sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Grãos de areia no deserto (do real)



O que leva Alexandre Delijaicov a trocar o carro por um bicicleta? Num passeio pelo site da revista Piauí, encontrei uma belíssima matéria a respeito deste professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, que se locomove pelas ruas da magalópole com a sua magrela cheia de estilo. Delijaicov é quem diz:

“A frota paulistana de cinco milhões de automóveis está nas mãos de uma minoria”. [...] “São eles que alimentam esse poder mesquinho e deixam resignada a maior parte da população. Olhe bem quem faz fila dupla na porta das escolas, sentadas em carros blindados: são pessoas acima do peso, que deveriam estar numa academia.”
Em São Paulo uma atitude como essa, contrariando a memorável tendência de países europeus como França e Holanda, é tida como loucura. Um dos vizinhos do professor certa vez disse à sua esposa:

“Fala para o seu marido que não fica bem um professor da USP ir trabalhar de bicicleta”.

Segue mais um trecho da matéria:

“Muitos me acham um louco ou um romântico, com um pensamento típico dos séculos XVIII e XIX.” Pelas demandas da tese, Delijaicov passou quinze anos visitando a Holanda periodicamente. Lá, aprendeu muito sobre o ciclismo urbano. Sobre o funcionamento prático do que chama “trilhos urbanos”, sistema que prevê a integração de diferentes meios de transporte e o incentivo público a todos eles, em detrimento do automóvel.

Felizmente para nossa cidade, embora não goste de ser visto como um ciclista militante, Delijaicov está envolvido em trabalhos de extensão, na própria faculdade, para o estudo e a viabilidade de ciclovias urbanas.


Eis um exemplo do tipo de informação que gostamos de colar nesse blog, por levantar reflexões sobre nosso cotidiano aparentemente condenado, porém, sempre aberto a novas experiências.

________

Leia a bela matéria de Maria da Paz Trefaut: Movido a energia 100% humana

***

Nenhum comentário: