segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Pistas sobre a origem do mal-estar social

por Julio Canuto

Malvados. André Dahmer. Ilustrada, Folha de S.Paulo, 06/02/2014
Sou obrigado a compartilhar com todos que passam por aqui o irretocável texto de José de Souza Martins publicado no ultimo final de semana no jornal O Estado de S.Paulo. Fica como uma valiosa dica de reflexão sobre as origens da tão falada "sensação de insegurança" atual que chega a servir de justificativa para práticas tão ou mais violentas que os furtos ou roubos. Fala também de racismo, desigualdade, a negação da cidadania e a pseudocidadania

Há, atualmente, quem defenda de maneira escancarada a prática da justiça com as próprias mãos em programas "jornalísticos" e até mesmo um parlamentar - ou melhor, para lamentar - , o deputado Jair Bolsonaro (PP), já se pronunciou a favor (atenção, ele quer presidir a comissão de direitos humanos!), o que mostra um sério prejuízo da ideia de sociedade até mesmo dentro de nossas casas legislativas. 

A seguir deixo um trecho do artigo, com link ao final.
A Lei Áurea trouxe implícita a igualdade jurídica do negro liberto, coisa que não ficou muito clara na Constituição de 1891, que condicionou a cidadania ao ter propriedade e ao ser alfabetizado, não ser mendigo, não ser mulher, não ser praça de pré. A igualdade do 13 de Maio era, portanto, uma igualdade relativa. Porém, quem não é igual não pode ser livre. O deputado que agora, no próprio Parlamento, se congratula com os agressores do menino negro, revoga a Lei Áurea, restaura a inferioridade social do cativo e dos filhos e herdeiros do cativeiro. Traz de volta o feitor.
O Estado brasileiro, de que o deputado é membro e privilegiado beneficiário, é um Estado omisso, descumpridor das próprias leis que inventa e promulga. A delinquência juvenil é fruto dessa omissão e do desamparo que engendra e alimenta. Mas fruto, também, da pseudocidadania dos atiradores de pedra e dos linchadores, dos que reclamam direitos, omitindo-se quanto aos deveres correspondentes.
Clique no título para acessar o artigo: "Eu, não, meu senhor", José de Souza Martins, Aliás, O Estado de S.Paulo, 08/02/2014

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