quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A escolha do vereador

por Julio Canuto

A escolha dos representantes nas casa legislativa é mais importante que a do Prefeito, pois são os vereadores que votam a favor ou contra novas Leis, fiscalizam a administração pública, e fazem a intermediação da Prefeitura com o bairro onde você vive ou trabalha... ou também pode não fazer nada disso, ou de uma maneira que te prejudique. Abaixo algumas dicas interessantes, publicadas no jornal O Estado de São Paulo, em 08 de setembro.

Acrescentaria: 1. saber o reduto do candidato (bairro no qual ele atua); 2. saber o perfil (escolaridade, profissão etc.); 3. se é vereador atualmente, o que tem feito? Após o texto algumas formas de consulta.

Embora a matéria tenha sido feita pensando nas eleições da capital paulista, a maioria das dicas servem para eleitores de todos os municípios brasileiros.

Como escolher o seu candidato?

Especialistas indicam 8 critérios a serem considerados na hora de decidir em quem votar para vereador

08 de setembro de 2012 | 16h00
Fernando Gallo, de O Estado de S.Paulo
Como escolher um vereador quando a maioria dos candidatos nunca exerceu mandato e, portanto, nunca apresentou projetos de lei nem emendas parlamentares? Como escolher entre tantos partidos políticos? Entre mais de mil candidatos, quem melhor pode representar um eleitor? Com a ajuda de especialistas, o Estado elencou alguns critérios a serem levados em conta antes de escolher quais números digitar na urna e, assim, ajudar a qualificar o Legislativo.
1) Valores e visão de mundo: Seu candidato professa os mesmos valores que você? Ele analisa a cidade e o mundo de forma semelhante à sua? "O bom vereador é aquele que tem afinidades comigo do ponto de vista ideológico, da maneira como ele enxerga o mundo. Ele deve me representar de uma maneira a espelhar aquilo que penso", sustenta Cláudio Couto, professor da PUC-SP.
2) Diagnóstico da cidade: Os problemas que o candidato considera prioritários são os mesmos que os seus? Convergem com aquilo que as enquetes elaboradas por institutos de pesquisa apontam? "Se o vereador faz um diagnóstico impreciso da cidade, não está preparado para assumir o posto. Esse é um dos pontos que avalio para escolher meu candidato. A compatibilidade entre as reais necessidades da cidade e o que ele propõe", diz Fernando Abrucio, cientista político da FGV-SP.
3) Consciência sobre o papel do vereador: Ainda que, no atual sistema, o vereador se ocupe de intermediar o contato entre seus representados e o Executivo e de resolver questões como levar asfalto a uma rua ou construir uma escada, ele tem de decidir sobre políticas mais amplas, como o modelo de gestão da saúde pública por organizações sociais, por exemplo. "O vereador tem de representar muito mais do que esse intercâmbio e esse papel intermediário. Ele tem sim, em parte, um papel de interlocutor entre o Executivo e aqueles que representa, mas não é o principal", afirma o professor de Filosofia Política da USP, Alberto Ribeiro de Barros.
4) Visão global da metrópole: Seu candidato a vereador é capaz de pensar a cidade global e sistemicamente? Além de dizer que levará creches e hospitais para sua região, ele tem ideias e projetos sobre cultura, sistema de albergues para moradores de rua ou o desenvolvimento do município como cidade global? "Devemos escolher o candidato que tem mais preocupações universais, de atender a todos, e não só a certa fatia do eleitorado. Não é só limpar o lixo da minha rua, da minha praça. É o da cidade toda", explica Maria do Socorro Sousa Braga, professora de ciência política da Universidade Federal de São Carlos.
5) O partido: A legenda de seu candidato tem vida, faz reuniões, discute a cidade? O que o partido pensa sobre temas como mobilidade urbana? O que pensa sobre política de habitação e formas de evitar uma bolha imobiliária? "O partido é um atalho para o eleitor. Além de tentar saber detalhes sobre aquele indivíduo em particular, é importante saber que conjunto de ideias o partido dele professa, que programa tem para a cidade", observa Cláudio Couto.
6) Vida no partido: O candidato está filiado há quanto tempo? Ele participa das atividades do partido? Já foi filiado a outras siglas? "Por mais que se fale que nosso sistema é personalista, é importante a relação do representante com seu partido. Espera-se que ele tenha preocupação de agir como membro de uma organização. Democracia representativa sem partido não existe", avalia Maria do Socorro Sousa Braga.
7) Visão política da cidade: Cuidado com propostas aparentemente técnicas: todas têm um fundo político. Um exemplo: o candidato defende a destinação de verbas do transporte para a construção de corredores de ônibus ou para obras viárias para carros? "São visões do mundo que competem, cada uma mobilizando um aparato técnico diferente. São percepções conflitantes mesmo", explica o professor de ciências sociais da PUC Rio Luiz Werneck Vianna.
8) Financiadores: Salvo raras exceções, as empresas que financiam campanhas eleitorais têm interesses que envolvem projetos criados ou discutidos pela Câmara. Por que seu candidato foi pedir dinheiro para este ou aquele financiador? O que ele pretende fazer por esses setores na Câmara? "É difícil devassar a olho nu quem está por trás da campanha, mas é muito importante", observa Werneck Vianna.
OUTRAS DICAS:
COM UM POUCO DE HABILIDADE PARA NAVEGAR NA INTERNET  E SEM PREGUIÇA (ATÉ MESMO PARA PODER FAZER UMA BOA CRÍTICA, CASO NADA TE AGRADE), É POSSÍVEL ENCONTRAR OUTRAS INFORMAÇÕES MUITO IMPORTANTES!
1. Para quem vota em São Paulo o Portal da Câmara traz a atuação dos atuais vereadores (dos 54 atuais, 51 se candidataram a reeleição) com informações sobre: partido, presença, votos no plenário, votos em comissões, projetos aprovados ou não etc.:
http://www.camara.sp.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=331&Itemid=24 (neste link os vereadores estão ordenados por partido).

2. O site do TSE traz o registro de todas as candidaturas em todos os municípios brasileiros:  

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