sábado, 29 de março de 2014

Clássicos da literatura em cordel

por Julio Canuto

Em minha ultima visita ao Rio de Janeiro, neste mês que se encerra, como de costume passei na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, em Santa Teresa, para novamente comprar as coleções de folhetos que leio e acabo presenteando amigos, tendo novamente que compra-los. É sempre boa a visita a ABLC (que conheci em 2010), a recepção do presidente e poeta Gonçalo Ferreira da Silva, que nos convida para sentar, conversar sobre diversos assuntos. Inteligente e curioso, o Sr. Gonçalo tem um interesse sincero em todos que procuram a Academia.

Mas além das coleções, em caixas com 15 folhetos cada nos temas "Grandes clássicos - cordéis raros", "Diversos", "Cangaço e crendices", "Romances", Pelejas e humor" e "Ciência e Política", e da coleção "Ciência em versos de cordel" (do qual vou falar em outra postagem) merece destaque a obra de Stélio Torquato Lima, intitulada "Obras-primas universais em Cordel".

Stélio, doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal da Paraíba, realizou o trabalho de adaptação de 15 obras clássicas da literatura universal, divididas em cinco períodos. São elas:


Período clássico: 

Ilíada  (Homero)
Odisséia (Homero)
Eneida (Virgílio)

Período medieval: 

Canção de Rolando (anônimo)
Divina Comédia (Dante) 
Decamerão (Boccaccio)

Período maneirista: 

Dom Quixote (Cervantes)
Romeu e Julieta (Shakespeare)
Sonhos de uma noite de verão (Shakespeare)

Período romântico: 

Doutor Fausto (Goethe)
O médico e o monstro (Stevenson) 
O corcunda de Notre-Dame (Victor Hugo)

Período realista

Madame Bovary (Flaubert)
O vermelho e o negro (Stendhal) 
O primo Basílio (Eça de Queirós)




Lançado pela Editora Queima-Bucha, de Mossoró (RN), a mesma editora das demais coleções citadas, o trabalho de Stélio é muito rico e traz de forma resumida e em versos todo o conteúdo das obras. Bom para quem já conhece os textos originais, mas também como interessante forma de aproximação às obras clássicas universais, a ser utilizada também em sala de aula.

Trata-se, na verdade, de um retorno da Literatura de Cordel em referência a suas origens, como nos mostra do Sr. Gonçalo nas considerações iniciais de seu Vertentes e Evolução da Literatura de Cordel:
Não é difícil perceber sinais da Literatura de Cordel nos Salmos, de Davi, nos Cantares, de Salomão, na Divina Comédia, de Dante, e no Paraíso Perdido, de Milton. Ela está na arte dos poetas, nas mensagens dos profetas e nas reflexões dos pensadores. Lendo detidamente páginas imortais dessa eterna cultura popular típica, escritas por mestres consagrados, concluímos que essa forte e marcante manifestação do pensamento vem desde a Grécia de Homero, da Roma de Virgílio, da Espanha de Cervantes, da Inglaterra de Shakespeare, de Portugal de Camões, da Alemanha de Goethe, da França de Victor Hugo e, é claro, do Brasil, de onde assomaram as figuras primaciais de Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Castro Alves, Patativa do Assaré e Rogaciano Leite, entre outros.
Viva os poetas populares!, que registram em versos tão bem trabalhados os costumes, lendas, fatos históricos e cotidianos e também facilitam o acesso a obras já consagradas. 

A literatura de cordel segue forte.

2 comentários:

re santana disse...

Seu Gonçalo.... olha a relação que ele tem com as histórias, com os cordéis e com os nossos olhos, enquanto conversa e transmite o que sabe e ama , são coisas que não tem como explicar, só sentir mesmo!

PuLa O mUrO disse...

Sim! Você o conheceu, então sabe bem como é. Obrigado pelo comentário.