terça-feira, 4 de março de 2014

Alegria em bloco

por Julio Canuto

Joel Silva/Folhapress

A seguir o link para a matéria de Caio do Valle, publicada em 02.03.2014 no Estadão. Um belo texto que retrata a passagem do Cordão do Triunfo, que pelo segundo ano "percorreu ruas marcadas pela degradação humana" no centro de São Paulo, na região conhecida como Cracolândia. O cordão é organizado pela Cia. Teatral Pessoal do Faroeste.

Com cerca de 500 foliões, o grupo tratou de expressar o verdadeiro significado do carnaval por estas terras: suspender as diferenças, confraternizar democraticamente, apenas brincar. Sim, há um outro carnaval que opta pelo luxo e em certo sentido é muito bonito, embora dominado pela mídia e não inclusivo, já que os custos das fantasias acabam por expor as diferenças sociais, reproduzindo a desigualdade vista diariamente nas ruas. Por isso a volta dos blocos de rua em São Paulo deve ser festejada. Aqui, cada um com a fantasia que quiser, no corpo ou na mente, se diverte livremente. No caso do Cordão do Triunfo, o carnaval atinge seu pleno significado. Chamando os moradores da região, o Cordão tenta promover a sociabilidade. Mas não é fácil. Abaixo dois trechos da matéria, com o link ao final:
    Por breves minutos, o samba do Cordão do Triunfo passou, arrastando cores, música boa e algumas centenas de foliões por ruas como General Osório e Santa Ifigênia, acostumadas ao vazio cinzento dos domingos à tarde. E mais ainda às agruras dos viciados que perambulam por ali.  Crianças, velhinhos, homenzarrões. Por um instante irmanados pela experiência da folia lá embaixo, todos eles se debruçaram nos parapeitos dos prédios de fachadas decadentes que povoam as imediações da Estação Júlio Prestes e acompanharam o carro de som se deslocar, devagarinho, irradiando os clássicos “Bandeira branca”, “Trem das onze” e “Canta canta, minha gente”. Alguns se arriscaram e aceitaram o convite, cantando.     A maioria, contudo, exibia na compleição um misto de perplexidade e animação. Uma alegria desconfiada e contida, como se tudo aquilo fizesse parte de outro mundo, bem distante da realidade de um bairro permanentemente ajustado à degradação humana. Para registrar momento tão singular, muitos sacaram seus celulares. Mas Sueli Santos, de 34 anos, quis um pouco mais. Decidiu pegar a filha, Ana Clara, de 3, e ir sambar.
    “Veja os prédios da Sala São Paulo, da Estação Pinacoteca... São bonitos, mas de certa forma representam uma presença blindada do Estado. As pessoas vão lá de carro e não experimentam a realidade do entorno. Queremos trazê-las para o meio dos ‘noias’ e mostrá-las esse aspecto da cidade”, afirmou o diretor de vídeo da companhia, Dario José, de 39 anos.
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