sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pula o Muro - Ano VI

 por Leonardo André

O Pula o Muro chega aos 6 anos de vida esse mês. Nesse mesmo mês, só que há 10 anos, a humanidade assistiu ao maior atentado terrorista de sua História – quer dizer, maior em termos midiáticos, já que o Holocausto e a Segunda Guerra, por exemplo, foram absolutamente muito mais terroristas do que qualquer outro ato terrorista da História. Naquele 11 de setembro o mundo todo viu em tempo real a queda das torres gêmeas no coração dos Estados Unidos, a maior potência militar do globo.

Mas o que os atentados em Nova Iorque tem a ver com a existência do blog? Falando por mim, bastante. Lembro que em 2001 eu estava no cursinho, pensando em que deveria me formar. As discussões levantadas nas aulas de Geopolítica após o atentado foram cruciais em minha decisão de estudar Ciências Sociais. Três anos após ingressar no curso convidei o grande amigo Julio Canuto para dividir o espaço e as idéias em comum.

Hoje, sequer nosso título preserva o mesmo significado que o blog teve, pelo menos para mim, em seu início. A metáfora de pular o muro da Academia para libertar as idéias de limitações próprias das relações de compadrio e peleguismo acadêmico ganharam novas dimensões.

Penso agora:

- Há tantos outros muros a serem pulados!

A Academia é muito mais insignificante do que os doutores, formados em suas fileiras, suportariam um dia reconhecer.

Deixei de resumir nossa temática à tão ínfima questão.

Ainda assim, às vezes, é bom lembrar a esses brilhantes diplomados que a vida ocorreria mesmo que nunca tivesse surgido um único pensamento. A vida ocorreria mesmo que nunca tivéssemos aparecido nesse canto perdido do universo, num corpo celeste qualquer no nada espacial como o é a Terra. Muito pelo contrário, ora essa! Todas nossas ambições/frustrações é que perpetram e perpetuam a destruição que assistimos e que são resultados diretos do ato de pensar.

Lembremos ainda que, no limite, o ser humano poderia (e pode mesmo) exterminar sua própria espécie, iludido por seus ideais. E sem que a vida deixasse de ocorrer por isso.

Portanto, os muros sempre existirão enquanto houver ao menos um homo sapiens vivo para erigi-los. E é importante saber que esses muros existem e que através desses muros é que se faz possível a construção de uma casa. Essa casa é nossa sociedade, nossa civilização.

Digo isso, pois, por mais revolucionário que se acredite, um ideal jamais deixará de ser apenas mais um tijolo nessa construção. Caso não encontre eco, mesmo o ideal mais revolucionário será totalmente abafado e sumirá como se nem tivesse existido. Caso reverbere, nobre [ou não] esse ideal logo erguerá mais uma coluna na interminável obra humana em meio ao acaso universal.

Exemplos? A História está repleta. Os bonzinhos e os maus já proporcionaram belos e horríveis episódios [nem sempre nessa ordem, e vice e versa] durante o processo civilizador.

Todas as merdas que vemos diariamente pelo mundo afora – guerra, corrupção, desigualdade, destruição do meio ambiente etc. – retratam fielmente a porcaria de sociedade que o ser humano é capaz de produzir.

Capacidade para fazer diferente? Sim, nós temos.

Para tanto, é preciso reconhecer o lado destrutivo das idéias, do conhecimento. Embora muita coisa boa venha sendo realizada (e o princípio deste blog é retratar algumas), enquanto houver discórdia e guerra, a empreitada humana persistirá no fracasso. Mudar a forma de agir, contudo, é o desafio, o grande muro a ser pulado. Tão grande que, se um dia for superado (... e eu disse ‘se’) tenho apenas uma certeza, a de que algumas centenas de séculos nos separam desse dia.

Porque o ser humano ainda é burro pra caralho ignorante demais para reconhecer que nada sabe. E que é por causa disso que está na merda que está.

***

Um comentário:

Beto Tristão disse...

Grande Leo
ficou dcaralho o texto meu chapa. Muito bacana mesmo.

E é o grande desafio mesmo, continuar pulando os muros. A bronca é justamente aceitar que somos completos idiotas e que seguimos fazendo tudo errado.

Umas das coisas que a história nos proporciona (pelo menos na teoria) é fazer diferente tudo aquilo que deu merda no passado. Infelizmente ignoramos essa possibilidade e continuamos fazendo errado, ignorando todo o processo que já foi feito e as coisas que foram testadas.