quinta-feira, 10 de abril de 2008

A educação vai de mal a pior*

“A educação vai de mal a pior” – talvez você possa imaginar que essa é uma fala de algum professor da rede estadual que se encontra insatisfeito com os seus rendimentos financeiros ou pela ausência de infra-estrutura necessária na escola.

Realmente a educação vai mal, porém, quem nos diz isso é o próprio Estado com apresentação do resultado do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), o jornal Folhaonline reforça que a pior escola particular [1] supera 75% das escolas públicas.

Os resultados do ENEM nos leva a pensar, por que está tão difícil oferecer uma educação pública de qualidade? Culpar os professores é o caminho mais fácil, no final das contas é ele que se encontra quase todos os dias com nossos filhos e irmãos na escola. Porque se fosse um político já teria abandonado o cargo faz muito tempo.

Convido-os a continuarem comigo na reflexão – como é possível oferecer qualidade de ensino para nossas crianças e jovens, se não temos uma Política de Educação Nacional? Aqui nesse “país” as políticas para educação têm data marcada, a cada nova eleição uma nova política educacional toma conta dos Estados e municípios.

Educação aqui não é prioridade. Pelo menos para os “nossos” representantes. Dar kit-educação, bolsa, mochilinha, sacolinha não tem apresentado melhora no desempenho dos alunos nas avaliações oficiais.

Seguindo a minha reflexão, o que mais o Estado deve oferecer? Oferece o prédio que abriga as escolas – insisto em afirmar que o prédio é para atividades escolares apesar da aparência, sei lá, de presídios, cadeias entre outras coisas, porque grades não faltam nas escolas públicas. Paga os “salários” professores. Tem investido em tecnologia nas escolas – as escolas públicas [2] contam com laboratórios de informática com uma média de 10 a 14 computadores (nem vamos falar dos que não funcionam). Apenas esqueceram de informar as autoridades, que as escolas têm média de 40 alunos por sala. Diante dessa situação cabe ao professor ser criativo: distribuir senhas para utilização dos computadores ou quem sabe reservar a sala de informática para aulas de sexta-feira para os poucos alunos que comparecem e, dessa forma todos os alunos presentes poderiam utilizar o computador para pesquisa e desenvolvimento das atividades.

Diante desse quadro, a educação pública de qualidade para o ensino fundamental e médio passa a ser um sonho, para grande maioria da população que não tem como optar por uma instituição de ensino particular. Ainda que seja garantida pela Constituição.

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” (Constituição Federal de 1988, artigo 205.)

Segundo a Constituição brasileira educação é um direito de todos e dever do Estado, para que seus cidadãos possam usufruir de direitos e exercer seus deveres

Continuo me perguntando por que não criar uma política educacional que possa promover uma educação pública de qualidade no período de formação dos cidadãos? Para promover uma mudança social? Acredito que esse não deve ser o interesse dos políticos brasileiros, que preferem manter-se no poder graças a ignorância do povo que desconhece a maioria dos seus direitos, muito menos para mudar a profunda desigualdade econômica existente no Brasil.

Diante desse descaso, necessário faz que a educação deixe de ser um problema apenas dos professores e funcionários da educação e passe a ser visto como um problema social, com força para mobilizar toda a sociedade.

Porque sem educação de qualidade o “Brasil continuará sendo um país de poucos”
[2] pelo menos as escolas do Estado de São Paulo
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*Colaboração de nossa amiga e colega espiana Juliana Lima, que sofre um bocado para realizar o sonho de ser professora nesse "país".


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