quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel

por Júlio Canuto..

No ultimo mês de junho, viajei ao Rio de Janeiro a passeio. Fui a Copacabana e assisti num bar o empate sem sal de Brasil e Portugal. Jogo feio! No dia seguinte, um sábado de muito calor, subi a Santa Teresa e tive o prazer de, enfim, conhecer a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), que na minha outra passagem (de 1 mês!) pela cidade maravilhosa não tive oportunidade.
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Já escrevi em outras postagens sobre cordel, divulgando a própria ABLC, quando realizou o Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria. A ABLC foi fundada em 7 de setembro de 1988, no Rio de Janeiro, com apenas três cordelistas que compunham a diretoria: o presidente, Gonçalo Ferreira da Silva, o vice, Apolônio Alves dos Santos e o diretor cultural, Hélio Dutra. Apenas em 1990, porém, consolidou-se o quadro acadêmico, ano também em que Umberto Peregrino, então Diretor da Biblioteca do Exército e fundador da Casa de Cultura São Saruê, grande amante da Literatura de Cordel, conhece Gonçalo Ferreira da Silva, surgindo desta amizade a idéia de fazer a transferência do acervo cultural de São Saruê para a Academia.
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"Tocados, naturalmente,
por pensamento divino
o presidente Gonçalo
e o general Peregrino
fizeram São Saruê
e nossa ABLC
unidas num só destino.
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A solene transferência
do acervo cultural
de São Saruê foi feita
pelo próprio general
numa sessão ordinária
foi tornada oficial."

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Na chegada à ABLC, vê-se apenas uma pequena “garagem” onde estão expostos inúmeros cordéis. Ao entrar na ABLC, porém, entra-se numa riquíssima história sobre o cordel. Na ocasião da minha visita, encontrei o Sr. Gonçalo sentado em frente a sua máquina de escrever, fazendo um cordel de seu projeto “Ciência em Versos de Cordel”. Ele nos recebeu muito bem, e sua esposa, violeira, nos levou para conhecer a Academia, no andar de cima.
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Lá está o Museu da Literatura de Cordel, onde há inúmeros materiais utilizados na confecção dos folhetos, desde um prelo de 1880 e os tipos (as letrinhas) utilizadas para impressão; madeiras talhadas para xilogravura; até máquinas de escrever utilizadas por vários poetas.
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Há também o Centro de Pesquisa e a Cordelteca Umberto Peregrino. No primeiro, um vasto acervo histórico sobre a literatura de cordel, no segundo, uma coleção com mais de 13 mil títulos.
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Levei alguns cordeis que sobraram da coleção de meu avô. O Sr. Gonçalo disse: "rapaz, isso é muito antigo. É do tempo em que Satanás era menino". Ele me explicou detalhadamente sobre os tipos de cordeis, os projetos que estão realizando e onde tem ido divulgar o trabalho da Academia. Pra mim, que tenho uma especial relação com a literatura de cordel, já contada em outra postagem (As traças cordelistas), foi muito gratificante este contato.
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Visitar a ABLC é conhecer a fundo uma parte da história brasileira, através de uma arte nossa, pois se a forma veio de fora, aqui ela foi adaptada, tornou-se brasileira, e há 22 anos vem sendo muito bem preservada e divulgada por este espaço.
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Veja abaixo as fotos da visita à ABLC (clique na imagens para ampliá-las)*:


ABLC, a partir da Rua Leopoldo Fróes, em Santa Teresa, RJ.



O Museu da Literatura de Cordel, as máquinas utilizadas por vários poetas e as madeiras para xilogravura.
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Prelo de 1880
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Tipos para impressão dos folhetos.
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O Centro de Pesquisa...


e a Cordelteca Umberto Peregrino
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Fim da visita.
Júlio, com o poeta Gonçalo Ferreira da Silva e sua esposa


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Visite o site da Academia Brasileira de Literatura de Cordel:
http://www.ablc.com.br/index.htm

*Todas as fotos: Regiane Santana.

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