quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ocupe Wall Street e etc.

por Leonardo André




Pra ser sincero eu não tenho uma opinião formada sobre essas mobilizações O. No Brasil então, piorou... Mas de forma geral, sob a ótica dos conhecimentos e discussões que vi na graduação e, principalmente na pós, o que vejo é uma crise de paradigmas. Estamos vivendo o olho do furacão. É como se eu percebesse uma Era sobrepondo outra. Até o fim do século XX o mundo estava 'acostumado' com a situação polarizada entre EUA e URSS, Liberalismo e Comunismo. As fronteiras eram claras, era preto no branco.

O início do século XXI é marcado pelo 'liberou geral' ou como diria Freud, mataram o Grande Pai. 'Tá todo mundo perdido, sem os tantos limites que havia antes. Essas mobilizações demonstram isso claramente. E agora? O que esse povo quer? Em Wall Street os banqueiros devem rir dos manifestantes passando perrengue na praça, afinal em seus gigaiates a festa continua rolando solta. A primavera árabe 'tá trocando seis por meia duzia. Saiu o Kadafi e vai entrar quem? Maomé? Democracia xiita existe? Democracia islamica? E no Brasil, vão salvar os indios? Vão matar o Sarney?

Então, no fim das contas, vejo um monte de gente procurando respostas. É que está dificil de saber como levar a vida. É muita publicidade, muita ilusão... A mídia vende uma realidade distorcida a contento de seus próprios interesses. E as pessoas compram tudo, quase sem questionar. Quem não compra isso, compra aquilo. A mídia é uma grande feira, vende de tudo e pra todos. Quer violência? Tem. Quer glamour? Tem. Quer ódio? Tem. Quer amor? Tem também. Tem miséria, tem riqueza, tem criação, tem destruição, tem inveja, tem altruísmo, tem vitória, tem derrota. Inclusive, você pode comprar uma mascara do V e ser revolucionário também, veja só!

Televisão, internet, rádio, jornal... estamos conectados uns 95% do tempo. Se bobear, até os sonhos, enquanto dormimos, são contamindados pela mídia, pela publicidade, pela ilusão que essa porra toda vende. Nesse mundo da informação nossa mente fica a mercê da criação dos departamentos de propaganda e marketing.

Acredito que esses movimentos são muito bons para aqueles que participam. É uma grande experiência coletiva. Principalmente se levarmos em conta a tendência ao isolamento social proporcionado nas grandes cidades. As pessoas estão conectadas ao mundo inteiro mas não conhecem os vizinhos. Lembrando também que balada de segunda a segunda não significa estar próximo de outras pessoas, apesar da proximidade física entre tais (ou então os congestionamentos seriam o ápice da sociabilidade e da coletividade!). Sendo assim, compartilhar uma praça, mesmo que por apenas alguns dias, com um bando de desconhecidos, pode ser considerado uma oportunidade e tanto para essas pessoas.

Mas essas pessoas são apenas uma pequena parte da humanidade. E 99% é muita gente pra juntar. E o restante da massa, o que está fazendo nesse exato momento? Correndo atrás de trampo? De casa pra morar? De hospital? De escola? Vendo fotos no face? Trocando ideia no msn? Rezando? Fornicando? Cometendo delitos? Corrompendo? Sendo corrompido? Fazendo o bem? Fazendo o mal? Tudo isso? Nada disso?

Bom, somos livres, viva o Capitalismo!

Só que a liberdade tem um custo e o sentir-se perdido ou angustiado no mundo livre está incluso no preço.

Se está afins de mobilizar-se, mobilize-se, eu apóio!

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