segunda-feira, 22 de setembro de 2008

22 de setembro - DIA MUNDIAL SEM CARRO!?

22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro. Quem deixou o carro em casa? Pelo que vi na rua enquanto pedalava pro trampo, parece que quase ninguém. Aliás, tive a impressão que a segunda-feira estava mais ocupada do que de costume.

Faz mais ou menos um ano passei a usar a bike como opção de transporte. Pra isso, passei a integrar um grupo de bikers noturnos. Foi um bom exercício antes de encarar a competição centímetro à centímetro do tráfego paulistano. 14 Km entre Jardim Independência na Zona Leste até a Vila Clementino na Zona Sul, atravessando o morro do Ipiranga. Pedalar em meio ao trânsito caótico de São Paulo e suas ruas esburacadas é quase tão extremo quanto os single tracks de Paranapiacaba. Pelo caminho, motorista vacilão por todo lado, catando mosca no volante, é mato. Adrenalina pra começar e encerrar o dia.

Bem menos emocionante é a outra opção que o cidadão tem para o transporte: o coletivo. Aliás, essa sempre foi minha principal opção. O mesmo percurso citado acima, se feito de ônibus, leva quase uma hora a mais. De bicicleta 40 minutos e de ônibus, uma hora e meia. E o busão vai com lotação total o percurso inteiro e não raras vezes, diante do estresse diário, as pessoas se agridem verbalmente, como se alguém ali dentro fosse culpado pela péssima qualidade do serviço público a nós oferecido. Pra piorar, a velocidade é mínima, porque lá fora a quantidade de carros é máxima. Muito carro na rua. Muito mesmo. Por isso o trânsito emperra.

Mas a responsabilidade por esse apocalipse motorizado não é só do sedentarismo de indivíduos que usam as pernas pra acelerar e frear. O poder público, que por tanto tempo sofreu de paralisia funcional, demorou muito pra investir em infra-estruturas viárias alternativas ao asfalto. O transporte sobre trilhos, hoje, precisa ser multiplicado por 10, 20, 30 ou mais. O problema é que construir vias e estações de trens e metros leva muito tempo. A porcaria que somos é resultado da porcaria que fomos (essa frase voltará a ser usada em outros contextos).

E daí, Dia Mundial Sem Carro, com muito carro. Deixar o carro em casa nesse dia seria um ato cívico, uma celebração da cidadania. Sem chance, não é com isso que as pessoas estão preocupadas. Um ou outro ainda arrisca um discurso politicamente correto, mas na prática, nada. Pra mim, o que vale é a reflexão. Que sociedade temos e qual sociedade queremos?

Algumas coisas parecem começar a mudar. Ouvi notícia de que a aprovação à idéia de um pedágio urbano ganha força entre a população. Deve ser porque a maioria das pessoas, despossuída de automóveis, que vivem nessa megalópole, obrigadas a se aventurarem em cima de uma bike ou espremidas dentro de cata-locos lotados, começam a perceber o verdadeiro vetor desse martírio: o individualismo. O que mais atrasa a vida desse povo todo é a manada motorizada que leva um em cada um. Não é de se estranhar que o pedágio urbano ganhe cada dia mais aceitação. Vale lembrar que a sociedade pertence a cada um e a todos e a solução de seus problemas só pode ser coletiva.

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