quarta-feira, 6 de março de 2013

Legitimidade e poder

por Julio Canuto

Hugo Chávez morreu. E este será o assunto da semana, do mês e ainda será lembrado por muito tempo na mídia em geral. Se me pedirem para dar uma opinião sobre Chávez, pedirei desculpas e direi que não tenho conhecimento suficiente para dar uma opinião. As informações sempre foram confusas, com alguns destacando todos os pontos negativos, e outros destacando pontos positivos de seu governo.

Quero, no entanto, destacar duas coisas:

1. Apesar de tantos anos no poder (e sou contra isso, mas não cabe a mim discutir as regras eleitorais de outro país), Chávez sempre esteve lá por ter vencido as sucessivas eleições. Sendo assim, seu governo sempre foi legítimo. 

2. Quando todos os meios de comunicação falam a mesma coisa, ou emitem opiniões muito semelhantes, algo está errado. O que quero dizer com isso? Como nos ensinou Norberto Bobbio em o futuro da democracia, a democracia não é o consenso. Isto seria impossível em um regime democrático. Consenso só há em regimes totalitários, e por isso são falsos consensos. Em democracias sempre haverá dissenso - e é bom que assim seja. 

Por isso escolhi o vídeo abaixo para todos aqueles que se interessarem em saber sobre o governo de Hugo Chávez - ou pelo menos uma parte da história de seu governo. Trata-se do documentário a revolução não será televisionadade Kim Bartley e Donnacha O'Briain sobre o golpe ocorrido na Venezuela em abril de 2002, que tirou Chávez do poder, mas que pouco tempo depois foi derrotado e o presidente legitimamente eleito foi reconduzido ao poder.

Quero que prestem atenção à guerra travada pela legitimidade, não a que vem das urnas e da lei, mas a legitimidade dos símbolos, costumes e tudo mais que garantem uma determinada ordem social... e o poder. Evidentemente que a relação entre mídia e política é o centro das atenções.

Creio que a principal diferença de Chávez para outros líderes é o esforço por criar uma nova cultura política na Venezuela, ou que ao menos sempre deixou isso muito claro. Isso pode ser visto como benéfico ou maléfico. Não estou aqui para julgar, mas apenas para tentar mostrar um outro lado da disputa que se travou. Disputa que custaram vidas, muitas vezes apoiados em jargões políticos que ressurgem em momentos de tensão.

Aconselho também o leitor que se interessou pela postagem e pelo documentário, que procure outros materiais para que avalie este e outros episódios ocorridos sobretudo em nossa América Latina.  

Muito cuidado com o que lê, muito cuidado com o que vê.


A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA

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