quinta-feira, 28 de abril de 2011

O mundo global visto do lado de cá (documentário)

por Julio Canuto
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Desde 2009 várias coisas têm passado pela minha cabeça. São turbilhões de experiências, dúvidas e certezas, medos e convicções que fazem parte da minha relação com o local e período histórico que vivencio. Talvez seja a tal crise dos 30 anos, momento no qual, dizem, repensamos nossas vidas e o sentido das coisas que estamos fazendo, revemos nossos objetivos e por aí vai. Dizem também que muitas pessoas acabam trilhando outros caminhos, buscam uma nova profissão ou adotam novo estilo de vida. De fato, confesso que nestes períodos de debate interno tenho me encontrado, se assim se pode dizer. Embora as vezes tenha me sentido perdido, percebi que fiz escolhas certas. Portanto, me convenci de que o caminho que segui é mesmo o que eu deveria ter seguido.
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Não consigo enxergar-me individualmente, como ser único, mas apenas na teia de relações que formam a minha vida, assim como cada um de nós. Não optei por carreira, por profissão ou qualquer coisa do gênero. Optei pelo conhecimento, pela descoberta. Enxergar-me dentro deste processo, entender suas causas, compreender as diversas visões sobre histórias semelhantes, bem como os conflitos que estas diversas visões causam. Aí está a experiência do aprendizado da vida. Conhecimento compartilhado. Verdades complementares. Felizmente este processo se enquadra num ramo de atividade.
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O documentário que apresento a seguir mostra as idéias de um autor que é referência em minha vida pessoal e profissional, exatamente pelo poder de compreensão da realidade: Milton Santos.
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Em O mundo global visto do lado de cá (Silvio Tendler, 2006), o geógrafo Milton Santos, em entrevista no ano de 2001, expõe sua visão a cerca da globalização e como esta influencia na vida dos povos, revelando-a como fábula, como realidade perversa e como possibilidade. Mostra também a reação das populações em diversos países da América Latina, da África e da Europa. Em meio a este conflito, a utilização das tecnologias (ou das técnicas) como alienação através da mídia e do incentivo ao consumo desenfreado, bem como motivadora da troca de informações entre grupos, promovendo o exercício da cidadania por meio destas mesmas ferramentas da cultura de massas.
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Outra grande contradição de nosso tempo mostrada no documentário é o livre trânsito das grandes empresas entre países, que mudam-se de uma região para outra do globo atrás de menores custos para a produção de seus produtos, ou mesmo a produção de um mesmo produto fragmentada por diversos países e, diferente dessa ausência de fronteiras para o grande capita,l a barreira aos trabalhadores que tentam fugir de seus países e de seus míseros salários em busca do sonho da prosperidade na Europa e EUA. Neste momento é questionado se os jovens, que gastam sua energia arriscando suas vidas nestas perigosas travessias, não poderiam gastá-la para mudar a realidade em seus países. A aposta de Milton Santos é de que averdadeira mudança só poderá vir de baixo pra cima, pois é esta parte da população que mais sofre com a fábula da globalização.Vendo os atuais acontecimentos no mundo árabe e as manifestações e articulações via web, notamos que o pensador tinha razão.
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O centro do mundo está em todo lugar. O mundo é o que se vê de onde se está.
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O vídeo foi extraído do site www. archive.org. É para assistir e guardar.
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De Silvio Tendler.
Duração de 1h30min.
Ano de produção: 2006.

Encontro com Milton Santos. O mundo global visto do lado de cá.

Um comentário:

brunabora disse...

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