terça-feira, 14 de abril de 2009

Tabelinha

por Claudiana Cabral
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Acabei de receber a bola do Júlio, que hoje está jogando pelo Pitadascotidianas. A jogada é escrever duas visões, cada blog com a sua, de um mesmo jogo - São Paulo versus Defensor, disputando a Libertadores. Então, ao ataque:

Um jogo de futebol nunca é só um jogo . Como já disse Max Weber, o homem é um animal amarrado à teias de significados que ele mesmo teceu. Assim somos em relação ao futebol, tudo começa com a ida ao Estádio, reunir os amigos, vestir a camisa, afinal, como já vimos em um texto anterior, há roupa certa para cada ritual. Levar o filho desde filhote para que assim seja encucado aos poucos a paixão. É torcedores, paixão também vem de treino. Assim como o gol de cobrança de falta que espero ver do Rogério. Que puta que pariu, é o melhor goleiro do Brasil!

A chegada ao Estádio é um momento à parte, futebol: o esporte mais popular do país, comumente chamado de Pelada, jogado aos domingos por senhores barrigudos, as quartas pelas meninas, em qualquer esquina pelos moleques. Ganha status de jogo de Deuses, essa é a sensação que tenho ao entrar no estádio, a imponência da arquitetura oval, o campo ao centro, a metáfora da importância do futebol, para o bem e para o mau. Assim como as óperas, dividido em dois atos. A entrada dos Deuses e seus andares pesados, seus uniformes impecáveis, o silêncio na hora do hino e o som do apito. Bola em campo.
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O Primeiro tempo foi morno, o São Paulo mais defendeu do que atacou e teve uma hora que não teve jeito, Gool do Defensor. O Estádio ficou silêncioso por segundos, para segundos depois começar o mantra: putaquepariu-caralho-porra -não é possível ad infinitum. Mas todo time que se preze, como é o nosso, tem o técnico pago, porque todo torcedor é técnico. O Muricy é técnico pago, é desses que fazem a diferença. Aqui cabe uma observação, pra mim, técnico de verdade usa uniforme do time e tem barriga grande, dessas de cervejas e chopp, adquiridas por horas e horas com o umbigo colado no balcão de bar discutindo a rodada da semana, o Muricy tem tudo isso e ainda é mau-humorado com os jornalista, o que dá um charme mais ao mestre!

O time voltou vigoro depois do pito que o Muricy deve ter passado, aí vale tudo, Libertadores! Começando pelas mandingas, por volta de 1 minuto antes do primeiro gol do São Paulo, minha amiga Vanessa e, portanto, são paulina, mudou de lugar para dar sorte. O São Paulo já tinha perdido boas oportunidades de gol, não deu outra, Goooooooooooooooooool do Borges, aos 25 minutos do 2º tempo. Cada um expressa a emoção de uma forma, a maioria ri, grita, fala palavrão, esse “termo” será melhor abordado no próximo lance, mas o garotinho que passou o jogo todo abraçado ao Pai, chorou.

O palavrão em campo, existe quem atribua o palavrão a masculinidade, virilidade e etc. Eu discordo, Segundo Levi - Straus, a linguagem é um limitador do pensamento, ou seja, a linguagem não dá conta do que se passa quando o torcedor vê um jogo, por isso o excesso de palavrões é uma via para a expressão. O palavrão romper com silêncio, nos termos de Geertz: “ Somente quem é indiferente à arte consegue manter o silêncio.”

Eu entendo futebol como arte, independente de ser futebol-arte. Polêmica à parte, entendo o jogo além do esporte, como expressão artística. Assim, todos os Filhos da Puta, alguns lindamente falados, como o senhor atrás de mim que dizia, FILHODAPUTA pronunciando todas as vogais e consoantes com a boca cheia e redonda – se eu tivesse dotes photoshopescos o reproduziria tal qual uma poesia concreta - tem como intuito extrapolar a linguagem, ir além do próprio palavrão, e chegar mais perto do que fala o coração... E assim foi no segundo Gol do Borges, 5 minutos após o primeiro. Vitória tricolor!

Fim de Jogo? Nada disso, agora é com você Júlio, a bola é toda sua...

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6 comentários:

dojeitobomdeler disse...

Por Du's Créuds!!!

É o poema do palavrão em verso e prosa.

Puta que Pariu!!!

Esse texto ficou do caralho!!!

Mt merda pra vc, pelos deuses do teatro esportivo - o futebol.

Baccios

Namastê!

Lau Cariri disse...

Ninguém esclareceu a parte sobre quem troca de lugar com Vanessa...

Foi comigo!

Mill disse...

hahahahahaha

e vamo pra cima da galinhada domingão

Maga disse...

Eeee clauzinha!

O Jogo foi dificil, os violetas trancaram td, mas olele, olala o Borges vem ai e o bicho vai pegar!!! hehehehehe

Bóra pro próximo!

Beijooocas

Vanessa disse...

Adorei o texto e torcer com vocês no estádio!
Mas vamos combinar, se eu não tivesse trocado de lugar, sei não hein?
kkkkkkk

bjos

Fadulzitos disse...

Nossa, muito bom mesmo o texto, Clau. Ultimamente, tenho ouvido o jogo pelo rádio enquanto assisto a partida pela TV, tem dado certo, vou mantendo... sei lá, acho q deve ser alguma superstição, como trocar de lugar no intervalo da partida (só um adendo: nos jogos do meu time, não é possível trocar de lugar, afinal minha torcida tem lotado seu estádio, ao contrário dos jogos do SPFC, sempre às moscas...). Palavrão é básico, futebol sem isso não existe, tem q xingar a mãe do juiz mesmo!!! Mas a melhor parte do texto, sem dúvida, foi quando vc disse que os times tem um técnico pago. Todos gostmos de dar os nossos pitacos, mas sentar lá naquele banco de reservas e comandar um time de futebol é realmente pra poucos (o q não me impede de criticá-los ou chamá-los de burro).

Bjs