segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Rua da Passagem*


Os números do trânsito em São Paulo impressionam. E o trânsito em São Paulo é um problema, problema de dimensões também impressionantes.

De acordo com o site da prefeitura, temos os seguintes números:

O sistema viário é de 1.569 km.

A frota de veículos comuns em 2007 era de 5.962.512, quase um terço a mais do que dez anos antes.
Fazendo uma rápida conta, dá 3.800 veículos por km, se todos estivessem na rua no mesmo momento.

Tantos carros, tanta tecnologia, tanta pressa: a média anual de mortes em acidentes de trânsito na capital paulista é de 1.410 (de 2002 a 2006), o que dá praticamente 4 mortes por dia! Mortes. Sem contar o número de feridos, leves ou graves.

É fácil constatar estes números. Quantos carros batidos você vê por semana? Ou quantos você vê por dia?

Quando vemos os mais graves, pensamos: “nossa, esse (acidente) foi feio!”.

Em geral o que vemos é só um carro destruído. No entanto, só quando perdemos alguém próximo é que percebemos de verdade o que esta cena comum na cidade representa.

O que explica esta situação? Má formação dos condutores? Falta de fiscalização? Vias em mau estado de conservação? Imprudência?

Na madrugada desta ultima sexta-feira, 13/02, perdi um amigo em mais um estúpido acidente de trânsito, na radial leste. Na volta do trabalho, a combinação de excesso de velocidade (acima de 100km/h) e pista molhada acabou em um choque contra um poste.

Explicação, podemos achar várias. No entanto, sentido já não há.

De mãos atadas, a única coisa que posso fazer é deixar este alerta à minha maneira: trazendo dados e reflexão, nada de muito util nestas horas.
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*Em memória do amigo Fernando (Testa). Por Júlio Canuto.

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