domingo, 23 de dezembro de 2007

Reflexões natalinas 2007!

Confraternização Universal?
Todo ano quando se aproxima o Natal parece que algo mágico acontece. Árvores e casas enfeitadas e Papais Noéis abundam pela cidade. Entretanto, esse espírito me intriga. Afinal, penso eu, se a data comemora o aniversário de Jesus Cristo, porque diabos a imagem mais vista por aí é do velho barbudo vestido de vermelho? Qual a relação existente entre Noel e Cristo? Isso realmente me intriga! A Igreja não é mais a mesma, perdeu muito espaço pros Shoppings. Acho que isso nos dá uma boa pista sobre a mudança de ícones natalinos, não?

Mas, acontece que minhas reflexões não param por aí. Tem também, nessa época, toda aquela conversa de confraternização universal e tal. Essa é outra questão intrigante. Confraternização, pense bem, só me parece possível em duas hipóteses. Na primeira, você realmente tem um grupo de amigos com o qual pode contar em todas as horas, o que é, de fato, muito raro. Na segunda opção, isso pode ocorrer na base da falsidade mesmo, tipo, fornecedor e cliente, patrão e empregado etc. Confraternização mesmo, de verdade, é coisa rara (universal, então, impossível...).
Ando bastante descrente da humanidade ultimamente. Eu estava pensando nisso esses dias. Veja bem, quando se fala em confraternização universal, pensa-se logo em um único mundo permeado pela igualdade, um mundo de respeito mútuo. Por outro lado, porém, existe outra idéia que tem como princípio dividir o mundo em mundo dos bons e mundo dos maus. Incluídos e excluídos, como se fossem independentes, como se um não estivesse amarrado no outro.
Agora danou-se. O mundo, então, é um só ou são vários? Somos realmente uma única e imensa família ou será que pra fazer parte dessa imensa fraternidade é necessário preencher uma série de requisitos? Questões como essa me fazem acreditar que o lance da confraternização é pura falácia, pois na prática, como já dizia Marx, o valor monetário substituiu quase todas as outras formas de o ser humano se relacionar. Portanto, ou provo que tenho valor ou então estou completamente lascado! Confraternização? Ora essas...
Não há confraternização. Não há consenso.
Assim como a confraternização universal, o consenso é outra coisa muito difícil de se conquistar. O outro costuma ser muito estranho pra nós, não? Pensei nisso outro dia, quando não pude deixar de escutar uma conversa entre o diretor e um prestador de serviços de informática da empresa em que trabalho. Falavam algo relacionado a fotografias e cartões de memória digital. Não sei bem qual era o assunto, mas ouvi o diretor dizer:
- Só da Disney(lândia) tirei umas quatrocentas fotos.
Pensei comigo:
- Quatrocentas fotos da Disneylândia!? Que merda!
Nada contra tirar quatrocentas fotos na Disneylândia, mas fiquei pensando se fosse eu que estivesse na Disneylândia no lugar dele. Logo imaginei fotos minhas sacaneando o tio Patinhas, jogando refrigerante na cabeça do Pateta, dando um empurrão no Pato Donald, um chute no traseiro do Tico (e também no do Teco, pra este não tirar onda daquele), arrancando as orelhas do Mickey ou dando uma bela encoxada na Minie. Mesmo assim, quatrocentas fotos ainda seria muito.
Pensei essas cenas todas em voz alta. Daí que uma colega do escritório ouviu e, por isso, me chamou de louco e revoltado.
Não é que eu seja revoltado (louco talvez). É que eu acho que a Disneylandia deve ser uma grande merda, ora essas. Qual o problema? Tem gente que gosta e tem gente que não gosta. E não é só porque eu imaginei tudo isso que eu vou pra lá colocar essas idéias em prática. Afinal, não sou nenhum daqueles estadunidenses neuróticos que saem por aí atirando em todo mundo. Apenas me diverti com a idéia, nada mais. Essa merda toda simplesmente não faz parte do meu estilo de vida.
Quebrando o gelo
O mais engraçado é que essa minha colega disse que o filho dela também é revoltado. Engraçado por que o filho dela não deve ter mais do que três anos de idade. E foi por isso que eu perguntei o motivo de ela o achar revoltado. Imagina, um garoto de três anos revoltado... Daí ela me disse que deu uma miniatura de Papai Noel pro garoto e falou pra ele pedir o que queria de presente no natal.
- Ele pegou o Papai Noel e deu um monte de porrada.
- Por que? – questionei.
- “Pro Papai Noel não esquecer de trazer minha bicicleta” – disse o pequeno, segundo sua mãe.
Bateu no Papai Noel e ainda pediu uma bicicleta! O que há por trás dessa atitude? Um futuro cidadão crítico questionador preocupado com a questão do consumo que optará pela bike em detrimento do carro ou um consumista inveterado capaz de passar por cima de qualquer um (inclusive do tão valorizado Noel) pra conseguir aquilo que quer?
Confraternização sem Consenso; Noel ao invés de Cristo; Presente mais valorizado que a presença... O Natal do século 21 é cada ano uma data mais intrigante...

_____

Mais sobre Natal, Noel etc:
- Ho! Ho! Ho! por Mario Persona
- Reflexões Natalinas II

- Reflexões Natalinas III

- Mensagem de Natal e Ano Novo!!!

***

Um comentário:

Diana disse...

Boas reflexões, o natal pra mim também não faz sentido depois que cresci. Acho que ele não tem mais salvação.

feliz natal.

Gostei do texto :))