segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ideias para a Educação II - Finlândia

por Julio Canuto

O segundo episódio da série "Destino: Educação. Diferentes países. Diferentes respostas" mostra como a Finlândia, terceira colocada no PISA, trata a Educação. 


Surpreendentemente, a organização escolar na Finlândia é até parecida com o Brasil: universalidade da educação, escolas de qualidade perto das residências (ou com transporte), refeição e material gratuito. A diferença fundamental é expressada na fala de uma estudante, quando fala sobre seu país: "as coisas funcionam como devem funcionar". 


Os entrevistados afirmam que a qualidade do ensino é muito alta e gratuita e que todos têm o mesmo padrão de ensino: 98% dos estudantes estão em escolas públicas, e mesmo as particulares devem seguir o padrão da escola obrigatória. 


Praticamente não há diferenças de classes sociais, então as pessoas não buscam a ascensão em primeiro lugar (não há grandes pressões para alcançar maior status social), nem a colocação no Ensino Superior é o objetivo maior.


Sobre a rotina dos alunos, os entrevistados relatam que não há pressão sobre os alunos pela escola e nem dos pais. O tempo na escola não é tão longo e os alunos são independentes. Até mesmo alguns pequenos problemas que temos aqui, como o uso de celular em sala de aula, é comum na Finlândia. 


Há educação especial para alunos mais fracos, e isso é tido como um dos motivos para o bom desempenho no PISA.


Especificamente sobre o sistema educacional, chama a atenção o fato de que os professores devem ter mestrado (pelo menos), norma que começou a ser implantada nos anos de 1970. Apesar disso, os salários não são muito altos se comparados com as exigências. Um professor chega a falar que sua rotina é "desgastante". Apesar disso, é um trabalho estável e por isso bastante procurado. A formação de professores é mais procurada que a de médicos, com cerca de 20 a 25 candidatos por vaga. 


Na prática do trabalho, os professores têm autonomia, e não há um controle sobre eles. Possuem poder de decisão, embora haja uma diretriz nacional.


Socialmente, a carreira de professor é bem vista. A Educação está apoiada no bom padrão de vida, em um país pequeno, igualitário, com boa qualidade no Ensino Fundamental, boa formação dos professores. Mais importante, a Educação é um fator de mobilização social, vista como único caminho para o desenvolvimento social. Porém - e também por isso - há forte preocupação sobre a possibilidade de desigualdade social, com o reconhecimento de que ainda há falhas no sistema, tais como a falta de educação continuada; cortes no orçamento; e em alguns casos, material desatualizado.


Interessante notar a característica de civilidade, típica dos países frios, na fala de um dos entrevistados: as pessoas se ajudam apesar de não serem muito sociáveis".


Por fim, vale resgatar as palavras de Pasi Sahlberg, diretor de um centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação da Finlândia e autor do livro "Finnish lessons: what can the world learn from education change in Finland?" (que em uma tradução livre para o para o português significa "lições finlandesas: o que o mundo pode aprender com a mudança educacional na Finlândia?") que fala sobre alguns conceitos que norteiam a educação daquele país:


1. "A reforma educacional não foi guiada pelo sucesso escolar e, sim, pela democratização do acesso a escolas de qualidade";
2. "As crianças devem ser vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola. Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a diferença na vida dos jovens. Infelizmente, esses princípios básicos deram lugar a políticas regidas pelo mercado em vários países"
3. "Professores são profissionais de alto nível, como médicos ou economistas";
4. "A tecnologia é uma ferramenta, mas o foco continua sendo na pedagogia entre pessoas, sem tecnologia. A tecnologia não deve guiar o desenvolvimento educacional e, sim, ser uma ferramenta como várias outras.";
5. "A Finlândia é o antídoto a este movimento que impõe provas padronizadas, privatização de escolas públicas e remunera os professores com base em avaliações de desempenho que se tornou típico de diversos sistemas educacionais pelo mundo". 


SINOPSE
Papai Noel até tentou tirar a Finlândia do anonimato. Mas a região ganhou fama mesmo pela qualidade de ensino. Ali, professor para entrar em sala tem no mínimo mestrado e com a qualificação elevada veio a autonomia. O princípio de liberdade foi estendido aos alunos do ensino médio. Sim, eles escolhem o que aprender. O mais incrível é que eles gostam de aprender. A leitura é um dos passatempos preferidos dessa turma. Durante o ano, os estudantes vão cerca de 12 vezes à biblioteca. E o tempo em sala de aula não é exageradamente grande, sobra tempo pra muitas atividades... Como a Finlândia se tornou modelo de ensino para todas as nações? Atrás de respostas, o programa vai quebrar o gelo e discutir o tema com especialistas no assunto. Mas o mais importante: o espectador irá frequentar os corredores das escolas, acompanhar o dia a dia dos alunos, os seus sonhos, perspectivas e o trabalho dos educadores para manter um ensino nota 10. O papel das políticas públicas, e o papel da família também ganham destaque. Como o governo conseguiu a difícil tarefa de igualar a qualidade do ensino? Por lá, nenhum aluno fica para trás e a diferença entre as piores e as melhores escolas é mínima. Existe receita para isso? Por que a profissão de professor é a mais desejada pelos jovens, mesmo sem oferecer os salários mais altos da região? E aos melhores profissionais cabe a tarefa de trabalhar nas piores escolas. Por quê? Como eles encaram isso? Por último, a pergunta que não quer calar: quais as lições que o mundo pode aprender com os finlandeses apesar de ser um país tão diferente?

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