terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Parques: meio ambiente e sociabilidade.

De acordo com a Secretaria de Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo:

A cobertura vegetal da cidade corresponde a 21% de seu território, segundo dados do Atlas Ambiental de São Paulo. Sua distribuição, entretanto, é desigual. Enquanto a região Marsilac possui aproximadamente 26 mil m² por habitante, esse número é zero nas regiões como Brás e Santa Cecília. A ausência de vegetação provoca as chamadas ilhas de calor, que faz com que a temperatura em diferentes locais da cidade varie em três ou mais graus em virtude da escassez de vegetação. Os 32 parques municipais totalmente implantados correspondem a aproximadamente 15.534.197 m².”

Sobre a desigualdade, podemos fazer outras constatações. Verificando o mapa da cidade com a localizações dos parques, notamos que na região central, sul e oeste da cidade encontram-se a maioria. Na região leste da cidade – a mais populosa – estão catalogados 6 parques. É óbvio que a localização atual dos parques deve-se à forma de urbanização verificada na cidade, principalmente a partir dos anos 1950.

Além da questão ambiental, destacada no texto da SVMA, os parques são também importantes locais de socialização, de aproximação com o vizinho, de contemplação do espaço público, do bairro onde moramos.

No bairro José Bonifácio, região de Itaquera, onde se localiza um Conjunto Habitacional – e o Parque Raul Seixas – um fenômeno chama nossa atenção para a importância dos parques.

No início dos anos 1990, houve um aumento da aquisição de automóveis por parte dos moradores do bairro. Alguns edifícios tinham pequenos estacionamentos, outros simplesmente não possuíam. Por razões de segurança e zelo, em quase todos os condomínios começaram a ser construídas garagens individuais, por apartamento. Outros moradores mesmo não possuindo automóvel também aderiram à idéia. Após a construção, estes espaços foram utilizados de uma outra maneira: ao invés de colocarem a porta para dentro do condomínio, os proprietários a colocaram para a calçada e montaram pequenos comércios. Apesar da variedade de estabelecimentos comerciais - muitos já devidamente formalizados - a maioria é bar.

E imaginem em qual espaço estas garagens foram construídas... Exatamente onde antes era o espaço de recreação das crianças, dentro dos condomínios. Veja você mais um exemplo da cultura do carro prevalecendo sobre a da sociabilidade - além, claro, da necessidade de aumentar a renda.

O Parque Raul Seixas e as praças (estas, infelizmente, mal conservadas) se tornaram os únicos pontos de recreação e sociabilidade dentro do bairro. Ainda assim, não é tão procurado como se poderia imaginar. Há ainda o Centro de Lazer, mas este freqüentado por adolescentes e adultos.

O que estarão fazendo estas crianças?

É claro que a improvisação da população abre espaços nas ruas mais tranqüilas para a energia da criançada, mas o contato com a terra, a areia, as árvores e plantas vão ficando a cada dia mais escassos.


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Fotos: Pula o Muro [1- entrada do Parque Raul Seixas; 2 - Casa de Cultura do Parque; 3 - playground]

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