terça-feira, 11 de setembro de 2007

Amsterdam, simplesmente encantadora

por Roberto Tristão*



Quando ouvia falar em Amsterdam era sempre a mesma coisa: os famosos coffeeshops e o Red Light District, onde as prostitutas ficam expostas em vitrines. Mas quando temos a oportunidade real de conhecer um lugar, caminhar por ele e registrar os mais discretos e ricos detalhes, é que compreendemos porque uma cidade pode ser tão especial.

A cidade de Amsterdam tem inúmeras atrações culturais como, por exemplo, os famosos museus van Gogh, Rijksmuseum e casa do Rambrandt, mas outra atividade muito simples e barata pode se mostrar mais fascinante e reveladora do que a visitação desses espaços.



Eu não tinha muito tempo para conhecer a cidade e muito menos dinheiro de sobra para visitar esses inúmeros pontos turísticos que são caríssimos (entre 10 e 15 euros), então decidi alugar uma bicicleta para rodar o máximo possível pelas ruas e, de certa forma, fazer parte da rotina da população local que tem na bicicleta seu principal meio de locomoção.

As ruas são praticamente todas preparadas para o constante trânsito das bicicletas, e a população local convive muito bem com isso. No trânsito, as pessoas respeitam os ciclistas e a polícia é preparada para instruir e controlar não só os turistas desavisados como também os acostumados moradores. Todos os locais públicos em Amsterdam possuem espaços reservados para os ciclistas estacionarem suas “magrelas”, na verdade, na cidade inteira é possível encontrar esses espaços. E caminhando é comum encontrar pelas ruas bicicletas esquecidas e depenadas. A mística que ouvimos que na Europa o povo é civilizado ao extremo, que não joga lixo na rua e que não comete delitos como roubo, é mentira... pura mentira. Toda e qualquer cidade no mundo enfrenta esse tipo de problema, umas com mais intensidade, outras com menos.

O fato é que todas as bicicletas estacionadas são trancadas com um, dois ou até três ca- deados para não serem levadas por “estra- nhos”. Antes de embarcar cheguei ao cúmulo de ouvir que ao término do período de locação da bicicleta, era possível deixá-la pela cidade, que depois eram recolhidas sem problemas. Vejam vocês que absurdo!!!! Para eu alugar uma bicicleta quase deixei minhas calças e tive que assinar termos e termos de responsabilidade. Anualmente são retiradas milhares de bicicletas dos rios que cortam a cidade.

Então quando tiverem o privilégio de conhecerem Amsterdam, cuidado quando ao estacionar sua magrela, porque se não os 7/8 euros pagos por um dia de pedalada podem se tornar um belo prejuízo e uma tremenda dor de cabeça.

Bom, fora esses pequenos detalhes, as bici- cletas, além de servirem como transporte, dão um espetáculo a parte em Amsterdam. Muitas delas são enfeitadas e estilizadas, outras possuem caçambas para carregar as compras da família ou as crianças nos passeios de final de semana. A maioria das bicicletas são adaptadas às necessidades de cada um, mas o fato é que dificilmente um morador de Amsterdam não tenha uma estacionada em frente de casa.

Fica então minha dica para quem for um dia para Amsterdam.

Alugue uma bicicleta para passear e aproveitar cada instante pedalando pelas ruelas cortadas por rios e cercada por prédios de 4 andares que aparentam estar todos caindo sobre você, fiquem atentos as “casas barco” estacionadas nas margens dos rios, nos passeios dos jovens em seus barcos pelos rios da cidade bebendo vinho e conversando entre amigos. E, é claro, não deixe de visitar os Coffeeshops e o Red Light District. Todos esses detalhes fazem parte da “minha” Amsterdam.
Encontre a sua.
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* Nosso enviado especial que conta um pouco de suas aventuras holandesas para os amigos do Pula o Muro. As fotos também foram tiradas por ele.

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