terça-feira, 12 de abril de 2011

Reflexões sobre o episódio de Realengo

por Leonardo André

A humanidade tem umas coisas que são meio dificeis de se compreender, não é mesmo? O episódio do massacre na escola em Realengo é uma dessas tais coisas que, além da repulsa, me causam profundo constrangimento por fazer parte da espécie humana. Eu me pergunto, que porra de espécie do caralho é essa que trucida sua própria prole? E mais, quais seriam os mecanismos metafísicos que ofuscam nossa percepção à tal ponto? Tão inteligentes quanto auto-destrutivos, nós somos uns idiotas. É bizarro demais, é inconcebível.

Nosso mal é pensar? A inteligibilidade é o que nos ferra?

Sim, porque nunca vi uma mula cometendo um latrocínio, matando outra mula para roubar qualquer coisa, por exemplo. E olha que as mulas agem sem raciocinar, não refletem sobre seus atos. O problema só pode estar na cachola. Ou melhor, no que passa por nossa cachola. Em que estaríamos pensando que não nos damos conta do absurdo escancarado?

E se sucedem as cagadas. Candelária, Onibus 174, Tim Lopes, Vigário Geral, Carandiru, Carajás, Pataxó, Nardone, Eloah, Mércia, Richthofen... clássicos modernos do horror real.

Onde a sociedade falhou? Onde cada um de nós continua a falhar?

O que está ocupando sua mente que o leva a relegar a Vida para um segundo, terceiro plano?



Capa da edição de sexta-feira 08/04/2011 do jornal carioca MeiaHora.

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Um comentário:

Lu disse...

Disse tudo: parece que o mal está mesmo em pensar, raciocinar. Prova disso é que a maioria dos casos que você citou foram premeditados, o que requer inteligência, astúcia, raciocínio lógico, rápido. Dá preguiça da humanidade, né? =/