quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Apagão Rodoviário?


8 dias. 295 mortos. 3146 feridos.

Não, esses não são números de uma guerra. Não estamos falando nem de Iraque, nem de Paquistão. Estamos falando de números relativos aos 4300 “acidentes” rodoviários ocorridos nos feriados de Natal e Ano Novo. Números divulgados no site da Polícia Rodoviária Federal [veja aqui].
Os estados com maior número de acidentes foram Minas Gerais (234), Santa Catarina e Rio Grande do Sul (190), Rio de Janeiro (184), São Paulo (123) e Bahia (106). Já os estados com maior volume de mortos foram Minas Gerais (14), Goiás (09), Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Maranhão (08), e Espírito Santo (07). Os estados que produziram mais feridos foram Minas Gerais (195), Rio Grande do Sul (151), Santa Catarina (138), São Paulo e Paraná (88).
Mas qual a causa de tamanho derramamento de sangue? Li na edição impressa da Folha de São Paulo de quarta-feira 02/01/08 que teve gente que levou mais de 15 horas pra vir da Praia Grande até São Paulo, percurso que leva, quando muito, 2 horas. Segundo a mesma matéria, a prefeitura de lá teve que disponibilizar ambulâncias para socorrer quem passava mal por não agüentar tanta tortura dentro do carro. Infelizmente não encontrei essa notícia na versão online do jornalão. Encontrei, porém, outras reportando que mais de 1 milhão de veículos desceram rumo ao litoral no período de festas [leia aqui] e que a volta para a capital chegava a levar até 5 horas [leia aqui]. Um amigo disse que levou 6 horas de Mongaguá até São Paulo. De qualquer forma, é muita gente na estrada e quanto mais gente maior a probabilidade de “acidentes”.
Entretanto, não pode ser só esse o motivo para tamanha tragédia. Com a elevação do número de automóveis nas estradas é bem provável que o número de motoristas irresponsáveis também aumente. Não há como negar que existe muita imprudência por parte dos motoristas. Segundo o site da Polícia Rodoviária Federal, os radares instalados em pontos estratégicos flagraram mais de 30 mil veículos desrespeitando os limites de velocidade. Etilômetros de última geração também foram fundamentais para que cerca de 260 motoristas alcoolizados fossem retirados de circulação.
Além disso, todos sabem que as nossas estradas também estão bem longe do ideal. Segundo o site do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes [leia aqui], 50% das rodovias (cerca de 26,3 mil quilômetros) estão com pavimento em boas condições. Outros 15% (7,7 mil quilômetros) estão com pavimento em situação regular, enquanto 35% (18,5 mil quilômetros) estão em más condições, necessitando de reparos a curto prazo...
Outra questão também deve ser levada em conta. Segundo JB Online, a cada dia São Paulo recebe 800 novos veículos. Só na última década, a frota da cidade aumentou 20% [leia aqui]. De acordo com dados do Departamento de Trânsito (Detran), em 1997 a cidade tinha 4,8 milhões de veículos. Hoje, são 5,9 milhões. Em 10 anos São Paulo ganhou mais 1,1 milhão de carros nas ruas. É muito carro, não? A pergunta que me faço é: será que boa parte desses carros não sai com defeitos de fábrica? Quantos “acidentes” não podem ter sido provocados por defeitos de fabricação? Segundo matéria intitulada “Caos Terrestre e o Recall” de Moriti Neto publicada na edição de novembro de 2007 da revista Caros Amigos, mais de 4 milhões de carros novos circulam pelas ruas do país com defeitos. E, pior, as montadoras muitas vezes têm conhecimento do fato e, mesmo assim, quase nunca fazem o recall. Segundo a matéria, é mais comum que essas empresas realizem o que é conhecido como recall branco. O recall branco é um boletim de informações técnicas, formado por documentos que circulam internamente em algumas montadoras e concessionárias do país, descrevendo defeitos automotivos. Dessa forma, orientam as concessionárias a consertar os carros sem, porém, tornar pública a questão através dos meios de comunicação. Essa prática é vista como crime, pois os proprietários não são notificados e, assim, utilizam o carro inconsciente dos riscos que correm.


Pois é, tanta coisa errada e quase ninguém fala. Sabe como é, né, já passou, já foi... Mas no carnaval tem mais!

O Apagão Rodoviário ninguém vê...


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Um comentário:

mãos disse...

Do Blogue do professor Carlos Serra acabei caindo aqui...não me arrependo, prometo visitar mais vezes.

Força ai...

Bom ano 2008 pra Vc

Ouri Pota