quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pesquisa comprova: 2 + 2 são 4 !

Os Jovens e o Consumo.
por Júlio Canuto
Nesta semana, o Portal Ciência e Vida, divulgou pesquisa da cientista social Paula Nascimento da Silva, estudo de conclusão de seu mestrado na Faculdade de Educação (FE) da USP (Universidade de São Paulo) em 2008. Intitulada Desafios da inclusão do jovem na sociedade de consumo: as alternativas encontradas por jovens da periferia da zona oeste de São Paulo/SP, constitui-se num estudo com um grupo de jovens de 13 a 21 anos de idade do Grupo de Assistência Social Bom Caminho, localizado no distrito de Raposo Tavares, instituição que trabalha com cerca de 160 jovens da comunidade, discutindo educação, família, saúde, violência e outros temas. A violência, sobretudo, é assunto bastante comentado no noticiário em geral, porém sem aprofundamento da questão.
.
De acordo com o Portal, o objetivo da pesquisa foi identificar quais bens de consumo eram privilegiados por esses jovens e o porquê. Pelas entrevistas, Paula constatou que os jovens privilegiam o vestuário e objetos que compõem a aparência pessoal, como tênis, roupas, produtos de cabelo, cosméticos etc. Uma das perguntas realizadas foi o que o jovem compraria se tivesse R$ 500 à mão naquele momento. Apesar de aparecerem respostas como ajudar a família, as contas da casa ou comprar alimentos, predominaram os gastos com a aparência.
.
De um lado, este comportamento explica-se pelo fato de vivermos uma sociedade do consumo onde somos avaliados socialmente pelo o que possuímos e, por outro, pela constante dificuldade em conseguir emprego estável e formal nesta faixa etária. Assim, os jovens deixam de programar o futuro, investido por exemplo em educação e escolhem investir na aparência, como uma tentativa de fugir dos preconceitos que sofrem e serem aceitos pelo seu grupo social e pela sociedade.
.
Como já foi tratado várias vezes neste blog, trata-se de um valor destas novas gerações.
.
Consequencia disso é a atual facilidade com que os jovens, sobretudo os moradores da periferia, acabam sendo atraídos para o tráfico e outras atividades ilegais - sempre mais presentes que para outros grupos sociais - , pois assim eles podem ganhar mais dinheiro em bem menos tempo.
Segundo a socióloga, falta ao poder público não apenas conscientizar esse jovem, para que ele use seus poucos recursos em algo mais necessário e construtivo, mas, principalmente construir melhores condições de educação, saúde, alimentação e moradia. A sociedade exige que ele esteja inserido nesse imperativo social, e seria insensato exigir que o jovem da periferia nade contra a corrente da sociedade de consumo e ainda vença os muitos preconceitos que sofre.
.
Este estudo, embora trate de algo que podemos identificar claramente no dia a dia (e por isso o título na postagem), permite aprofundar a questão do consumo e suas consequencias, que são amplas e interferem em todos os aspectos da vida social, uma vez que trata-se da formação dos cidadãos.
_______________________________
Todas as citações são do Portal Ciência e Vida, matéria: Para superar preconceitos, jovens da periferia gastam mais com aparência (clique no título para acessar)
.
A tese completa (em formato PDF) você encontra no link a seguir, é só clicar: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-26112008-101015/

Um comentário:

Clau disse...

Excelente Post! É impressionante como a aparência é central no mundo em que vivemos. Vestimentas e outros bens, como o celular, se tornaram transportadores de status. A eterna metáfora do carnaval,mas não há fantasia que resista a quarta-feira de cinza.