quarta-feira, 19 de março de 2008

Indústria da Multa?

Quantas pessoas perdem a vida no trânsito brasileiro a cada ano? Tentei encontrar essa informação na internet por meio de uma rápida pesquisa, mas não encontrei nada muito preciso. Existe um tal de RENAEST (Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito), portal ligado ao Ministério das Cidades e ao DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito), que disponibiliza algumas estatísticas, mas parece que ainda está em desenvolvimento. Segundo esse site, morreram no trânsito 19.910 pessoas em 2006. Não encontrei nada sobre 2007. Além desse, também vi algumas matérias na rede falando em 40.000 mortes por ano. De qualquer forma, 20.000, 30.000 ou 40.000, é gente pracaralho! Na menos pior das hipóteses, temos em média mais de 50 mortes por dia. Diante de números escabrosos como esses, os assassinatos de trânsito (assassinato sim, já que mortes previsíveis não podem ser consideradas meros acidentes), o governo do Brasil decidiu tomar algumas atitudes.

Além de proibir a venda de cerveja, cachaça e demais bebidas apreciadas por motoristas borrachos em beira de estradas, o governo quer também criminalizar os rodo-homicídios e aumentar os valores das multas a serem aplicadas.

Eu chego a ficar com vergonha de viver num país onde o governo tem que proibir a venda de bebidas alcoólicas nas estradas, por que tem motorista que não sabe que beber antes de pegar estrada é inadmissível. Mas, o que me deixa mais indignado é a cara-de-pau de boa parte dos motoristas que acusam a existência de uma tal Indústria das Multas! É só falar em aumentar o valor das multas que essa conversa emerge (reparei que falar em aumentar multas deixa algumas pessoas mais indignadas do que falar em milhares de mortes). Se existe Indústria da Multa eu não sei, mas conheço muitos operários dessa Indústria que dão muito lucro. Motorista mal educado tem às pencas. Pessoas que falam ao celular enquanto dirigem ou que reclamam por que não há placas avisando sobre radares ou limites de velocidade, conheço várias. Pra esses eu deixo a pergunta: Por acaso você não estudou as leis de trânsito durante o curso da Auto Escola? Não leu que as duas mãos devem estar no volante ao dirigir ou que as vias são divididas em tipos diferentes e que, pra cada tipo de via, há uma velocidade máxima estipulada, e que se não houver sinalização o motorista deve respeitar esses limites previstos?

- Dê uma olhadinha na tabela com os limites de velocidade especificados por tipos de veículo e tipos de via clicando
aqui.

É dever do motorista, conhecer e respeitar as leis que regulamentam o trânsito. Carros, motos, caminhões, ônibus, lotações etc. são verdadeiras armas de destruição em massa se usadas com imprudência. Dirigir não é esporte e nem brincadeira. Uma coisa que degrada o meio ambiente, que propaga o estresse e que, portanto, coloca a vida das pessoas em constante risco deveria ser utilizada somente em último caso, quando houvesse real necessidade.

Utopia? Acha que eu sou maluco? Tudo bem, a maioria das pessoas acha isso mesmo, onde já se viu questionar a cultura do carro? Absurdo!

Se as condições das ruas e estradas brasileiras são péssimas ou se o transporte público é de baixa qualidade, a sociedade deve reivindicar as melhorias e não há dúvidas quanto a isso. Entretanto, fantasias quanto à Indústria das Multas é ridículo, é querer passar a responsabilidade pelas próprias cagadas no trânsito pra uma entidade diabólica transcendental. Acredito que ninguém vá multar carro estacionado em local permitido; ninguém vai ser multado por andar dentro dos limites de velocidade nem por usar o cinto de segurança e, muito menos, serão multados os carros que estiverem guardados na garagem. Andar a pé, pelo passeio público, lembremos, também não é passível de multa.
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Algumas páginas que valem ser consultadas:

Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito

Associação Brasileira de Monitoramento e Controle de Trânsito

Estradas.com.br

Código de Trânsito Brasileiro

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5 comentários:

Anônimo disse...

O que só tem provado a incompetência do governo em educar os motoristas.Não vai ser com multas que irão resolver o problema.Se resolve acabando com a venda de carteiras de habilitação.Se resolve com batidas preventivas e educativas.A sede com que se vai ao pote das multas, revela senão a real intenção que não é educar mas arrecadar.

Anônimo disse...

TEMOS DE ACABAR COM A INDUSTRIAS DAS MULTAS, EXTERMINANDO ÓRGÃOS INÚTEIS COMO DETRAN E POLICIA RODOVIARIA. ESTA NA HORA DO CONTRIBUINTE EXIGIR SEUS DIREITOS! NA EUROPA NÃO EXISTE LIMITE DE VELOCIDADE, ISTO É MAIS UMA INVENÇÃO BRASILEIRA!

Anônimo disse...

A partir do momento em que empresas terceirizadas tem lucro com as multas temos entao aquilo que chamamos de "Industria da Multa". E' inaceitavel que um governante de carater aceite que seus eleitores sejam explorados dessa forma a nao ser que o governante lucre tambem. Nao sou contra radares, acho ate que deveria existir 1 a cada quilometro, entretanto, se isso ocorrer as multas diminuirao muito e os lucros cairao fatalmente. Continuamos entao com os radares escondidos sob a nevoa demagogica dos nossos governantes. Num pais onde disturbio de carater, imoralidade e latrocinio sao pre-requisitos indispensaveis para ser politico, acho impossivel qualquer melhora nesse sentido. Pobres brasileirinhos!!!!

Charles disse...

O problema, ao meu ver, não é da multa em si: qualquer país civilizado tem multas. O problema é que com o incentivo-multa aos amarelinhos (por meio de bônus por bloco de multas completo), esse pessoal prefere multar carros que estejam estacionados a "10 centímetros a mais" do que deveria do que efetivamente ajudar o trânsito ou multar os carros que estejam realmente prejudicando a fluidez. Ao meu ver, o problema é realmente qualificar as consequencias desse super estímulo às multas.

Anônimo disse...

Recebi uma multa por avançar o farol vermelho (Gravissima)em uma rua da qual nunca passei em um dia e horário em que estava trabalhando, e infelizmente não adianta recorrer, pois como vou provar que o carro estava estacionado em frente a Empresa.