quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sobre a ocupação da USP

por Leonardo André


Batalhão de Choque foi acionado para por fim à ocupação. Foto: Folha.Com

A ocupação das dependências da reitoria da USP deu o que falar. No facebook vi colegas e professores romperem relações (ao menos as virtuais) por divergirem quanto à permanência ou não dos gambé na segurança do campus. Ninguém me perguntou, mas resolvi dar minha opinião...

Quem está mais próximo ao movimento estudantil sabe que o problema não é apenas os estudantes pegos fumando maconha no estacionamento da USP. Não é de hoje que a relação entre estudantes e Policia é espinhosa. Aliás essa treta é histórica. O problema é que nem todos entendem que o pensamento nunca foi exatamente livre nesse país, mesmo do lado de dentro dos muros da Universidade. Sem uma cobertura mais profunda de episódios como esse é muito fácil essa rapaziada engajada pagar de playboyzinhos mimados que querem fumar maconha a salvo do papai e da mamãe. É óbvio que a opinião pública vai interpretar os fatos a partir das imagens amplamente divulgadas das paredes pichadas, das viaturas quebradas, das ganhafas de bebida alcoólica espalhadas pelas dependências dos prédios ocupados, dos molotovs etc. Com rostos cobertos tal qual presos rebelados passam uma imagem bastante negativa para quem não compartilha de suas posições políticas. Por isso acredito que essa rapaziada precisa ser mais esperta, talvez tenham que sair um pouco do casulo, dos diretórios acadêmicos. O melhor aliado para suas causas deve ser a opinião pública. Sempre. E invadir e depredar não é, definitivamente, o melhor caminho para se aproximar de quem está além dos muros. Melhor seria se tivessem organizado um grande acampamento como ocorre em Wall Street, levantando bandeiras com suas propostas de mudanças, com suas demandas, sei lá... enfim, qualquer coisa que pelo menos não queimasse tanto o filme perante a opinião pública. Da forma como a parada toda se encaminhou, nosso querido governador ainda ganhou pontos com o eleitorado e a PM despreparada para conviver com estudantes provavelmente vai continuar lá, pois esse é apenas mais um entre tantos paliativos que o poder público mete goela a baixo dos telespectadores do Jornal Nacional. Marcelo Rubens Paiva colocou muito bem o problema ao dizer que “foi a reitoria da USP que pediu que a Linha Amarela do metrô, ainda na prancheta, não passasse pelo campus, alegando questões de segurança. No projeto original, as estações seriam na Praça do Relógio e no HU (Hospital Universitário). Construíram no Butantã. Os milhares de alunos, professores, funcionários e visitantes que circulam diariamente pela maior universidade da América Latina são obrigados a caminhar mais de 1 km até a portaria da instituição”. 

De qualquer forma, é errando que se aprende e Univesidade é um bom lugar pra aprender, não? Mesmo não concordando com o modus operandi, ainda prefiro ver gente incomodada do que gente acomodada.

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Um comentário:

Julio Canuto disse...

Já "curti" no FB e agora comento aqui. Você tocou no ponto mais importante, a meu ver: movimentos que não dialogam com a opinião pública e que acabam sendo um prato cheio para a conhecida repressão a movimentos sociais por parte do governo.

O pior é que todo esse desgaste não gera mudanças profundas porque sempre se cai na história do Contra x A Favor; Certo x Errado; Bonzinho x Malzinho. Daí fica uma guerra de surdos. É como diz a letra de Itamar Assumpção:
"Aprendi que a desavença é por que sempre
Alguém pensa
Que ninguém mais tem razão"