quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"Agora é a nossa vez de falar!"

Teve início ontem, 23/09, no espaço Itaú Cultural, em São Paulo, o 2º Fórum Internacional Criança e Consumo, promovido pelo Projeto Criança e Consumo em parceria com o Itaú Cultural e o Instituto Alana.

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O evento, que acontece até o dia 25/09, sempre a partir das 18:30hrs, tem a participação de acadêmicos e pesquisadores renomados de universidades e instituições brasileiras, e também receberá duas das maiores especialistas internacionais: a professora de Harvard e autora de Crianças do Consumo Susan Linn, e a coordenadora do International Clearinghouse, principal observatório das relações entre mídia e infância, Cecilia von Feilitzen.
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Realizado em um contexto de intensas discussões no que diz respeito à comunicação mercadológica dirigida a crianças e adolescentes, o evento pretende despertar a reflexão de pais, educadores, empresários e formadores de opinião, além do próprio mercado publicitário, sobre o tema. Afinal, o consumismo na infância é um problema de todos e afeta o meio ambiente, a economia e a sociedade.
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No dia 23/09, foi exibido o documentário "Criança, a alma do negócio", seguido de debate, intermediado por Zico Góes, ex-diretor de programação da MTV e professor da FAAP, com a diretora e o produtor executivo do filme, Estela Renner e Marcos Nisti, que responderam a peguntas do público.
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De início, tivemos uma ótima notícia: a TV Cultura, de São Paulo, se comprometeu a não veicular, a partir de janeiro de 2009, nenhuma propaganda publicitária dirigida às crianças.
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O documentário, que em breve estará disponível a todos gratuitamente, mostra depoimentos de mães e crianças falando sobre consumo e desejos, intercalado por opiniões de estudiosos do assunto, de diversas áreas, como sociologia, posicologia, pedagogia, direito etc, além de trazer dados sobre os impactos da veiculação de publicidade voltada a crianças na sociedade moderna, em que os pais estão ausentes e procuram substituir sua presença atendendo aos pedidos dos filhos por produtos supérfluos e, muitas vezes, prejudiciais à saúde e à formação social, como alimentos gordurosos, saltos para crianças impedindo-as de correr etc. Atitude que faz com que a infãncia seja atropelada, tendo como consequencia a erotização precoce, os transtornos alimentares, o estresse familiar, a delinqüência e violência juvenil, enfim, uma deformação dos valores.
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Estes problemas ficaram evidentes quando os debatedores alertaram para o fato de que as crianças estão assimilando rapidamente o "prazer de comprar, e não de consumir", o que constitui um estigma, isto porque querem fazer parte de um grupo, serem aceitos e reconhecidos socialmente, e para isso é preciso TER.
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Um momento chocante do documentário é ver crianças que não reconhecem animais, mas reconhecem logotipos de produtos que elas não utilizam; que não reconhecem legumes e frutas, mas reconhecem salgadinhos. E quando solicitados a escolher entre duas fichas, uma com a palavra comprar e outra com a palavra brincar, todas foram na ficha "comprar", e só um menino - que colocou uma mão em cada ficha -, disse: "ninguém gosta de brincar?".
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Por fim, perguntada sobre por quê o documentário não procurou ouvir o "outro lado", isto é, publicitários e empresas, Estela Renner, diretora do filme, afirmou:
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"Porque agora é nossa vez de falar! Se eles estivessem aqui, iriam confundir a mensagem. Eles são especialistas em enganar!"
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A nossa vez de debater é até dia 25/09, participe. Mas a nossa ação deve ser constante!
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A programação do 2º Fórum Internacional Criança e Consumo pode ser vista clicando aqui. Nesta página você também vai encontrar textos e pesquisas sobreo assunto.
O Pula o Muro também já publicou algumas matérias sobre o tema, divulgando o trabalho do Projeto Criança e Consumo, que você pode accesar clicando nos títulos abaixo:
Criança & consumo, de 05/07/2007 e
Obesidade Infantil, de 08/07/2008
Para outras matérias com o tema anti-consumismo, clique aqui

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá,
Onde e como faço para adquirir este documentário?


Grata,

Fabíola
fabiolajornalista@yahoo.com.br

PuLa O mUrO disse...

Olá, Fabíola!

Esta foi uma questão que ficou no ar. Eles ainda não sabem como vão disponibilizar... se só para escolas ou se estará na internet.

Estou também na procura. Se eu conseguir, vou deixar no blog!

Abraço!