quinta-feira, 9 de julho de 2009

Parábola do Homem Comum: Tossan Futebol Clube

por Júlio Canuto*
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Sonho e realidade, vida e arte: correndo lado a lado. Futebol: sonho de menino; Sonho: sentimento diagonal de ascensão pela arte; Arte: representação dos sonhos e modelo para a vida; Vida: nossa realidade. E falando em arte, há pintura mais fundamental que um chute a gol, com precisão de flecha e folha seca? Representação da vida que diariamente – e principalmente nos finais de semana – invade campos de terra, ruas de asfalto, quadras, televisão e vira assunto nas ruas, casas e bares.
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Foi com este espírito que em 2003, para aplicar uma firula exata nas adversidades de quem mora na periferia, o Magrão (José Cilfarney dos Santos Borges), formado pelo CREFI (Conselho Regional de Educação Física) no curso de gerenciamento esportivo e arbitragem, iniciou trabalho com o Grêmio Recreativo Conjunto Vila Mara, para atender crianças e jovens, todos moradores do “mutirão” ( conjunto habitacional popular que fica há alguns metros do campo de futebol e do telecentro Vila Mara) e, como ele, apaixonados por futebol. Na paralela do impossível foi um sucesso, o projeto atendeu 70 crianças logo de cara, mesmo sem patrocínio (como estão até hoje): um senhor chapéu para delírio das gerais. Assim, foi ganhando a simpatia das pessoas e até um auxiliar, o Souza (Sants Moreira de Souza), que juntou-se ao projeto. A primeira ajuda externa só viria em 2005, quando o Projeto passou a se chamar Tossan, devido ao apoio da entidade esportiva de mesmo nome que doou o uniforme e algumas bolas.


Segundo Magrão, o ideal do projeto é formar o homem, o ser humano – ensinar valores às crianças, orientá-las para que ‘fiquem longe das drogas” e, depois, mostrar como é a vida dentro de um clube: preparação, convívio, educação e postura, paralisando a canção capenga da falta de perspectivas.

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Para estufar esse filó como Magrão sonha, ele espera que o projeto não pare: “Enfrentamos dificuldades diárias, gostaria que antes dos treinos nossas crianças recebessem lanches, pois muitas delas vêm treinar sem tomar café, ou com uma alimentação insuficiente.
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O jogo é tenso e os comandantes jogam em todas as posições: “ o Souza trabalha como segurança e eu faço ‘bicos’”.
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Hoje, o Projeto ou time Tossan Futebol Clube atende crianças de 8 a 16 anos, com 2 treinos semanais e competições aos sábados. Segundo Magrão, os treinos são compostos de preparo físico, jogo de bola, disciplina, educação, cidadania e “consciência”. Atualmente atendem 50 crianças e jovens, despertando sonhos, dos quais o maior é ser jogador profissional, ter sucesso e dinheiro. Mas o importante mesmo é que não desistam. Todos reconhecem e elogiam o trabalho dos “treinadores”. Por isso estendemos o convite a todos a conhecerem o Tossan F.C. e a emoção de uma idéia quando ginga.

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O Tossan Futebol Clube fica próximo à estação Vila Mara da CPTM, no distrito de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.

*sobre texto de Claudiana Cabral. Grifos: trechos de "o futebol", de Chico Buarque

2 comentários:

léo disse...

Realmente não consigo imaginar um fim de semana sem futebol. Ou tô na quadra jogando, ou na frente da TV, ou no Estádio, ou ainda, nos campos da quebrada vendo jogos das ligas, dessas q interligam as periferias da cidade. E tem um pouco de tudo isso aí mesmo q vc falou, além de ser um exercício físico, um entretenimento e, acima de tudo, uma forma de encontro com o outro.

Será q esses meninos do Tossan FC disputam algum campeonato, alguma liga?

Será q eles teriam um minimo de recursos para uma Oficina de Blogs? rs

abraço!

léo

Clau disse...

Poxa, Júlio! O texto ficou tão lindo quando o sonho dos meninos.
Eu sei que eles disputam campeonatos,sim.Agora não sei dizer qual...

Parabéns, Gol de letra!