quarta-feira, 15 de junho de 2011

Bicicletas, o debate


Em resposta ao texto As bicicletas no trânsito de São Paulo*, publicado no Blog de Rogério Baptistini.
 por Leonardo André

É muito fácil dizer que é necessário menos paixão e mais razão quando formos discutir o uso das bikes como meio de transporte. É uma forma de desqualificar quem defende essa idéia. Para começo de conversa, é óbvio que os motoristas devem prestar atenção em tudo, o tempo todo, enquanto estão guiando. Quem não tem essa noção, é melhor deixar o carro na garagem. O condutor deve estar atento aos pedestres, motos, carros, bicicletas ou qualquer outro veículo com quem divida espaço na via.

As pessoas não têm essa noção, mas a rua não é exclusividade de veículos motorizados. Se é perigoso, o é pelo despreparo dos condutores e de qualquer um que utilize a via.


O Sr. Antonio Bertolucci tinha total direito de uso da via e total direito de ter seu espaço respeitado (os veículos motorizados devem guardar uma distância de 1,5 m ao ultrapassar um cilcista).

De qualquer forma, até que fique tudo esclarecido trata-se de uma fatalidade.

Em seu texto, Rogério diz que é necessário uma reflexão mais profunda sobre o assunto, e ele está coberto de razão!

Mas dizer que São Paulo é uma metrópole não planejada e com topografia difícil é um argumento um tanto vago. Para dirigir-se ao trabalho de bicicleta basta uma bicicleta e saber utiliza-la, assim como ter noção dos riscos e deveres de um condutor qualquer. Além disso, conhecer rotas alternativas, com menos subidas e menos tráfego, claro, ajuda muito, além de ser o mais prudente.

Outro argumento sem força é que a maioria dos trabalhadores não tem, em seus locais de trabalho, vestiários para o banho necessário após pedalar longas distâncias em meio à poluição dos automóveis. A poluição atinge a todos: quem anda de ônibus, quem anda de carro, quem usa metro, ou seja, qualquer um que viva numa cidade poluída como São Paulo. E só está livre de suor os bacanas e seus veículos com ar condicionado.

"Nossa cidade necessita é de transporte coletivo de qualidade", ele diz em seu texto. Oh, descobriu a roda! Mas o problema é quem vai fazer isso. O PSDB? Já estão atrasados desde que assumiram o poder no Estado há uns 20 anos!

São Paulo é mais difícil do que parece. Mas mudar mentalidades sem levar tiro de borracha e gás de pimenta na cara é bem mais difícil por essas bandas.

E quanto ao motorista do ônibus, ele cometeu sim um assassinato, mesmo que culposo e não doloso.

Penso que a questão fundamental a ser discutida é a do respeito que devemos uns aos outros em todos os âmbitos da vida em sociedade. No caso em questão, precisamos aprender a ter cuidado não apenas conosco, mas com aqueles com quem dividimos espaços nas ruas. Lembrar sempre que, quanto maior o risco, maior o cuidado que devemos ter. Cuidado à nós, claro. Mas cuidado também ao ser humano ao nosso lado. E esse cuidado com o outro é que está cada dia mais escasso.

Se quisermos começar alguma mudança, a única forma que vejo, é com muito trabalho de conscientização.  Respeito ao ser humano é essencial.

Espero que esse debate esteja apenas começando.


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*Leia o texto As bicicletas no trânsito de São Paulo


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