segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Euclides da Cunha - A personalidade que poucos conhecem




Se Os Sertões é o clássico da literatura que poucos leram, a história de seu autor com certeza é ainda menos conhecida.

Abaixo reproduzimos trecho de uma palestra proferida durante Conferência sobre Euclides da Cunha em 30 de agosto de 1951 por Fernando de Azevedo, no salão nobre da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, onde era professor de Sociologia.




O HOMEM EUCLIDES DA CUNHA

Escrever ou falar sobre Euclides da Cunha, no mês votado às solenes comemorações da vida e obra do escritor singular, é evocar um dos maiores cultos de Francisco Venâncio Filho e oferecer-lhe à querida memória a homenagem de um quarto de século de amizade e de admiração. Nenhum outro, entre tantos que se consagraram a essas práticas rituais. "por protesto e adoração". foi mais fiel à memória do imortal autor de Os Sertões" nem incarnou mais profundamente a comovida e edificante devoção da mocidade idealista do país à extraordinária figura do mais brasileiro de todos os escritores. Nenhum outro se empenhou tão a fundo e com tanto calor e paixão na penosa tarefa de redescobrir e revelar Euclides e sua vida, r pois que sua obra cruzara o espaço com a rapidez e as fulgurações de um relâmpago, — e mostrar, com a força de um exemplo impressionante, o papel dos grandes homens que são a um tempo inspiradores e modelos da existência ideal. Nenhum outro, entre tantos ilustres e devotados euclideanos, se dedicou com mais zêlo e pertinácia a pesquisas de toda ordem sobre o homem e o escritor, o militar e o engenheiro, e coligiu e acumulou, com mais tocante solicitude, Ora abri-ia a todos os que o procurassem, a documentação indispensável à plena inteligência e reconstituição da vida de Euclides. "Em Venâncio Filho (eis, entre numerosos testemunhos, o de Sílvio Rabelo) encontrei o mais minucioso e o mais exato informador sobre a figura por tantos de seus ,contemporâneos descaracterizada, como é a do militar, do explorador, do correspondente de guerra, do jornalista e do escritor que foi Euclides. Era com generosa hospitalidade que Venâncio Filho me recebia na sua residência. Até quase madrugada não se cansava de falar, de revolver gavetas e armários à cata do documento ou da notação desconhecida, recompondo, com sua palavra animada, a fisionomia psicológica e moral de. Euclides, retificando erros de interpretação, corrigindo enganos biográficos, precisando episódios, lembrando anedotas nem sempre bem contadas pelos que se ocuparam da vida daquele que considerava o mais genial dos escritores brasileiros" 

Leia a íntegra da palestra [aqui]

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