quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O caso Eloá

Eu acho que as pessoas estão ficando cada dia mais piradas. Talvez seja a falta de fé de outrora. Na Idade Média não rolava essas coisas. Quer dizer, ao menos não estou lembrado de citações daquela época referentes a indivíduos alucinados que seqüestravam as namoradas, chegando ao absurdo acontecido em Santo André semana passada.

Naquela época o Cristianismo definia a realidade dos indivíduos. Nem sei se posso definir como indivíduo o homem medieval, já que era filho de Deus com regras explícitas a seguir. Melhor seria denominar o homem medieval como sujeito.

Aliás, acontecia aparentemente o contrário naquela época. O sujeito medieval era pirado por seguir a fé fervorosamente. O indivíduo moderno é pirado por ter perdido a fé (seja lá em quê) e, com ela, qualquer outro parâmetro de ação.

Na Idade Média queimavam na fogueira quem ousasse questionar a Palavra. Hoje, a barbárie nos explode na cara pela falta total de limites.

O que quer o ser humano afinal?

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E por falar em valores...
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Todos ficaram chocados com o "sequestro mais longo do Estado de São Paulo". Todos ficaram indgnados com a ineficiência da polícia. Todos ficaram tristes com o desfecho trágico. Mas parece que ninguém se surpreendeu pelo fato de uma CRIANÇA de 15 anos, já ter vivido um relacionamento sério, que ocasionou ciúmes em um jovem, que adquiriu facilmente uma arma de fogo e levou a situação ao que todos vimos no noticiário.
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Vejam: da mesma forma como acontece em outros atos violentos, os valores observados nestes perfis são muito vagos, sempre de forma a tratar as pessoas como "coisa", seja como um obstáculo a ser eliminado, seja como um objeto a ser possuído. Será que tudo isso não tem muito a ver com nossa atual organização social?
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E a mídia? Novamente tratou do caso como se tudo isso tivesse início na segunda-feira, 13 de outubro. Enquanto este modo de encarar nossos problemas persistir, nada será feito para mudarmos o quadro e estaremos sempre revendo nos noticiários casos como este.
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Em tempo:

Tão perdido e alucinado quanto Lindemberg é a polícia, especialmente a especializada nesse tipo de situação. Jogar uma bomba quando uma pessoa armada tem dois reféns na mira de uma pistola carregada e com o dedo no gatilho, me parece um tanto desaconselhável. Um sniper seria menos arriscado. Mas se não queria estourar a cabeça do rapaz, quem sabe um sonífero na comida? Criatividade foi devolver uma refém liberta de volta ao cativeiro. O que esperar, afinal, duma instituição dividida e adversária?

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6 comentários:

Lilian disse...

Dica de leitura...Textos ácidos e sarcásticos, pra quem quer ficar por dentro dos assuntos políticos de forma leve.


www.mosaicodelama.blogspot.com

Boa leitura!

Anônimo disse...

É sempre bom passar por aqui!
Concordo com o questionamento: "O que quer o ser humano afinal?" Mas, discordo que o homem medieval tenha sido "melhor", acredito que foi é mto pior. Afinal, mulher era o que: coisa, objeto sem querer e, por incrível que pareça, não tinha imprensa pra relatar...
clau

Anônimo disse...

Concordo com o anônimo ai em cima, quanto a questão das mulheres na idade média. Agora, falando de sequestros, o primeiro grande sequestro qual foi? O de Helena, por Páris? Causou até uma guerra!!

PuLa O mUrO disse...

Anônimo, se a Guerra a qual vc se refere for a de Tróia, tenho a impressão que ela ocorreu um pouco antes da Idade Média, tipo uns mil anos. Jesus nem tinha pintado pela Terra ainda!

abraço!

PuLa O mUrO disse...

Clau,

A mulher começou a se libertar faz qto tempo? Trinta, quarenta anos? Ainda hoje, muitas são tidas como objetos. A publicidade de cerveja, por exemplo, usa isso freqüentemente. Além disso, temos mulher Melancia, mulher Samambaia etc. O próprio Lindemberg pensou q a Eloá fosse propriedade dele... Enfim, não quis dizer q o homem medieval era melhor ou pior q o de hoje, mas q era tão louco qto. A questão principal é identificar q atualmente há uma total crise de valores e parâmetros de ação e citei a sociedade medieval como contra-ponto. Diante desse quadro não é de se admirar q cada dia mais vemos casos como esse. Namorado q mata namorada, filha q mata os pais à pauladas, pai q joga filha da janela etc...

O q quer o ser humano afinal?

abraço!

Anônimo disse...

Pula o Muro,

Sim a guerra a que me refiro é a guerra de Tróia, mas foi apenas um exemplo para comparação... eu queria lembrar que o sequestro provalvemente existe há muito tempo, visto que já figurava nas histórias e mitos gregos do século XII a.C.

Abç,