homem e 2) alienar o homem de si mesmo. No primeiro caso, isso se daria pelo fato do homem produzir algo alheio a sua própria natureza e, no segundo, exatamente por trabalhar em meio a atividades e pessoas que não tem nada a ver com ele. Com o passar do tempo esse sujeito acaba se acostumando a tal situação e “esquece” quem É realmente.

Que desgraça, hein! Das conseqüências dessa alienação sobre as relações inter-pessoais nem preciso falar nada, não é mesmo? Como diria o filósofo João (um colega da empresa em que trabalho): “O amor é lindo, o que mata é a falsidade!”. – Aplausos à sabedoria popular!

___________


Ah, dica cinematográfica: assista Matrix, e também Edukators
***

2 comentários:

Anônimo disse...

OI.. CONCORDO SOBRE FAZER O Q GOSTA... C/ QUEM SE GOSTA... MAS, AO CONHECER PESSOAS DIFERENTES... NÃO É ISSO O LEGAL DO TRABALHO, ABRIR PORTAS PARA O DIFERENTE?

ADOREI O TEXTO.
BJS
JAMILE

Claudiana disse...

Hum... ao falar em alienação, presupõe-se um julgador, no caso, baseado na teoria marxista. Mas sempre me pergunto, quem sou eu pra dizer que o outro é alienado? Qdo fazemos isso nos hierarquizamos, isso acho complicado... Já que estamos nos sociólogos, fico com Weber, para ele, diferente de Durkheim não compete a ciência dizer como uma sociedade deve se comportar e, contrapondo-se a Marx, nenhuma ciência é capaz de prever o futuro da humanidade.
Abraços sempre bom ler o blog!