segunda-feira, 31 de março de 2014

1964: precisamos entender

por Julio Canuto
Grauna, do Henfil

Acho que não preciso escrever nada aqui sobre o golpe militar de 1964, pois os jornais estão cheios de notícias, memórias, desculpas, análises, depoimentos e tudo mais. Aproveito o momento apenas para sugerir a leitura de um texto simples, mas muito bem escrito, de Marcelo Ridenti, publicado na Folha de S.Paulo em 23 de março, intitulado O golpe de 1964, aqui e agora, o qual inicia exatamente com a seguinte observação:
Se for verdadeira o adágio de que o brasileiro não tem memória, não é por falta de informações a análises publicadas, pelo menos sobre o golpe de 1964 e o tempo da ditadura. As obras contam-se as centenas, escritas nos últimos 50 anos por jornalistas, memorialistas, economistas, sociólogos, cientistas políticos, historiadores e outros, até mesmo das gerações mais jovens. Talvez nenhum outro período tenha sido esquadrinhado tão detalhadamente em seus aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais.
De fato, não há como não conhecer a história. Difícil, talvez, seja entendê-la, as vezes até mesmo por quem viveu direta ou indiretamente. Avanços econômicos, mas bloqueio das liberdades civis. Apoio da sociedade? Como assim? Qual parcela da sociedade? As várias versões e focos de análise sugerem que este é, definitivamente (ao menos isso), uma parte nebulosa de nossa historia, no sentido de que há ainda muito a se desvendar apesar da quantidade de publicações.  E talvez o principal motivo disso seja a forma como a questão foi "resolvida".

O próprio Ridenti dá a dica ao final do mesmo artigo, criando uma situação:
Uma bela adormecida em 1984 nas manifestações pelas Diretas-Já que por encanto despertasse hoje ficaria espantada ao ver Fernando Henrique Cardoso ao lado de Marco Maciel, Lula aliado a Sarney.O país continua refém das forças que deram o golpe de 1964 e impedem mudanças que podem aprofundar a democracia política também num sentido social e econômico, diminuindo as desigualdades. O desafio continua posto, daí a atualidade da discussão sobre os acontecimentos de 50 anos atrás.

Há vários estudos que falam de nossa revolução passiva: a velha estratégia de mudar para que tudo continue do mesmo jeito. Sugiro o texto de Ridenti, pois coloca de forma clara este problema. 

Clique AQUI para ler o texto.

Precisamos entender o golpe de 1964, mas também precisamos entender a ditadura de Getúlio Vargas, precisamos entender os acordos para as transições a democracia. Precisamos entender...



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