sexta-feira, 25 de maio de 2007

Estado é o caraio, meu nome é Mercado

Leviatã gosta de Shopping
Marx já dizia que o Estado serve aos interesses da classe dominante. Classe dominante, vulgo elite. A elite é quem tem grana, seja o capitalista ou o burocrata. Capital e Estado estão sempre lado a lado, não há dúvida. A ética burocrática dos cargos públicos, principalmente os de alto escalão, têm ganhado notoriedade pelos altos lucros que proporciona. Seja legalmente, através dos altos salários (auto-atribuídos) ou pela pura e simples maracutaia. E não se engane, desde que a burguesia liquidou o feudalismo têm sido assim, as vezes mais descarademente, como no Brasil, outras vezes menos, como sei lá onde.
Os comédia
Até meados do século passado essa situação levou os terráqueos à duas Guerras Mundiais. Delas resultaram, entre tantas coisas, a tal guerra fria, a corrida armamentista e alianças políticas das mais inusitadas como EUA e Osama Bin Laden, EUA e Saddam Russein... coisas difíceis de acreditar hoje em dia. Tudo isso porque o campo político era a arena das disputas. Porém, com o fortalecimento do neoliberalismo o Mercado (ou, se preferir, a tal livre iniciativa) deslocou as disputas para fora do Estado. A política virou um pastelão. Apesar da aparência, as decisões políticas são reflexos dos desejos do Capital definidos nas mesas de reunião das Empresas ou nas Bolsas de Valores. E o que o Capital mais deseja é ser acumulado; esse é seu espírito.
Vai vendo...
A emenda 3, por exemplo, é a realização do tão almejado sonho do Capital: a super concentração. O embate Empresas versus Trabalhadores é a mais pura sacanagem, pois o [Exército Industrial de Reserva] é a carta-na-manga com a qual as Empresas contam na hora das negociações. Ou o trabalhador aceita a exploração ou vai vender chocolate dentro de ônibus.
Novela
O que eu quero dizer é que cada dia mais Esquerda e Direita tornam-se apenas retóricas, discursos para o horário político; enredo pra novela político-eleitoral. Na realidade, a política não existe mais nesse formato. Novos tempos, novos modelos de disputa. Os representantes não representam mais ninguém, visto que têm seus próprios negócios pra cuidar. Cada um por si. Eu me represento, tu se representas, ele se representa...

Então, se liga na missão

Se as decisões estão cada dia mais nas mãos do Capital, ou Mercado, ou Livre Iniciativa, ou seja qual nome se dê pra isso, o embate deve ser no mesmo nível. Se, é essa instituição humana de caráter mercadológico que manda em nossas vidas, é contra ela que devemos nos voltar quando sentirmos que estamos em desvantagem. A propaganda, o marketing, a publicidade: mecanismo criador e divulgador das ilusões que mantêm o Mercado vivo. A mídia, através de variados suportes – jornais, revistas, televisão, rádio, internet – funciona a partir da lógica do lucro e do espírito do capitalismo. Pra resumir a história, se você quer [fuder com o capitalista], reduza o consumo, evite os supérfluos, acabe com desperdício, não se renda aos apelos do marketing.
Qual é a procedência?
Pense duas vezes antes de gastar seu dinheiro (se é que você ainda tem isso...), saiba quem você está beneficiando através do seu consumo. Será que vale mesmo a pena dar dinheiro à alguém que paga salários de merda ou que terceiriza o máximo possível?

De que me adianta?

Além disso, vale lembrar que quanto maior a ilusão que um produto gera maior a desilusão de não poder adquiri-lo. Ninguém pode sentir-se derrotado por não possuir algo do qual não necessite, mesmo que os meios de comunicação insistam em dizer que esse algo seja necessário.
.
.
.
Agora, vale lembrar, conte com você e boa sorte.
***

Nenhum comentário: