terça-feira, 28 de julho de 2009

O anonimato ou falar e ser ouvido

por Júlio Canuto.
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Quantas formas há de se dizer algo?

Existem diversos meios de expressão, desde a fala, através de nossa lingua (e as variações que dela surgem) até as artes, gestos, olhares etc... No ultimo sábado fui (pela primeira vez) num evento de hip-hop, no CEU Curuçá, zona leste de São Paulo, o "Favela Toma Conta", em sua 19a. edição, e gostei bastante do que vi: só ali havia música, poesia e dança (sem contar a constante troca de idéias), e tudo de forma bastante intensa.

Num local onde se pode falar, a criatividade explode em várias formas de expressão, mas... e onde não se pode falar? Aí, enxergamos de forma nítida o sentido da palavra criatividade. Hoje, como faço diariamente quando acordo, abri as páginas dos jornais, blogs e sites que visito com frequência. No UOL, vi uma ótima matéria. Trata-se do trabalho de um chinês chamado Liu Bolin, que para tratar do anonimato, utiliza-se de pintura corporal para se camuflar nas paisagens. Pra mim, seu trabalho assume vários significados, dentre os quais se destaca o anonimato em meio aos bilhões de habitantes da China (como se verá abaixo) e a forma de dizer sobre a opressão no país, sem dizer uma só palavra. Ao ver isto, não tive dúvida: "tenho que colocar a matéria inteira no blog".

Abaixo segue uma das fotos (impressionantes) do trabalho de Liu e o texto extraído integralmente do site, nos links ao final do texto há outras imagens feitas na rua:
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O artista chinês Liu Bolin se camufla na paisagem urbana para retratar o anonimato do ser humano. Os trabalhos passam a mensagem, angustiante para alguns, de que o ser humano é um solitário. Críticos de arte também destacam o lado político dos trabalhos de Liu: o de ser "massa" em um país de 1,4 bilhão de habitantes.

Em 2005, ele foi um de diversos artistas que tiveram ateliês fechados pelo governo. O mundo artístico acusa os líderes comunistas de perseguição.

Liu nasceu em 1973, na província de Shandong, no leste da China. Formou-se pela Academia de Belas Artes de Shandong e começou a participar de grandes exposições aos 28 anos.

Feitas a partir de 2006, as fotos da série "Hide in the City" - algo como "Anônimo na Cidade", em tradução livre - catapultaram o artista para a cena internacional.

Ele já realizou exposições individuais na França, Itália e Estados Unidos e suas obras já foram exibidas em algumas das principais galerias chinesas.
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Para se camuflar ao ambiente, são necessárias até 10 horas de pintura corporal. Alguns passantes só percebem sua presença quando ele se movimenta. Para os críticos, o trabalho de Li esbanja uma "força silenciosa".
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A galeria do UOL com 9 fotos do trabalho pode ser vista clicando [AQUI], muitas outras fotos podem ser vistas [AQUI]
Mas a linguagem só é válida se consegue ser entendida pelos demais (aliás, esta é a condição de ser linguagem). E para ser entendida, a linguagem precisa alcançar as pessoas. As vezes bem, as vezes mal, os meios de comunicação fazem esta tarefa. Tão importante quanto falar é ser ouvido - e também saber ouvir!

4 comentários:

Audrey Carvalho Pinto disse...

Caramba.. nunca tinha visto nada desse tipo!!!
inspirador sem dúvida! .. e no mínimo!

léo disse...

E digo mais:

Além de falar é preciso saber falar; e além de saber falar e saber ouvir é preciso querer falar e querer ouvir!!

abraço,

PuLa O mUrO disse...

é Léo, não diria "saber falar", mas "saber dar o recado", que significa saber trasmitir a mensagem para quem você quiser.

E claro: querer falar e querer ouvir são fundamentais!

Abraço,

Júlio Canuto.

Clau disse...

Excelente post!