terça-feira, 6 de novembro de 2012

E se o voto fosse facultativo?


por Julio Canuto


No dia 03/11/2012, a Folha de S.Paulo publicou, em sua versão online, resultado da pesquisa feita pelo DataFolha no dia 29/10 - um dia após os segundo turno das eleição a prefeitura de São Paulo - sobre o peso da obrigatoriedade.

A questão principal era: "se o voto não fosse obrigatório você teria comparecido ou não para votar ontem?" 

O resultado foi de que 44% dos eleitores não teriam comparecido se o voto fosse facultativo. A imagem abaixo (que faz parte da matéria) mostra os resultados por declaração de voto, renda, escolaridade, idade, e o total.



Repare que o percentual dos que não compareceriam se fosse facultativo, mas votaram em um dos candidatos, é igual tanto para eleitores de Haddad, quanto para os de Serra, e com percentual alto: 40%. Seriam estes os eleitores "indecisos" (ou ex-Russomano) até os últimos dias do primeiro turno? 

Imagine o que os candidatos teriam que fazer para convencer estes eleitores a votar se não houvesse a obrigatoriedade.

Penso que o voto no Brasil praticamente não é obrigatório, pois é muito fácil justificar e a multa para quem não se justificar é pequena (R$3,51). Este ano já tivemos quase 20% de abstenções.

Podemos olhar para países onde o voto não é obrigatório. Mas ha diferenças no sistema político e também culturais que podem fazer com que as coisas aqui não funcionem como lá.

Além disso, também podemos também pensar na influência das pesquisas:

A influência se faz mais forte porque o voto é obrigatório? Isto é, as pessoas têm que escolher um candidato e muitos escolhem os que estão à frente (quantos destes 44% fizeram isso?).

Um pesquisa sem o voto obrigatório, e com 44% de "não vou comparecer", influenciaria pessoas a não votar?

Na matéria da Folha, a análise aponta para uma maior tendência de abstenção nas camadas de menor renda, e dai os argumentos: 
A maior inclinação dos mais pobres à abstenção é um dos principais argumentos usados pelos que defendem a obrigatoriedade do voto. Para eles, a exigência é um estímulo para que essa parcela da população seja contemplada nas propostas.
Defensores do voto facultativo, no entanto, afirmam que a obrigatoriedade faz com que eleitores escolham sem conhecer as plataformas dos candidatos em quem estão votando (FOLHA DE S.PAULO, 03/11/12).
A matéria, porém, não deixa claro se o critério "renda", refere-se a renda familiar ou individual. Se for a renda individual, a análise está equivocada, pois os jovens (que possuem até o ensino médio, pouca experiência profissional e consequentemente menor renda) seriam os que teriam maior tendência a abstenção. E isto ainda não significaria menor interesse pela política, mas talvez desconfiança nos partidos e políticos e opção por outros modos de fazer política. 

De qualquer forma, os resultados são muito interessantes e provocam reflexões. Qual é a sua opinião?

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