terça-feira, 15 de dezembro de 2009

102 anos.

por Júlio Canuto.
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imagem: matéria Band

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Com uma festa discreta, arquiteto Oscar Niemeyer comemorou seu aniversário de 102 anos nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. O arquiteto, que esteve internado em setembro e passou por duas cirurgias, falou sobre como se sente em relação à idade atual. "A gente olha para trás e vê tanto trabalho. A vida é complicada demais. Passo por ela sem problemas, felizmente. O homem tem que ser fraternal. Temos que olhar o outro e caminhar junto. Sou igual aos outros. Não vejo nenhuma qualidade demais em mim não. Apenas trabalhei e tive algumas ideias aproveitadas", disse. Niemeyer ainda tentou ser humilde na cerimônia: "apenas procurei ser útil". (leia mais: aqui)

102 anos e a todo vapor, lúcido, cheio de idéias!

Esse dias estava conversando com uma amiga sobre uma apresentação do Paulo Vanzolini (sambista e biólogo). No show, ele só acompanha, e de vez em quando fala da história de uma música, ou recita alguma poesia. Pensamos: para alguns pode até parecer deprimente ("por que ele não se aposenta?"), mas imagine você com um vigor mental desse? A única limitação são os movimentos físicos.

Infelizmente nossa sociedade ocidental não valoriza a experiência destas e outras tantas pessoas, não valoriza a vivência. Se tivermos mais atenção, veremos que as tradições de algumas etnias indígenas estão preservadas, apesar de todos os contratempos, justamente porque há a tradição de transmissão cultural oral, com a valorização dos mais velhos, que VIVERAM a história do grupo.

Nossos costumes e valores voltados apenas para a estética do vigor físico (e não mental) e as inúmeras (e louváveis) tecnologias acabam por excluir esta importante figura social, criando-se espaços exclusivos (preste atenção no termo: EXCLUSIVOS) para os velhos.

No entanto, se pararmos um pouco para pensar, quantas histórias boas já ouvimos de avós. Em geral, todos têm boas recordações e aprendem coisas importantes com os avós. São pessoas mais tranquilas, pacientes. Eu mesmo, sem ter conhecido nenhum dos meus avós, publiquei ha alguns dias uma postagem com uma história do meu avô.

Esta imagem só não pode ser classificada como contraditória porque, em geral, as pessoas designadas para receberem (e dar atenção) aos avós, são os netos, enquanto crianças. As quais também são tidas pela sociedade como sujeitos a serem cuidados, protegidos, sem autonomia.

Pra não perder o costume, indico "A solidão dos moribundos", de Norbert Elias. [aqui, uma resenha]

No mais, parabéns ao Niemeyer e a todas as pessoas de 100, 90, 80, 70, 60....

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