domingo, 13 de maio de 2012

Ideias para a Educação V - Canadá

por Julio Canuto


O quinto programa da série "Destino: Educação. Diferentes países. Diferentes respostas." é sobre o Canadá. Este país da América do Norte, multicultural rigar muitos imigrantes, está entre os sete melhores colocados do PISA. Possui 34 milhões de habitantes, sendo 6,3 milhões de estudantes e 550 mil professores. Quase a totalidade dos estudantes (95%) frequentam a escola pública, e 80% dos habitantes acima de 15 anos de idade já completaram o Ensino Médio.


O programa foi gravado em Ontário, Toronto. Os alunos entrevistados definem o país como muito acolhedor, multicultural, com respeito ao meio ambiente, e elogiam a escola pública, destacando que é um direito e que é muito estranho alguém no Canadá não frequentar a escola.


Existem quatro conselhos escolares públicos: o secular; o católico; o francês secular; e o francês católico. A Educação tem a mesma qualidade, independente da classe econômica dos estudantes. Aliás, a excelência da educação e a equidade são os princípios do Canadá e Ontário. Estes os dois pilares da educação desde 1.800, sendo que o Canadá tornou-se um país em 1867.


EXCELÊNCIA E EQUIDADE EDUCACIONAL EM UM PAÍS MULTICULTURAL


Excelência e equidade são palavras muito faladas em todo o episódio. São os principais valores, e para alcançá-los o sistema de ensino investe no ensino das línguas francesa e inglesa, as duas faladas no Canadá; e também misturam alunos da mesma idade com níveis diferentes de ensino, para se equipararem. Os próprios alunos se ajudam e os professores devem entender de pedagogia e de relacionamento. 


Muitos imigrantes conseguem desempenho melhor que canadenses. Apesar disso, identifica-se que os imigrantes latino-americanos têm mais dificuldade que europeus ou asiáticos. Em geral, este desequilíbrio tem a ver com a rede de contato já estabelecida no Canadá. Alguns grupos de imigrantes organizam reforços escolares para os estudantes de sua comunidade, e isso proporciona melhor desempenho. 


A sociedade tem respeito pelos professores, e também parecem compreender que é um trabalho difícil, pois eles devem ter boa relação com alunos de origens diferentes.


O conceito chave da educação canadense é o aprendizado para todos. Neste conceito está o entendimento de que cada aluno tem seu tempo de aprendizagem. Assim, ao invés dos alunos seguirem o professor, é o professor que deve seguir os alunos, percebendo o tempo de aprendizagem de cada um, suas dificuldades e talentos. Há até um programa para novos alunos, em geral imigrantes, no qual os professores os encontram e procuram compreender o contexto familiar de cada um, perceber se há algum problema, e também promovendo excursões para integrar os novos alunos na cidade.


Os educadores tem total liberdade para trabalharem com os alunos. Embora definam um currículo para cada ano, o Governo e as Províncias não possuem em roteiro de ensino para todos os alunos. Os professores atuam com criatividade, voltados para o contexto social local.


Todos os professores possuem graduação e participam de programas de desenvolvimento profissional, onde podem fazer o mestrado e doutorado. O salário é considerado bom. 


Por dia, um professor do 9o. ao 120. ano ensina em três períodos de 75 minutos, e tem outros 75 minutos para preparação das aulas. Ou seja, lecionam em três de quatro períodos.


O SENTIDO DAS AVALIAÇÕES E PARTICIPAÇÃO DOS PAIS


Há avaliação periódica dos alunos, no 3o., 6o. e 9o. anos, e também no 10o. para a graduação, o EQAO, aplicado por uma instituição independente do Ministério da Educação.  Há grande preocupação com o ensino de línguas e leitura (interpretação de textos), sem deixar de lado as artes, educação física, etc. A avaliação permite orientar os recursos para corrigir os desvios. Pretende-se ampliar o uso da tecnologia no teste para facilitar a aplicação e agilizar os resultados.


O ponto principal, porém, é procurar observar não se o aluno aprendeu, mas como o aluno aprendeu. Percepção que deve partir dos professores. Até mesmo porque as boas notas não são suficientes para ingresso na universidade, mas depende de como o estudante apresenta sua candidatura, o que ele pretende. Deve ter algo a mais.


Os pais participam da educação através do Conselho da escola, e podem decidir sobre alguns aspectos do sistema de ensino. O conselho age como um orientador do diretor. O engajamento dos pais é conquistado com a escola respeitando as necessidades dos pais de cada bairro. Por exemplo, ajustando os horários das reuniões de pais para um horário onde todos possam comparecer.


Mas ainda assim há lacunas: na aprendizagem entre meninos e meninas, ou em escolas localizadas em áreas problemáticas. Apesar da verba ser a mesma para todas as escolas, os pais trazem recursos as escolas, e aí aparecem grandes diferenças.


A CRIATIVIDADE EM UMA SOCIEDADE MULTICULTURAL


A educação canadense procura formar cidadãos globais, e para isso se ocupa com as "habilidades do século XXI", isto é, a capacidade de adaptação e a criatividade, e portanto há aspectos importantes que não podem ser medidos.


A tecnologia é uma aliada. Ao invés de ser vista como obstáculo (uso de telefones e redes sociais), os alunos são estimulados a utilizar esses recursos. Em termos práticos: os alunos podem ser cineastas no Youtube, ou líderes de opinião em blogs. O papel da escola é potencializar isso. 


Crianças e jovens são riadores ativos de cultura. Por isso a escola não ignora a bagagem das crianças, sua criatividades, brincadeiras, hábitos familiares, etc., mas procura trabalhar os conteúdos dentro dessas perspectivas.


Mais que ensinar, o sistema educacional canadense faz um trabalho de justiça social.

SINOPSE

É mesmo difícil ocupar quase 10 milhões de Km². Talvez por isso, enquanto a maioria dos países desenvolvidos fechou suas portas para os imigrantes, o Canadá sempre esteve de braços abertos. Mas não para qualquer um. Na última década, o governo vem concedendo aos estrangeiros com qualificação quase todos os direitos conquistados pelos canadenses. Incluindo ensino de qualidade para seus filhos. Uma forma de compensar a carência por profissionais especializados, especialmente por conta do envelhecimento da população e baixa taxa de natalidade. Num país com duas línguas oficiais e sem Ministério da Educação, pais de alunos estrangeiros falam se o sistema é mesmo universal e avaliam o desempenho de seus rebentos, não muito diferente dos estudantes com certidão de nascimento canadense. Especialistas discutem qual o impacto de uma política de educação descentralizada. Por lá, o que cada província decide com relação a orçamento e currículo é lei. Uma delas é a obrigatoriedade de estudar por pelo menos dez anos em grande parte do território. Falam ainda sobre monitoramento e nivelamento do desempenho das escolas, a cooperação entre elas e sobre a fórmula de incentivar as com baixo rendimento, sem castigo nem palmatória. Será que tudo isso ajudou o país a ficar entre os mais bem colocados em todas as edições do PISA e em outras avaliações internacionais? O espectador vai acompanhar de perto como se tornar professor no Canadá pode ser tão difícil quanto enfrentar o seu inverno rigoroso, apesar de ganharem salários acima da média nacional. E se essas restrições mudam a arte de ensinar e aprender. A partir do dia-a-dia de jovens estudantes canadenses, vai ser possível avaliar o papel da família e se vale mesmo a pena passar mais tempo dentro da sala de aula do que fora dela.

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