terça-feira, 23 de setembro de 2008

No que votar?

proponho que se inverta as pesquisas: ao invés de a população responder sobre a escolha de uma das propostas definidas pelos partidos, o povo responde o que espera que seja feito pela nova gestão e os candidatos que procurem planejar neste sentido.
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Estamos em mais um ano de eleições, desta vez para prefeitos e vereadores. A TV, o rádio, os jornais, as revistas semanais, a internet, enfim, todos os meios de comunicação e informação falam sobre isso. Os candidatos investem em suas campanhas; os grupos de interesse investem em candidadtos; as pesquisas apontam os favoritos e prováveis eleitos - já pré-definidos antes mesmo do início das campanhas -; o TSE lança nova série de comerciais criativos, dizendo "Vota Brasil: o futuro de sua cidade é o seu futuro", o que é verdade, embora o voto seja uma pequena parcela - bem pequena - do exercício da cidadania.
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Neste sentido, quero fazer uma observação sobre a insistência em nos dizer que devemos votar, isto é, escolher um dos candidatos (veja abaixo a listagem de candidatos a prefeitos e vereadores, co perfil e renda detalhada). Mas... e se eu chegar à convicção - após pesquisar muito - de que nenhum destes merece assumir a prefeitura da minha cidade? E se eu não gostar da proposta de nenhum dos candidatos a vereador para minha região e cidade, o que faço? (isto é, se eu chegar a conhecer, pois o horário eleitoral não nos dá a oportunidade de conhecer todos). De que maneira posso expressar minha negação aos candidatos que aí estão?
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Votos brancos e nulos são vistos da mesma forma. Por que não se pergunta "por que" aos que pretendem votar branco ou nulo?


Se o voto é a expressão da vontade da população sobre os rumos da cidade, representado de maneiras diferentes nas propostas de cada candidato - dentre os quais devo escolher um pra me representar nos poderes executivo e legislativo - proponho que se inverta as pesquisas: ao invés de a população responder sobre a escolha de uma das propostas definidas pelos partidos, o povo responde o que espera que seja feito pela nova gestão e os candidatos que procurem planejar neste sentido.
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Daí sim, a proposta tida como a mais viável seria eleita, levando-se em consideração, mais do que a promessa de obras e feitos, a maneira como será feito e com quais recursos.
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Seria mais ou menos assim: ao final de cada ano, a população avaliaria a gestão e indicaria as políticas que mais a agradaram e que desagradaram, nas diversas áreas. Com base nessas consultas populares, no ano eleitoral seria montado um quadro com as prioridades para a próxima gestão, sendo constantemente verificada, através das pesquisas, a permanência ou não destas prioridades.
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Os candidatos então preparariam soluções para as demandas reais da população e também procuraria convencê-la de outros pontos que no seu entendimento passam despercebidos e traria esclarececimentos sobre estes asuntos. A velha pergunta "em quem você vai votar?" sairia da pauta (ora, o voto não é secreto?).
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Dessa forma, ficaria mais evidente a preparação dos candidatos (ah, com igual tempo de manifestação em horário no rádio e TV- ou isto não é uma democracia?). Isto minimizaria também a influência para que se votem sempre nos mesmos dois ou três, que se alternando no poder provocam a descontinuidade de políticas. E o que é mais importante: ao invés de escolher pessoas, escolheríamos políticas, saindo do ridículo debate de assuntos pessoais e partindo para a verdadeira prática da cidadania, que é, DE FATO, discutir o futuro de nosso bairro, cidade, estado, país...
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Pode parecer viagem, mas creio que não maior do que as propostas de muitos candidatos. Ao invés dos famosos jingles, poderíamos usar este tempo para discutir, por exemplo, a recente pesquisa do Ibope que constatou que "menos de 1% prioriza educação ao votar".
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Para se informar e refletir, uma série de elos MUITO úteis:
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TRANSPARÊNCIA BRASIL: Projeto Excelências. Histórico dos parlamentares brasileiros em exercício (dados sobre origem, o grupo a que pertence, patrimônio e variação patrimonial, citação na justiça, faltas em plenárias e comissões, entre outras informações).
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