quinta-feira, 14 de abril de 2011

Marte? Não, é Fortaleza mesmo!

por Roberto Tristão

Cada vez que transito pelas ruas da capital do Ceará, mais impressionado fico com o descaso da prefeitura em relação à conservação das ruas. Eu ainda não encontrei, nesses quase seis meses morando em Fortaleza, uma rua bem conservada e sem buracos. A cidade hoje é um canteiro de obras, mas o que poderia representar melhorias, na verdade se trata de uma operação para tapar os buracos. Como se não bastasse, os serviços realizados pela prefeitura são de péssima qualidade. 
Fonte: UOL

As ruas somam tantos problemas que hoje fica impossível imaginar uma solução no curto prazo. Alguns desses buracos são verdadeiras crateras, e não há, na maioria deles, sinalização para avisar os motoristas e motocicletas. Os últimos mencionados sofrem ainda mais, e escrevo isso baseado em experiência própria. Corro sério riscos quase diariamente percorrendo as ruas da cidade, como por exemplo, as bocas de lobo destampadas. Em dias de chuva, elas ficam entupidas ao ponto de transbordar, encobrindo-as, impossibilitando identificá-las.
Fonte: UOL

Essa situação mais do que caótica na cidade abriu uma briga declarada entre as esferas estadual e municipal. De um lado a CAGECE (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), do Governo do Estado; de outro, a Prefeitura. A prefeita Luizianne Lins, do PT, e o atual governador Cid Gomes, do PSB, que já foram aliados, hoje estão próximos de saírem no tapa. Recentemente a prefeita reuniu sua equipe para tratar do problema e ameaça romper o contrato com a companhia, que está em vigor ha mais de 40 anos (com validade até 2033), caso as soluções e as medidas adequadas não sejam colocadas em prática o mais breve possível pela CAGECE. Ainda segundo ela, entre 60 e 70% dos buracos na cidade hoje são de responsabilidade da CAGECE.

O fato é que nenhum órgão municipal sabe informar com precisão qual é a verdadeira situação da cidade em relação a esse problema, e enquanto isso não acontece, a Prefeitura segue notificando e multando a CAGECE. Além disso, enquanto não solucionam os problemas, além das multas e notificações, a atual prefeita estuda junto com a sua equipe, criar uma empresa Municipal para assumir tal responsabilidade. Por outro lado, a CAGECE alega que a sujeira acumulada nas vias públicas, lançada normalmente pela população mal instruída vem entupindo as galerias pluviais e as tubulações subterrâneas, sobrecarregando o sistema de esgoto da cidade, provocando as crateras nas ruas. O argumento é até plausível, pois de fato, muitas pessoas sujam as ruas. Porém, na minha modesta opinião, isto não justifica tal situação. A culpa pela atual situação é de ambas esferas administrativas.

O fato é que enquanto o poder público discute de quem é a conta, mais uma vez a população vai sofrendo. Muitos acidentes, alguns ocasionando morte, carros danificados, pessoas impossibilitadas de trabalharem, etc. E o problema continua aumentando... Até quando, eu sinceramente não sei. A julgar pelo histórico do poder público e da minha experiência de vida, acho que nem tão cedo.

E quem paga pelo prejuízo do cidadão? O Estado? O Município?

Pagamos impostos e diariamente somos lesados e prejudicados, e na maioria das vezes não temos a quem recorrer. O mínimo que poderíamos imaginar em uma situação como essa, seria levar as contas dos prejuízos para os responsáveis pagarem (seja quem for). Mas imaginem vocês se cada indivíduo lesado movesse uma ação contra o Estado. Acho que imaginar Estado de Direto ideal seria mais ou menos por ai.

Recentemente, todos nós acompanhamos os problemas enfrentados pelo Japão, resultado da catástrofe natural que assolou parte do país. Acompanhando algumas notícias me deparei com uma que chamou a minha atenção: a recuperação de uma rodovia em apenas seis dias, como mostra as imagens abaixo. É “quase igual aqui”.

Rodovia japonesa logo após o terremoto.

Seis dias após o terremoto, totalmente reconstruída.
Fonte: Blog da Folha
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Fonte do artigo: FERNANDES, Kamila. Buracos de Fortaleza causam crise política entre Cid Gomes e Luizianne Lins. Política. UOL Notícias. 07/02/2011.

Roberto Tristão, paulistano, é sociólogo e trabalha com geomarketing. Morador de Fortaleza há seis meses, é o mais novo integrante do Pula o Muro, e trará notícias sobre o nordeste brasileiro, dentre outras coisas.

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