terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E mais um ano se inicia

por Júlio Canuto
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E mais um ano se inicia...agora é 2010.
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Caramba, 2010!!!! Ainda lembro muito bem da festa - equivocada - de 1999 para 2000 e - aí sim - de 2000 para 2001. Novo século, novo milênio... e já estamos no ultimo ano da primeira década daquele novíssimo século, milênio etc...
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Ano passado fui à praia, que estava muito suja, com os carros com os alto-falantes na potência máxima com seus funks. Tirei várias fotos onde se mostrava a irresponsabilidade dos turistas, que enchiam a praia de lixo. Não fosse a companhia dos meus mais antigos e queridos amigos, que fizeram tudo isso ser superado, teria sido um final de ano ruim.
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Neste ano fui novamente para o litoral, mas para outra praia. À convite do amigo Beto, fui para o Bonete, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Um lugar tanquilíssimo!

Deixo abaixo trecho do artigo de Ignácio de Loyola Brandão sobre o Bonete, no Estadão de 25/01/2008, intitulado A luz impressionista do Bonete, acompanhado de algumas imagens (clique nas fotos para ampliá-las):



O Bonete
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O Bonete é um paraíso protegido, está preservado, o acesso não é fácil. Aqui os caiçaras, cerca de 80 pessoas, procuram manter usos e tradições como a festa de São Sebastião, o padroeiro, com novena, bingo e Bate o Pé (baile), onde recuperam músicas tradicionais como o fandango, a canoa e outras. É um Brasil que ainda existe e é forte. Na festa servem batatinha ao vinagrete, doce de mamão caseiro e 'consertada', pinga trabalhada com açúcar queimado que desconserta. Há também a tradicional Corrida das Canoas, que empolga com as mulheres torcendo pelos maridos barqueiros. Depois, eles torcem por elas, a corrida feminina é disputada e divertida, cheia de risos. Considerei-me privilegiado: Ana Rosa, a professora, e Andréa, do Barcoiris, me escolheram para entregar os prêmios.

Há aqueles que chegaram nas últimas décadas, não caiçaras que compraram ou construíram casas debaixo de normas hoje severas. Agora, o Bonete é intocável. Casas confortáveis, bem projetadas, mas simples. A maioria fica escondida, chega-se a elas por meio de trilhas em meio à mata. À noite, o único poste da praia tem uma luz amarelada, melancólica. É mais um referencial. As pessoas andam com lanternas. Pouquíssima gente circulando, dorme-se cedo. Deserto, silêncio. Faz uma semana que estamos aqui, não vimos televisão, não ouvimos rádio, não tem jornal, não colocamos sapatos.

Nos primeiros dias havia algo estranho. Logo percebemos, era a praia vazia, nenhum vendedor de sorvetes, de óculos, cangas, redes, cedês piratas, empadas, pastéis, cervejas, refris (implico com essa palavra), nenhum som, funk, punk, reggae, pagode. Nem lixo, latas de cerveja, palitos e papéis de sorvete, restos de comida. O silêncio é cortado pelo fluir e refluir do mar, pelos nossos passos na areia, pelos pássaros. Ou pelos trovões, a chuva quando cai é pesada. Pela manhã, o Fogo Apagou dá o sinal de despertar. À noite é o sapo martelo que avisa: preparem-se para o sono. Um lugar em que ninguém desfila, ninguém se exibe, ninguém é célebre, ninguém tem o andar de praia, nenhuma tendência de moda é exibida. Os locais comentam, rindo, que famosa âncora de telejornais alugou uma casa aqui. A todo momento comentava com os empregados: 'Não me venham pedir autógrafos, não vim aqui para ser perturbada, quero ter sossego.' Teve. Ninguém a reconheceu. No Barcoiris (vejam a poesia do nome), a caipirosca é honesta, a lula a doré generosa, o cação crocante e a cerveja geladérrima. Na venda, marcam-se as compras na caderneta. Você pode se submeter ao teste de resistência física percorrendo a trilha que vai do Bonete à cidade vizinha, onde muitos se abastecem. A trilha tem sete quilômetros, por dentro da mata, pelos morros. Fizemos em 56 minutos calçando havaianas. Os caiçaras, descalços, fazem em 35. Sobe e desce, curvas e curvas, degraus, ladeiras lisas, penso em um amigo, o Marinho Boschiero, do DER, que, bem-humorado, adoraria colocar placas como declive perigoso, curva acentuada, pista escorregadia, trecho sem acostamento, desça engrenado. A trilha nos envolve em frescor, nos possui com o cheiro forte e espesso da vegetação. Aqui e ali de fontes naturais jorra água cristalina. Boa para beber e esfriar a cabeça. Que o homem defenda e Deus proteja o Bonete.

A vista, da varanda da casa

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Guaiamuns que nos abrem caminho até o bar...
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O Barcoíris, de fora...

...e por dentro
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Jaca pela trilha..............A Rê, pegando pitanga
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e tomando sol
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os barcos logo pela manhã
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os turistas - com seus chapéus - esperando um barqueiro
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o mais novo visitante (eu) e o mais antigo morador: Seu Hilário, morador do Bonete desde 1932



QUE FAÇAMOS 2010 VALER A PENA!

2 comentários:

panoptico disse...

Muito legal. Estive lá uma vez e adorei o lugar, mas fui praticamente só para fazer a trilha fora de temporada. Vi esse bar, mas estava fechado.

Então rola pousada ou aluguel de casa para ficar uns dias por lá? Não sabia...

abraço!

PuLa O mUrO disse...

Valeu pelo comentário.

Não há pousadas lá e o aluguel de casa foi só porque é de um conhecido ou parente.

Abraço!